Na terça-feira, 22 de março, comemoramos o Dia Mundial da Água , data destinada principalmente a discutir os temas relacionados a esse importantíssimo e necessário bem que a natureza nos dá e que tantas vezes é relegado a planos inferiores entre aqueles que são necessários à vida.
O dia foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1992, quando também divulgou um documento importante para o uso e preservação dos recursos hídricos, a Declaração Universal dos Direitos da Água.
A cada ano um tema é escolhido para ser debatido. Em 2016 a ONU escolheu: “Água e empregos: investir em água é investir em empregos”.
Poderíamos pensar por várias vertentes, mas vamos focar na importância da preservação das nascentes e revitalização de nossos rios e lagos, e como isso poderia ser utilizados para a geração de empregos.
Recentemente passamos por uma tragédia com o rompimento da barragem da Samarco, em Mariana, foi o maior desastre ambiental do país que deixou todo o Rio Doce poluído, chegando inclusive ao oceano Atlântico e prejudicando centenas de pessoas que tinham o rio e também o mar, como fonte de renda e agora passam por dificuldades.
E em nossa cidade, o que poderia ser feito para que nossas águas fossem geradoras de renda e emprego? O município é cortado por dois rios: Sabará e Rio das Velhas, o segundo possui 801Km de extensão e nasce em Ouro Preto, sendo o maior afluente em extensão do Rio São Francisco, desaguando neste na Barra do Guaicuí, no município de Várzea da Palma.
Logo, a primeira coisa que deveria ser feita é a revitalização desses rios, o que dependeria não só do município, mas também do empenho de todo Estado já que o Rio das Velhas passa por 51 cidades. Essa é a intenção do Projeto Manuelzão, criado em 1997, que até o momento não cumpriu suas metas estipuladas por completo, o que é muito difícil e depende do empenho de vários atores, mas com certeza deu importantes passos.
O coordenador do Projeto, Marcus Vinícius Polignano, diz que a meta estabelecida em 2005 era chegar em 2010 com uma situação que fosse possível navegar, pescar e nadar em sua passagem pela região metropolitana de Belo Horizonte. Polignano afirma que embora essa meta não tenha sido alcançada um importante passo foi dado; o projeto conseguiu que a Copasa passasse a tratar o esgoto da capital, o que anteriormente não era feito. Foram construídas as estações de tratamento do Onça e do Arrudas que tratam 70% do esgoto de Belo Horizonte, o que com certeza não é o ideal, mas já é muito importante. Além disso, o coordenador disse que a oxigenação do rio melhorou e aumento o número de peixes em alguns pontos.
O coordenador explica ainda que está sendo feito junto à Copasa um anexo ao tratamento terciário do esgoto, para que a efluente volte para os rios ainda mais limpo. O tratamento do esgoto, segundo à Copasa, é usualmente classificado através dos seguintes níveis: preliminar, primário, secundário e terciário.
Polignano diz ainda que para que o Rio das Velhas ganhe uma nova vida é importante o empenho de todos. Poder público, empresários e comunidades. Afinal, a água do rio serve a todos por onde passa e significa vida para as comunidades e muita biodiversidade.
Para ele, o principal papel do Poder Público é tratar do esgoto de seu município. Infelizmente, uma eterna batalha entre a Copasa e a prefeitura de Sabará, pode estar prejudicando essa questão. Apesar disso, o prefeito Diógenes Fantini, afirma que o problema será resolvido. O prefeito diz também que existe um projeto para interceptar o esgoto do Rio Sabará, evitando a poluição, fazendo com que ele volte a ser totalmente limpo.
Já as empresas que por muitas vezes poluem o rio jogando substâncias tóxicas e contaminadas nos leitos têm que ter consciência da importância da água e não praticar esse crime. E as pessoas em seu dia a dia não podem jogar lixo nos leitos, na beira e nem mesmo em seus quintais, já que por muitas vezes a água da chuva leva aquele lixo para os rios. “As pessoas devem entender que o leito é sagrado e ali só deve correr água de qualidade”, ressalta.
O coordenador alerta que é importante também a preservação das nascentes, matas ciliares e as matas de uma maneira geral.
Todas essas atitudes aliadas poderão sim salvar o rio e por fim fazer dele um lugar para navegar, pescar e nadar, podendo dessa forma ser fonte de renda para muitas pessoas que vivem por onde ele passa, mas enquanto não nos conscientizarmos e não mudarmos nossas atitudes nada disso será possível.
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