A“Achatinafulica” mais conhecida como caramujo africano sempre foi um problema para Sabará. Há algum tempo o molusco é encontrado em vários bairros da cidade e traz muita preocupação para população.
A história do caramujo africano no Brasil começa provavelmente em 1989 quando foi introduzido, clandestinamente no país com a finalidade de substituir o “escargot” (Helix aspersa), molusco utilizado na alta culinária. O caramujo teria como vantagens o tamanho corporal avantajado, rapidez de reprodução e desenvolvimento. Cursos sobre o manejo deste molusco foram oferecidos a diversos interessados, em vários municípios brasileiros, sendo vendidos “kits” contendo caixas apropriadas para manutenção e matrizes. A ausência de mercado e o desleixo dos criadores levaram a fuga de exemplares na natureza que hoje podem ser encontrados em quase todo o território brasileiro. Este caramujo se tornou uma praga, comprometendo o meio ambiente.
O pesquisador titular do Centro de Pesquisas René Rachou/Fundação Oswaldo Cruz, Omar dos Santos Carvalho, em entrevista concedia para a Folha no início de 2014 em relação ao tema, explicou que o grande problema deste molusco para a saúde pública é que ele é hospedeiro intermediário de uma doença, muito comum na Ásia e África, denominada meningoencefaliteeosinofílica, causada por um parasita chamado Angiostrongyluscantonensis. Este parasita, originalmente tem o seu ciclo entre caramujos terrestres e roedores. O homem participa do ciclo da doença como hospedeiro acidental. Isto quer dizer que no homem o parasita não completa o ciclo, morrendo nos pulmões. Entretanto, até chegar aos pulmões o parasita passa pelas meninges causando um quadro de meningite.
O controle de Zoonose do município informa que o trabalho de combate ao molusco é constante. Atualmente as regiões onde apresentam a maior incidência do molusco são em áreas que apresentam muito acumulo de lixo, principalmente material orgânico, e em beira de rios. A zoonose informa que os bairros Siderúrgica e Centro, na rua Pereira Vieira e arredores foram encontrados um alto numero da espécie, mas já foram realizados nessas áreas o trabalho de combate o Pompéu ainda é um local de preocupação, pois moradores ainda reclamam da infestação dos caramujos.
A Prefeitura de Sabará divulgou nota informando que o Centro de Controle de Zoonoses através dos agentes de combate a endemias realizam as seguintes medidas de controle:
• Identificação dos locais com alta incidência do caramujo africano.
• Realização de campanhas educativas, através de palestras nas escolas, postos de saúde.
• Ocorrendo o molusco, é realizado visita dos agentes de combate a endemias nos locais. Os agentes realizam coletas dos caramujos e ovos manualmente, utilizando uma luva de borracha ou similar ou mesmo uma pá e coloca-os em sacos plásticos dentro de um recipiente adequado.
• Em casos de infestação é utilizado moluscicidas, sendo que após a morte desses caracóis é realizado nova visita dos agentes e então remoção das carcaças e avaliação do local em busca de novos exemplares vivos. A retiradas das carcaças também é importante, pois pode servir de recipiente para acúmulo de água e se tornar propício para a proliferação do aedes aegypti, o mosquito da dengue.
• São organizadas ações para eliminar locais de ocorrência do animal como lixos dos quintais e lotes baldios.
A Prefeitura afirma que é importante a colaboração de todos e orienta a população:
• Evitar contato direto com o caramujo, deve-se manusear a molusco com as mãos protegidas por luvas ou sacolas plásticas, coletar os animais e colocá-los em saco plástico resistente. Jogar sal ou cal dentro do saco contendo os caramujos, esmagar os caramujos que estão no saco, vedar o saco e colocar os sacos nas lixeiras para o recolhimento pelo sistema de limpeza urbana em horários bem próximos aos da coleta.
• Não jogar os caramujos vivos no lixo.
• Remover as conchas dos animais mortos.
• Não usar sal para controlar os caramujos, para evitar a salinização do solo, destruindo o gramado e as plantas.
• Lavar bem verduras, legumes, frutas e deixá-los descansar em solução de água sanitária por 15 a 30 minutos (uma colher de sopa de água sanitária para cada litro de água). Enxaguar antes de consumir.
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