Mesmo apresentando um plano de emergência, comunidade do Pompéu exige que AngloGold Ashanti instale um sinal sonoro na região
Após a tragédia em Mariana, onde uma barragem da Samarco se rompeu, atingindo dois distritos da cidade, Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, municípios que convivem com mineradoras ficaram em alerta – e Sabará é uma deles.
De acordo com a Defesa Civil Municipal, são cinco as barragens instaladas aqui, entre elas está a da AngloGold Ashanti, construída na unidade Cuiabá-Lamego, que tem preocupado a comunidade do Pompéu. A barragem está a seis quilômetros do bairro e caso um acidente como o de Mariana aconteça a população do local será a mais atingida.
Para tranquilizar a comunidade a empresa se reuniu com os moradores do bairro na última quinta-feira, 19, para esclarecer várias dúvidas. O gerente de projetos e suporte operacional, Jeferson Soares, e o gerente de metalurgia, Alexandre Freitas, estiveram no encontro representando a AngloGold Ashanti.
Foram vários os questionamentos. O prefeito Diógenes Fantini compareceu à reunião e abriu a roda de perguntas, antes, porém, ressaltou que a Prefeitura de Sabará deu um atestado de conformidade às mineradoras que atuam na cidade, em relação à legislação local, mas toda e qualquer inspeção de barragem está vinculada a órgãos superiores.
O questionamento mais recorrente da população foi em relação à segurança. A preocupação da comunidade é sobre um plano de emergência caso haja o rompimento da barragem.
O gerente de projetos explicou que o plano de emergência vigente na empresa, em caso de acidentes, implica em informar imediatamente sobre o ocorrido a todos os órgãos de defesa do município, como Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Prefeitura e líderes comunitários.
Foi apresentado ainda à comunidade um equipamento de monitoramento online utilizado pela empresa. Esse equipamento é capaz de captar qualquer alteração que houver no nível do lençol freático, caso ocorra, imediatamente essa informação é transmitida para uma sala de controle que funciona 24 horas; todas as operações são paralisadas prontamente e entra em ação o plano emergencial, de acordo com o nível de atenção.
Embora já exista esse plano de emergência, após o acidente em Mariana, as pessoas estão mais preocupadas e por isso a população de Pompéu pediu para que a empresa instale de imediato uma sirene na região, já que a comunidade sofre com a dificuldade de comunicação, pois no local não funciona celular.
Jeferson Soares informou que a empresa está estudando melhorias para seu plano de ação emergencial de forma geral, e pontuou que mesmo que a sirene não seja uma exigência prevista em lei, a AngloGold também analisa instalar o equipamento. Mas apesar de todos os pedidos da comunidade em nenhum momento foi dada a garantia de que a Sirene será instalada na região.
Os representantes da empresa ressaltaram que o mais importante é o trabalho de monitoramento que é feito constantemente para prevenir os acidentes. Ainda segundo a companhia, diariamente uma equipe de inspeção verifica as condições de segurança e estabilidade do barramento. A avaliação inclui ainda o monitoramento do nível de água e do funcionamento do sistema de drenagem. A cada trimestre são efetuadas inspeções de segurança por auditor interno juntamente com a equipe operacional. Todo ano há ainda uma inspeção de auditores externos para conferir as condições de operação, além de quesitos de segurança. A mais recente ocorreu em maio deste ano.
Especialistas em barragem da matriz da empresa, na África do Sul, também visitam as estruturas do Brasil com o objetivo de verificar a segurança e a estabilidade, com base nas melhores práticas adotadas no mundo.
A barragem e os
danos ambientais
Os participantes da reunião também questionaram sobre o funcionamento da barragem e quais sãos os danos ambientais causados na região.
Os técnicos explicaram que atualmente a barragem passa por um alteamento, ou seja, uma obra realizada para elevar o maciço de contenção e aumentar o fator de segurança e a capacidade de disposição da barragem. Hoje a altura da barragem é de 75m e sua capacidade total é de 8,7 milhões de m³, no momento ela está com 7,1 milhões de m³ de rejeitos. A barragem foi construída em 2006 e atua desde 2007, ou seja, recebe pouco mais de 1 milhão de m³ de rejeitos anualmente. A área ocupada pela barragem é de 286 mil m². Os técnicos ressaltaram que a barragem Cuibá-Lamego é dez vezes menor que aquela que rompeu em Mariana.
Outra grande preocupação da comunidade é em relação a água utilizada pela empresa e a possível contaminação do manancial. A AngloGold respondeu que a água da barragem é proveniente do próprio tratamento do minério. Essa quantidade de água é circular, ou seja, ela é constantemente reutilizada no processo. Foi ressaltado ainda que quando a água é retirada do manancial, existe um percentual mínimo de retirada e o restante a empresa tem obrigação de deixar intacto para que não haja interferência na bacia hidrográfica e, segundo os representantes da empresa, a AngloGold cumpre o que está na lei. Destacou também que são feitos controles internos no manancial para que a água utilizada na barragem seja devolvida ao meio ambiente de forma adequada.
A comunidade ressaltou que as nascentes do Pompéu secaram e que a instalação da barragem poderia ter influenciado nesse ocorrido, mas os representantes informaram que este acontecimento não está relacionado com a atuação da companhia.
Os moradores apontaram ainda que a água do rio que passa no Pompéu fica turva, principalmente nos fins de semana e isso pode ser algum tipo de rejeito eliminado pela empresa. Nesse caso, eles informaram que é importante que a água seja analisada, mas o gerente de metalurgia, Alexandre Freitas, salientou que a qualidade da água e todo e qualquer efluente que saia da mina Cuiabá é monitorada e feita as analises. “Eu posso assegurar que todo o efluente que sai do complexo Cuiabá está dentro dos parâmetros da água. Os monitoramentos realizados são protocolados nos órgãos ambientais e estão disponíveis à população”, afirmou.
Questionado sobre o que ocorre quando os trabalhos de uma mina são finalizados, Jeferson Soares explicou que existe um plano de encerramento de barragem. “Quando a vida útil chega ao fim a lama não fica depositada no fundo, é feita uma drenagem de toda água para o material secar, depois, uma impermeabilização e a área é aproveitada para outro fim sendo entregue à população”, disse. Segundo o gerente, ela é reintegrada à comunidade, seja como uma área de proteção ambiental ou como uma praça de esportes, por exemplo.
Estreitando
relações
Os representantes da AngloGold Ashanti disseram que pretendem estreitar ainda mais a relação com a comunidade.
O coordenador de Defesa Civil do Município, tenente Marcelo Queiroz, afirmou que isso também é importante com os outros órgãos, principalmente com a Defesa Civil. Ele pediu para que o acesso às minas seja facilitado para que o órgão possa realizar seu trabalho principalmente no período chuvoso. O tenente afirmou que no ano passado foi à empresa para realizar inspeção e aguardou cerca de cinco horas para entrar no local. E nos últimos dias voltou à companhia e apesar de ser bem recebido também teve dificuldades para entrar na mina.
O coordenador informou ainda que um relatório esta sendo feito e será entregue à Companhia. No documento a Defesa Civil solicita que seja elaborado um plano de contingência – que é um plano abrangente para desastres - e envolve a comunidade toda. Neste relatório é solicitado também um treinamento de evacuação e a instalação do alarme sonoro. “No bairro só há uma passagem que é feita pela Ponte, se um dia a barragem da Anglo ceder a ponte será destruída e a população ficará ilhada. Então o plano deve contemplar tudo isso”, ressaltou.
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