Audiência reúne comunidade, comerciantes, empresários, Polícias Civil e Militar e Poderes Legislativo e Executivo
A Comissão de Direitos Humanos e Defesa Social da Câmara Municipal realizou, no último dia 10 de junho, no Clube Cravo Vermelho, Audiência Pública para tratar da segurança do município. Presidida pela vereadora Terezinha van Stralen, a Comissão é composta pelos vereadores Hamilton Alves e Welington Duarte.
Terezinha van Stralen ressaltou que a segurança pública tem preocupado muito a sociedade sabarense, principalmente nos últimos meses em que tem ocorrido uma série de roubos e assaltos na cidade, deixando a comunidade muito vulnerável. A vereadora explicou que o objetivo da audiência, requerida pelo vereador Maurílio Barbosa, foi reunir autoridades do município e do Estado, empresários e comunidade em geral para discutir e propor soluções para tornar Sabará uma cidade mais segura.
Terezinha destacou que o alto índice de criminalidade na cidade não é uma situação nova, pois já em 2009, Sabará aparecia com o maior índice da região metropolitana, atualmente a situação permanece. A vereadora ressaltou ainda que com a transformação da 15ª Companhia da Polícia Militar em 61º Batalhão a cidade ganhou em segurança, mas os problemas continuam. Além disso, citou ações sociais preventivas que foram implantadas que também não foram suficientes.
Os representantes da segurança pública foram os mais questionados. Da Polícia Militar, esteve presente o sub-comandante capitão Mauro Almeida de Castro, representando o tenente-coronel Mauro Lúcio, comandante da 61º Batalhão de Polícia Militar de Sabará. O capitão afirmou que atualmente a Polícia Militar, mesmo tendo sido elevada a Batalhão, conta com 361 homens, para cobrir não só Sabará, mas também Nova União, Caeté e Taquaraçu de Minas. O sub-comandante ressaltou que o trabalho de segurança pública se faz com a contribuição de todos, por isso é importante a participação da sociedade. Ele destacou que eventos com a participação de membros da sociedade civil é fundamental, pediu para que todos se empenhem, façam denúncias, para que assim haja mais segurança.
O delegado Regional da Polícia Civil de Sabará, Dr. Wagner da Conceição, apresentou a atual estrutura da Polícia Civil na cidade que é composta por 11 delegados, 12 escrivães e 38 investigadores, destacando que o número não é suficiente, seria necessário pelo menos mais 41 investigadores. Apesar disso, o delegado ressaltou que em comparação com o ano de 2011, em 2014 teve um aumento de mais de 100% de conclusão de inquéritos.
Em entrevista à Folha o delegado também destacou a importância da participação da população nas investigações. Ele afirmou que por muitas vezes as próprias vítimas não contam algumas informações o que dificulta as investigações.
O secretário de Desenvolvimento Econômico, Clever Pinto Costa, representando o Poder Executivo Municipal, muito questionado sobre o sistema Olho Vivo, lembrou que a estrutura foi licitada no governo anterior, com recursos do governo do Estado e uma pequena parcela do município, mas não entrou em funcionamento naquela ocasião. Ele afirmou que atualmente a estrutura está montada, mas não esclareceu se o sistema está funcionando em sua totalidade.
Representando a Coordenadoria de Prevenção à Criminalidade do Estado, Talles Andrade de Souza, falou que para pensarmos em segurança pública é importante focarmos também em direitos sociais, pois é a melhor forma de prevenir a criminalidade. Ele afirmou que lamentavelmente os programas “Fica Vivo” e o “Intermediação de Conflitos” desde novembro de 2014, foram retirados do bairro Nossa Senhora de Fátima, mas salientou que o atual governo do Estado já está fazendo ajustes internos e a seleção de novos parceiros para que os programas sejam reativados em Sabará.
O coronel Maurício Santos, representando o secretário de Estado de Defesa Social, Bernardo Santana de Vasconcellos, afirmou que Sabará pode contar com a Secretaria e ressaltou que as polícias estão trabalhando muito, pois sofrem com uma enorme defasagem, mas ressaltou que apesar disso a polícia tem prendido muito, atualmente são 66 mil presos no Estado. O coronel destacou que para que haja uma mudança na segurança pública é preciso que outros atores da sociedade participem do sistema, não só a justiça.
A população sabarense e os comerciantes tiveram uma forte presença na audiência. Entre diversas demandas apresentadas foram solicitados mais Investimento e valorização da Guarda Civil Municipal, utilização das câmeras de vídeo e monitoramento e a implantação de novas políticas públicas, além de maior presença da Polícia Militar nas ruas, principalmente nas madrugadas dos finais de semana, quando ocorre o maior índice de roubos e violência na cidade.
Além das pessoas já citadas, o evento contou com a presença de Anderson Gersen Pinto Coelho, representando o empresariado sabarense, Cláudia Cristina Gonçalves Soares, diretora da Escola Estadual Maria Florípes, representando a sociedade civil e João de Deus Moreira, representando a Secretaria Municipal de Defesa Social, que compuseram a mesa principal.
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