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Ação do tempo e falta de manutenção deixam Igrejinha do Ó em situação lastimável

Ação do tempo e falta de manutenção deixam Igrejinha do Ó em situação lastimável

Por: Glaucia Melo Clark
20/10/2015 às 16h39
Ação do tempo e falta de manutenção deixam Igrejinha do Ó em situação lastimável

O Cartão postal de Sabará e Minas Gerais e uma das mais importantes obras do barroco do país está em risco. A Igreja Nossa Senhora do Ó, erguida no século XVIII, está em uma situação lamentável e por isso já foi parcialmente interditada pela Defesa Civil do Município.

De acordo com o coordenador da Defesa Civil, Tenente Marcelo Queiroz, os problemas mais graves estão no beiral do telhado, da lateral direita, que corre o risco de cair, por isso foi interditado. Já na parte interna, o maior problema está no piso, localizado no fundo da igreja e também do lado direito, o assoalho está afundando e as madeiras estão soltas. Ao pisar a impressão que se tem é que o piso afundará completamente. Para evitar acidentes essa parte também foi interditada, abrangendo quatro bancos da igreja. No local ainda é possível observar o afastamento entre a parede e o piso, aparecendo um buraco no roda pé.

Além disso, uma escada localizada na sacristia, que fica do lado esquerdo da igreja, também se encontra danificada. A escada que dá acesso ao púlpito sofreu um descolamento e está afastada da parede. Outro indício está mais à frente, quase próximo ao altar: o friso lateral da parede, do lado direito, está rente à fileira de bancos, enquanto do lado esquerdo está a cerca de 10 centímetros dos bancos.

Insetos também fizeram questão de atrapalhar a estrutura secular e a segurança do templo. Um formigueiro que se formou na sacristia já acabou com parte do piso em um dos cantos, e outros buracos são vistos através do assoalho. Além disso, um enxame de abelhas européias, localizada na parte externa da lateral esquerda da Igreja é outro fator que preocupa. Marcelo diz que a retirada desse enxame seria fácil se não se tratasse de um imóvel tombado, mas no caso da Igrejinha, a retirada só pode ser feita com o aval do IPHAN e a contribuição de seus técnicos. Por isso, o recomendável pela Defesa Civil é evitar aglomeração de público, já que há relatos de turistas que foram vítimas das abelhas.

Segundo tenente Marcelo, toda essa situação se deve à falta de manutenção. Em relação ao telhado e à parede, ele diz que pode ter sido uma infiltração que ocorreu e não foi verificado, sendo assim acabou apodrecendo a madeira.

O coordenador diz que uma vistoria foi feita há cerca de um ano, a pedido do Ministério Público, e o relatório foi enviado para o órgão. “Desde então a situação se agravou e nada foi feito, por isso foi necessário fazer a interdição”, afirmou.

Segundo uma moradora da região que não quis se identificar, é possível presenciar modificações a cada dia que passa, como madeiras soltas, barrote podre, pequenas lascas que saem e outras coisas. A moradora que é frequentadora assídua do local afirma que o grande problema é realmente a infiltração causada pela enxurrada da rua, logo, o ideal seria colocar canaletas na lateral, evitando que a água desça beirando o prédio. Além disso, ela afirma que uma restauração também é importante.

Visitando a igreja podemos perceber que as telas que revestem parte das paredes históricas estão escurecendo. Além disso, notamos que a iluminação é baixa e que uma pintura é necessária.

IPHAN

De acordo com o Instituto de Patrimônio Artístico e Cultural (IPHAN), a responsabilidade pela vistoria aos imóveis tombados é do órgão, que o faz de acordo com seu plano de fiscalização ou em necessidade de vistorias emergenciais. Embora nada impeça que o proprietário – no caso a Mitra Arquidiocesana de Belo Horizonte – como usuário do monumento verifique periodicamente a situação do bem e execute serviços pontuais de manutenção do imóvel.

Em resposta à Folha o IPHAN informou que todos os bens tombados pelo Instituto recebem vistorias regulares e o IPHAN acompanha a situação dos monumentos periodicamente. A última vistoria realizada na Igreja do Ó de foi realizada no dia 28 de novembro de 2014, onde foram avaliadas as condições relativas à segurança patrimonial do monumento onde foram atestados os danos citados. Foram vistoriadas as áreas interna e externa do monumento e todo sistema predial, contemplando instalações elétricas, sistema de proteção contra incêndio e pânico, sistema de proteção contra descargas atmosféricas, segurança contra intrusão e sistema de detecção de alarme e incêndio.

O IPHAN informou ainda que não há previsão de reforma ou restauração da igreja. Em 2001 o IPHAN realizou uma grande obra de restauro que contemplou todos elementos artístico móveis (como imagens, castiçais e objetos litúrgicos) e integrados (altares e foros) da igreja do Ó de Sabará. Em 2013 o projeto de prevenção de combate a incêndio e pânico da igreja foi revisto e readequado para melhor atender às normas de segurança.

O IPHAN ressaltou que trabalha em parceria com o proprietário do imóvel, o poder público municipal e estadual e a iniciativa privada a fim de buscar alternativas para a conservação do patrimônio cultural brasileiro. Neste sentido, o órgão está empenhado em unir esforços para conseguir recursos para a realização de eventuais obras emergenciais que se façam necessárias na igreja.

Durante está semana técnicos do IPHAN estão em Sabará fazendo uma vistoria na Igreja Nossa Senhora do Ó. A vistoria também está sendo feito em outros monumentos da cidade.

PAC das Cidades

Históricas

Para a Igreja Nossa Senhora do Ó ser restaurada seria necessário estar incluída na lista dos bens patrimoniais contemplados para receber recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas, mas segundo o IPHAN o imóvel não foi incluído, o que dificulta qualquer intervenção no momento.

Segundo o Instituto, essa lista é feita pelo próprio município, que a apresenta em um primeiro momento com várias indicações. O IPHAN então faz uma avaliação de recurso e passa novamente para a prefeitura, informando quais os recursos disponíveis. Em seguida, representantes dos dois órgãos se reúnem e juntos decidem quais são as prioridades. Nessa segunda etapa a Igrejinha do Ó que estava na primeira lista foi excluída.

Prefeitura

De acordo com a Gerência de Patrimônio da Secretaria de Cultura, a Igreja Nossa Senhora do Ó estava inserida dentro da lista de prioridades para as reformas do PAC Cidades Históricas, desde os primeiros contatos entre Prefeitura e IPHAN. Foi encaminhado também um laudo técnico feito pela Defesa Civil do município informando da necessidade da reforma. Porém, esta igreja não foi contemplada pelo PAC.

A Gerência de Patrimônio afirma que em 2014 foi enviado novamente um ofício solicitando soluções para a situação. Cabe ao IPHAN analisar o laudo e verificar o que pode ser feito na Igreja que está em estado crítico. A Secretaria ressalta que não é responsabilidade da Prefeitura a reforma deste patrimônio. O papel da Prefeitura é acionar o IPHAN e passar todos os dados técnicos, o que já foi feito.

A Prefeitura informa que os patrimônios inseridos para reformas do PAC são: Igreja São Francisco, Igreja Nossa Senhora do Rosário, Capela Nossa Senhora do Pilar, Capela Santo Antônio de Pompéu, Rua D. Pedro II, Solar Padre Correia, Teatro Municipal e Conselho de Arte.

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