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Chuva deixa centenas de moradores desalojados e desabrigados em Sabará

Chuva deixa centenas de moradores desalojados e desabrigados em Sabará

29/01/2016 18h05
Por: Glaucia Melo Clark
Chuva deixa centenas de moradores desalojados e desabrigados em Sabará

A chuva aclamada por todos nós nos últimos tempos finalmente chegou, mas infelizmente com ela vieram vários problemas. Deslizamento de terras, desabamento de moradias, desmoronamento de ruas e até escorregamento de rochas afetaram a cidade, deixando centenas de pessoas desalojadas ou desabrigadas, levando o município a decretar situação de emergência.

Segundo a Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (Comdec), desde o dia 16, até domingo, 24, já havia na cidade mais de 405 pessoas desalojadas e 38 desabrigadas. Nesse período a Defesa Civil atendeu a 288 ocorrências todas em decorrência das chuvas.

De acordo com a Defesa Civil de Sabará, 129 residências foram interditadas e outras 36 foram vistoriadas e os moradores receberam orientações. Além disso, houve 19 escorregamentos de encostas e 10 ruas desmoronaram trazendo grande transtorno. A Defesa Civil registrou ainda a queda de seis árvores e 12 postes da Cemig.

O Castanheiras foi um dos bairros mais afetados com a intensa e persistente chuva dos dias 16 e 17 de janeiro, 86 pessoas tiveram que deixar suas casas e serem encaminhadas para a Escola Estadual Juscelino Kubitschek. No bairro quatro casas desabaram. Tenente Marcelo explica que o maior problema dessa região é que ela é toda irregular, pois existem muitas encostas. "Lá (Castanheiras) o certo seria a remoção de todos, pois nenhuma casa passa na vistoria da Defesa Civil e a chuva agrava ainda mais a situação", diz. Por isso, a defesa Civil procura retirar as pessoas de suas casas, evitando uma tragédia maior.

No Nossa Senhora de Fátima a chuva também fez muitos estragos, duas casas desabaram totalmente e várias tiveram que ser interditadas. Foram atingidos também os bairros Rosário, Roça Grande e General Carneiro que registrou um grande número de ocorrências.

O coordenador afirma que além da Escola Juscelino Kubitschek, existe um abrigo em Roça Grande, onde estão 13 pessoas e outro no Centro que recebeu cinco desalojados. Já a maioria foi para casa de parentes e amigos.

Tenente Marcelo ressalta que apesar do grande número de ocorrência, não foi registrado nenhuma vítima, seja fatal ou com ferimentos. Ele destaca que a Defesa Civil tem agido com eficiência, chegando aos locais e retirando as pessoas de casa ates do ocorrido.

O coordenador da Defesa Civil afirma que se a chuva não parar, como infelizmente está previsto, a casa dia que passa os números de ocorrências aumenta e a situação fica cada dia mais grave. "O problema dessa chuva contínua é que o cenário muda de um dia para o outro. Hoje o risco de desabamento de uma casa, por exemplo, é grau 1, amanhã já passa para 3, pois já caiu mais terra e se aproximou do barranco", explica.

Tenente Marcelo afirma que desde que iniciou as chuvas todas as secretarias do município e as regionais trabalham integradas empenhadas nas ocorrências que têm surgido.

O prefeito Diógenes Fantini se solidariza com as famílias que tiveram suas casas atingidas pela chuva e afirma que a Prefeitura está socorrendo essas pessoas e dando todo o apoio necessário. Fantini afirma que além de oferecer a assistência necessária para essas pessoas. A prefeitura irá continuar combatendo as causas de tragédias como essa, como as construções irregulares em áreas inapropriadas.

Prevenção

Tenente Marcelo Queiroz orienta a população a evitar qualquer tipo de obra durante o período de chuva, principalmente corte de terreno. O tenente diz que em suas vistorias tem observado muitas estradas clandestinas, obras irregulares, corte de barranco e outras irregularidades.

O coordenador destaca ainda que muitas vezes para a obra ficar mais barata as pessoas não contrata engenheiros e nem uma mão de obra especializada, por isso quando chega a chuva acontece uma tragédia.

De acordo com a Defesa Civil, existem mais de 30 mil famílias morando em áreas de risco em Sabará e como é impossível remover todas essas pessoas, o trabalho feito pelos técnicos é ensinar os moradores a viverem nessa situação. “Começou o período crítico de chuva, como agora, ele tem que se precaver totalmente ou abandonar a residência”, diz tenente Marcelo.

Sabará é uma cidade, onde praticamente todos os pontos têm riscos, mas os locais apontados como mais críticos são os bairros Rosário I,II e III, Adelmolândia, General Carneiro, Galego e as áreas ribeirinhas. “Muitas casas aqui são construídas praticamente dentro do rio, são muitas invasões, isso são tragédias anunciadas. Infelizmente nós ainda corremos o risco de acontecer uma tragédia.”, diz.

Solidariedade

A prefeitura de Mariana enviou para Sabará um caminhão com 4,5 toneladas de produtos de limpeza, roupas, sapatos e produtos de higiene pessoal para as famílias desabrigadas e desalojadas.

A Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social - SEDESE também contribuiu doando 100 colchões e 100 cobertores.

Desde o ocorrido, todas as unidades do CRAS de Sabará estão recebendo doações. As doações também podem ser entregues nas Unidades de Saúde do município (UBS). Além da UPA, Policlínica e na sede da Secretária Municipal de Saúde.

Defesa Civil: 3672-7722 e Plantão Social: 98471-0506

Proteja-se dos perigos da chuva

Vai chover

- Não interrompa a passagem de água da chuva de sua divisa com o vizinho;

- Limpe calhas, telhados e evite goteiras. Chão e paredes com trincas indicam perigo de desabamento;

- Se o seu bairro corre perigo de alagamento, levante móveis e eletrodomésticos, deixando-os fora do alcance da água e da lama;

- Desligue aparelhos elétricos e eletrônicos, chave geral, válvula do botijão de gás e registro da entrada de água (cavalete)

- Caso a sua casa corra perigo de desabamento ou se você mora em áreas de risco, procure abrigo em locais seguros;

- Junte o lixo e leve para áreas apropriadas. Nunca jogue lixo nas ruas, encostas e rios.

Está chovendo

- Evite contato com a água da enxurrada e a lama. Elas estão contaminadas e podem causar doenças graves como febre tifóide, hepatite, leptospirose e cólera;

- Beba apenas água tratada (duas gotas de água sanitária para um litro de água). Se tiver febre, diarreia, dores musculares, dor de cabeça ou ferimentos, vá a Unidade de Saúde mais próxima;

- Não ande descalço em ruas alagadas. Não se arrisque na correnteza;

- Alagamentos escondem bueiros abertos e buraco, trazendo risco de acidentes. Evite caminhar em áreas desconhecidas;

-Nunca atravesse ruas alagadas, mesmo com carros ou bicicletas, pois a força da água pode arrastá-los;

Dirija devagar, fique longe do carro da frente e evite locais baixos, perto de rios ou córregos. Evite transpor pontes inundadas.

Fonte: Defesa Civil de Sabará

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