Desde 2001 as quadras da Escola Estadual Dona Bilu Figueiredo estão sendo utilizadas no período diurnos e noturno pela Associação Esporte Clube Siderúrgica, projeto que não interferia nas atividades escolares, para a realização de práticas esportivas, futebol, vôlei e basquete.
No início era praticado apenas o futebol, com o crescimento do projeto, o espaço passou a ser utilizado também para a prática do basquete e recentemente foi iniciada a prática do vôlei. Atualmente, as atividades contam com quase 100 alunos com idades variadas entre 05 e 21 anos. As aulas eram abertas à comunidade e gratuitas, os pais apenas doavam uma quantia, caso pudessem, para a manutenção dos materiais esportivos.
Os monitores voluntários, responsáveis pelas aulas não têm nenhum vínculo com a escola, apenas utilizavam o espaço cedido.
Tudo estava correndo bem, mas no início deste mês a direção da escola decidiu suspender a realização do projeto.
Os pais dos alunos estão indignados com a suspensão das aulas, já que era uma forma de deixar os filhos entretidos e incentivá-los na prática de esportes.
A Folha de Sabará entrou em contato com a direção da escola que não quis nos receber.
Em nota, a Secretaria de Estado de Educação (SEE), nos respondeu que a decisão de suspender as aulas foi uma sugestão da própria SEE à direção da Escola.
A Secretaria informou que toda escola estadual é um espaço público e pode ser utilizado para atividades programadas voltadas para a comunidade, em horários alternativos às aulas regulares, desde que não envolva comercialização de nenhuma natureza. Nesse sentido, uma equipe da Superintendência Regional de Ensino (SRE) Metropolitana A, responsável pela coordenação da Escola Estadual Dona Bilu Figueiredo, esteve na escola recentemente para apurar denúncias em relação à venda de uniformes para um projeto esportivo desenvolvido na quadra da unidade por pessoas da comunidade.
Diante da situação, a SRE orientou a direção da escola a suspender as atividades e reunir o colegiado para analisar a situação junto aos representantes da comunidade escolar.
A Secretaria de Educação informou ainda que após a definição do colegiado e a regularização das pendências necessárias, a SRE está disposta a receber os coordenadores do projeto para que se discuta a possível retomada das atividades.
Siderúrgica
O representante do Siderúrgica, Valdir Natalício, informou que a entidade não tem fins lucrativos e cumpriu o caminho da lei para solicitar a cessão do espaço físico da escola. Ele afirma respeitar a decisão em suspender o projeto e acredita que o problema será solucionado com competência pela direção da Escola, Secretaria de Educação e pelo colegiado, confiando no retorno das atividades esportivas e nas boas relações, compromissos e parceria existente.
O representante diz ainda que a entidade sempre ocupou o espaço ordeiramente e que a direção da escola nunca reclamou da ocupação, pois sempre zelou pelo o ambiente o mantendo limpo e seguro.
Ele explica que a situação ganhou tal amplitude quando a monitora responsável pelo vôlei, Andrea Dias, resolveu pedir como forma de doação uma quantia para a manutenção dos equipamentos esportivos utilizados durante as aulas. Os pais concordaram em contribuir e por isso ficaram surpresos com a suspensão das atividades. Valdir ressalta ainda que o pedido de doação aconteceu devido a realidade vivida em Sabará em relação à prática de esportes que sofre com a falta de apoio e parceiros.
Andréa explica que o dinheiro que seria arrecadado também seria utilizado na compra de uniformes para os alunos, solicitação feita pelos pais.
Ela diz que está sem saber que fazer e confessa que ficou triste com a suspensão, pois em apenas dois meses já havia percebido evolução em muitos alunos. “Tenho alunos que são hiperativos, que as mães falaram que eles não paravam, não conseguiam concentrar e nem tinham disciplina, com o vôlei eles já estavam mais disciplinados”, conta. Além disso, a monitora diz que alguns adolescentes por estarem em uma fase complicada e com os hormônios “a flor da pele” o esporte contribui para liberar a energia, “ tem meninas lá que só queriam saber de namorar, elas são muito novas para isso e com o vôlei, elas tiram o foco dessa questão”, diz. Para finalizar, Andréa ressalta que infelizmente em Sabará não tem muitas opções para jovens e adolescentes, não existe apoio e incentivo para o esporte. “O que a meninada vai fazer, se não tem opção. Vai ficar na vagabundagem, usar droga, infelizmente aqui não tem nada para oferecer. Essa era uma opção”, lamenta.
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