As ruas de Santo Antônio de Roça Grande ficaram cheias entre os dias 4 e 19 de junho, quando foram realizadas apresentações de quadrilhas, dezenas de celebrações eucarísticas e a trezena de Santo Antônio, tudo em homenagem ao padroeiro do bairro.
O final de semana que antecipou o dia de Santo Antônio e a segunda-feira, 13 de junho, quando é comemorado seu dia, foram os dias de maior concentração de fiéis. Segundo o padre José Marcilon, reitor do Santuário, cerca de 60 mil pessoas passaram pelo bairro nesses dias para as comemorações.
Entre elas estavam Maria Terezinha da Silva que vestia as roupas de Santo Antônio com o objetivo de pagar uma promessa. Terezinha conta que há quatro anos vai à festa com a roupa, pois alcançou a cura de um renite que a perturbou por anos. “Eu tomava um remédio há mais de 11 anos para tratar da renite, mas o médico me disse que uso constante do medicamento me traria problemas. Então pedi a Santo Antônio para me curar da doença, para não precisar medicar. Vim em um dia de festa. Às sete da manhã estava aqui, pedi com muita fé e hoje estou curada”, conta. Além dessa graça, ela diz que continuou alcançando muitas outras através do Santo.
Nas ruas durante os dias de festa é comum vermos várias pessoas com o hábito usado pelo Santo. Além de Terezinha, encontramos os pequenos Ana e Vitor, cinco e quatro anos, respectivamente, que também vestiam se assim. A madrinha da menina, Karen Kethlen diz que as crianças estavam pagando uma promessa feita pela avó. Os dois tiveram problemas, ainda muito novinhos e através da intercessão de Santa Antônio conseguiram se recuperar.
Na Sala dos Milagres um dos lugares mais interessantes do Santuário, onde são registradas as várias graças alcançadas pela intercessão de Santo Antônio, encontramos a menina Nicole. A garotinha de apenas cinco anos rezava com os olhinhos fechados segurando o cordão de Santo Antônio pedindo ao Santo um irmãozinho. Ela disse que reza todos os dias para Santo Antônio e quem a ensinou foi a avó, que a acompanhava e pediu ao Santo para curá-la das dores que sente constantemente.
A fé no Santo Casamenteiro também é demonstrada através da dedicação da comunidade ao Santuário. É o caso de Admilson Perdigão que é um dos voluntários responsáveis pela festa. Ele conta que desde criança participa da organização, para o voluntário trabalhar dessa forma pela paróquia é um jeito de agradecer, é o retorno da bondade de Deus conosco. “A gente ver tanta dádiva, então a maneira mais fácil é você se despojar doando seu trabalho aqui na paróquia”.
Padre José Marcilon diz que a festa é muito importante para a comunidade, que sempre se empenha para a organização. Os preparativos levam um ano e são realizados por um casal de festeiros que contam com a ajuda de uma comissão montada pela comunidade. O pároco afirma que quem assume a festa, dá uma grande demonstração de fé, devoção e confiança na intercessão de Santo Antônio. Ele ressalta que o trabalho é muito, pois é preciso conjugar o espiritual e o material, pois são necessários recursos que vêm das promoções e eventos organizados pelos festeiros, ainda tem a expectativa que o resultado financeiro possa ajudar a continuidade de obras no Santuário.
O pároco ressalta que o mais importante é o lado espiritual, pois a festa demonstra que povo está rezando, a devoção a Santo Antônio tem aumentado, trazendo mais peregrinos e romeiros ao Santuário, elevando a fé. O padre diz que nos dias de hoje manter esse lado espiritual também é um grande desafio. “Nosso povo tem muita fé, a comunidade de Roça Grande, mesmo reconhecida como carente, está sempre participando e está de parabéns”, destaca.
Muito comércio
Além de fé e devoção, infelizmente o que vemos nas ruas é muito comércio que nada tem a ver com Santo Antônio, aquele que distribuía pão aos pobres e se abdicou as vaidades humanas para seguir a palavra de Cristo e levá-la às pessoas.
As barracas estão instaladas em toda extensão da rua, vendendo comidas variadas, roupas, acessórios, celulares, enfeites, utensílios domésticos, imagens de Santo Antônio e também vários outros. Diante de tanto comércio algo chama atenção, porque em uma festa tradicionalmente de Sabará, praticamente não tem comerciantes da cidade, (todos que conversamos são de outras cidades de Minas)? Não tem nenhuma barraca sequer que venda produtos sabarenses, como os derivados da jabuticaba, da banana ou o ora-pro-nóbis e simplesmente nada do nosso artesanato.
Seria uma boa ocasião para divulgarmos nossa cidade, muitas pessoas que estão ali, não vão ao Centro Histórico, talvez porque não saibam o que temos para oferecer, isso porque não expomos nossas belezas durante a festa.
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