A mais tradicional escola de Sabará comemorou na última segunda-feira, 22, 108 anos. Em mais de um século de educação a Escola Estadual Paula Rocha formou boa parte da população sabarense, passando por seus bancos pessoas que ajudaram a construir a história de nossa cidade.
Atualmente, a escola vive uma triste realidade. Há quase três anos seus alunos estão divididos entre as Escolas Estaduais Castelo Branco e Professor Zoroastro Viana Passos. O prédio do Paula Rocha foi interditado para reforma e restauração, só que até o momento nenhuma obra foi iniciada. Enquanto isso o que vemos na edificação quase centenária é um estágio completo de abandono, muito mato, sujeira e paredes deterioradas pela ação do tempo.
Por isso, as comemorações pelo aniversário serviram para chamar a atenção da sociedade e dos órgãos competentes sobre a situação vivida por alunos e professores nas atuais instalações e principalmente para acelerar o processo de reforma e restauração da escola.
A “festa” aconteceu na parte da manhã e na parte da tarde, reunindo todos os alunos e professores. Um grande e delicioso bolo foi colocado na porta da Escola, teve música, balões e apresentação de textos em homenagem à E. E. Paula Rocha. Alunos e professores tomaram a Praça Melo Viana com cartazes que mostravam a importância da escola e pediam celeridade no processo.
Todos os estudantes, até mesmo aqueles que não chegaram a estudar no antigo prédio, desejam que a escola seja reformada o mais breve possível, como é o caso dos meninos do 3º ano. Luiz Fernando Souza, 10 anos, diz que embora nunca tenha entrado no prédio original, pretende estudar no local; da mesma turma, Robert Gabriel Antunes, 8, agradece ao Castelo Branco por estar emprestando a Escola, mas também gostaria de estudar no prédio que será reformado.
Se os alunos que nunca entraram no prédio já têm o desejo de estudar no local, para aqueles que começaram ali, o sentimento é ainda mais forte. Michael Gabriel Jacinto, 11, 4º ano, diz que é muito melhor estudar no prédio original, apesar do Castelo Branco ser bom. Já Caíque Soares Ferreira, 10, que está no 4º ano, afirma que a mudança foi muito ruim, pois afinal, o Paula Rocha é sua escola verdadeira.
As alunas do 8º ano também reclamam da situação. Vitória Gabriela Matos, 13 anos, diz que estuda na escola desde o 1º ano, para ela é uma vergonha os alunos ficarem há tanto tempo em outras instituições, pela reforma não ter sequer começado. Para a aluna essa demora se deve a questões políticas. Ana Luiza Nunes de Miranda, 13, que também estudou no prédio original, afirma que a situação é uma total falta de respeito com os alunos. Júlia Gabriela Almeida, também de 13 anos, diz que é muito ruim estar em outra escola, pois parece que estão invadindo o espaço deles.
Ao fim das comemorações, a diretora da escola, Fátima Regina da Silva, disse que ficou feliz com o evento, que apesar de simples, serviu para dar o recado. Ela afirmou que o importante é que todos os alunos já entenderam a importância da instituição e já desenvolveram um sentimento pela escola, “eu vejo isso como uma valorização do patrimônio, que precisa ser preservada”, disse.
E quando começará a obra?
A diretora da escola afirma que acredita na reforma/restauração, mas esses eventos são fundamentais para mostrar a importância de acelerar o processo.
Na última semana, representantes do Governo Estadual e da empresa responsável pelo projeto estiveram no prédio.
Henrique Coutinho, arquiteto do DEOP – Departamento de Obras Públicas do Estado -, órgão responsável pelo projeto e pela obra da escola, afirma que os projetos do Estado, em geral, foram paralisados em novembro de 2014, devido à mudança de Governo. No decorrer do ano, eles estão sendo retomados, de acordo com as prioridades estipuladas pelo Governo. Segundo Henrique, a reforma do Paula Rocha dificilmente será eliminada da lista de prioridades, pois além da importância, já existe um projeto praticamente pronto.
De acordo com Fátima, após a aprovação do projeto pela Prefeitura, ele será encaminhado para a Secretaria de Estado de Educação que será a responsável pela liberação da verba, sendo liberado, abre o processo de licitação para a escolha da empresa que ficará responsável pela obra.
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