No dia 5 comemoramos o Dia Mundial do Meio Ambiente, a data é também reservada para realizarmos ações de incentivos a preservação dos nossos rios, praças, ruas, matas, reservas naturais e minas, entre outros.
Em Sabará, a Prefeitura tem tentado trabalhar junto à comunidade com atividades voltadas para melhorias e preservação do meio ambiente. Durante o ano houve mutirões de limpeza, plantio de árvore, vistorias a mineradoras, entre outros trabalhos. Porém o caminho é longo, e ainda há muito o que fazer por aqui. Ainda há pontos no município que são vistos como bota fora clandestino, além de outras tantas sujeiras como entulhos, matos e móveis velhos, espalhados pelas ruas e vias da cidade.
Na estrada que liga o Centro ao bairro Pompéu, a situação se repete todos os meses, o local se tornou bota fora clandestino – e o pior, não é denunciado pela comunidade, o que dificulta o trabalho da fiscalização. “Todos os meses fazemos a limpeza na estrada do Pompéu, mas no dia seguinte tem mais lixo no local. Infelizmente é impossível fiscalizar 24 horas por dia”, explica Agrinélio do Amaral, responsável interino pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
Agrinélio diz que como a comunidade não denuncia, fica difícil para achar os responsáveis pelo depósito de lixo em locais proibidos. “Temos um efetivo de 47 funcionários em diferentes funções, com isso não dá para estar em diversos locais ao mesmo tempo. Na rodovia que liga Sabará a Belo Horizonte, somos os responsáveis pela limpeza a partir do bairro Roça Grande em direção ao centro. Do bairro para trás a via fica por responsabilidade do DER, eles estão fazendo a limpeza aos poucos, mas a chuva agora vai atrapalhar os trabalhos já que acelera o crescimento de mato”, explica.
De olho nas barragens
Além do Dia Mundial do Meio Ambiente, o dia 5 de junho também marca os sete meses do maior desastre ambiental do país, o rompimento das barragens de Fundão e Santarém, em Mariana, onde 19 pessoas morreram, centenas ficaram desabrigadas e milhares foram prejudicadas pelo mar de lama que poluiu o Rio Doce, atingindo 40 cidades nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, chegando ao Oceano Atlântico.
O acidente despertou o medo em muitas pessoas que vivem próximas às áreas onde estão localizadas essas barragens e foi um alerta para as mineradoras não só no país, como em todo mundo. Por isso, moradores de Sabará se preocuparam já que a cidade abriga a barragem da Brumafer que já foi desativada; de Galego que pertence a Vale e está em fase de desativação e a barragem que pertence à AngloGold Ashanti, construída na unidade Cuiabá- Lamego, sendo essa a mais próxima da comunidade. Ela está a seis quilômetros do bairro Pompéu e caso um acidente como o de Mariana aconteça a população do local será a mais atingida. Por isso a preocupação dos moradores é grande.
Logo após o acidente de Mariana, a AngloGold e a comunidade se reuniram para debaterem sobre o assunto. Na ocasião, várias questões foram levantadas, a empresa mostrou dados que apontam a segurança na barragem. Os moradores exigiram maior segurança, entre os pedidos a maior exigência foi uma sirene.
Sete meses se passaram do acidente e da reunião e pouco foi feito. Segundo alguns moradores do Pompéu, a empresa não entrou mais em contato com a comunidade. Um morador que não quis se identificar afirmou que existe outra preocupação, é a obra que está sendo feita no local. A barragem passa por um alteamento, ou seja, ação que tem como objetivo aumentar a capacidade de armazenamento dos reservatórios; melhorar o fator de segurança dos taludes das barragens ou melhorar a proteção da estrutura contra possíveis cheias, mas segundo ele, durante essas operações corre se o risco de um acidente.
AngloGold confirma instalação de sirene
A AngloGold Ashanti afirmou que irá implementar o sistema de notificação em massa, mais conhecido por “sirenes”. A empresa realizou nos últimos meses um detalhado estudo de viabilidade e análise técnica, com busca nas melhores referências internacionais para o tema. O início da fase de implementação será no segundo semestre. Esta fase engloba o envolvimento da comunidade, definição dos locais, testes, obras e outras atividades.
Em relação às suas barragens de rejeito, vale ressaltar que a AngloGold Ashanti segue normas de segurança nacionais e internacionais. Os controles das barragens são feitos em rotinas diárias, semanais e quinzenais e nenhuma das estruturas apresenta qualquer situação de alerta.
Quanto ao Plano de Emergência, o mesmo foi entregue e protocolado na Defesa Civil do município. Ele foi elaborado por um grupo multidisciplinar de técnicos que trabalham na empresa e conduzido com o apoio de consultorias especializadas. Este documento é rotineiramente atualizado passar por aprimoramentos sistemáticos.
A empresa reforça que esclarecimentos e dúvidas podem ser direcionadas ao canal de comunicação: 0800 7271 500.
Vistorias
No dia 24 de maio o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, Superintendência de Controle Externo, Diretoria de Engenharia e Perícia de Matérias Especiais estiveram em Sabará para avaliar o trabalho da Defesa Civil do Município (o trabalho está sendo feito em todo Estado). O objetivo foi examinar todas as peças, documentos, livros e informações necessárias à realização dos trabalhos. Dentre eles existência de Legislações e Planos municipais, outros relativos à Defesa Civil bem como Urbanísticas. Além disso, avaliar a atuação desta Coordenadoria de Defesa Civil junto às Mineradoras para ação conjunta e cientificação dos planos de contingência das mesmas.
Segundo a Defesa Civil, foram feitas vistorias em algumas barragens de rejeito do município e um relatório está sendo executado. Em relação ao Plano de Contingência o órgão afirma que a Vale e a AngloGold Ashanti já lhe apresentaram o plano, mas de acordo com o coordenador da Defesa Civil, Tenente Marcelo Queiroz, a AngloGold afirmou que o documento ainda passaria por reformulações.
Também é nossa responsabilidade
Apesar de muitas ações realizadas pelo município, são diversos os desafios para manter a cidade em ordem com atividades pensadas para preservação e melhoria do meio ambiente. A comunidade também precisa fazer sua parte denunciando práticas ilegais que possam agredir a natureza. Observando faixas ilegais colocadas em árvores e bota fora clandestino. O cidadão também é responsável pela limpeza dos passeios em frente suas casas. Se cada um fizer sua parte, a cidade permanecerá limpa e sem atividades que venham a agredir o meio ambiente.
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