
Sobre o rio Sabará, a charmosa ponte metálica François Peffer, popularmente conhecida como ponte do Siderúrgica, tem um significado importante e sua construção está inteiramente ligada à história do Clube Siderúrgica. A ponte foi construída em 1934 por um engenheiro europeu chamado François Peffer, a estrutura em ferro fundido e concreto custou na época 32:000$000 (trinta e dois contos de reis).
Devido ao seu valor histórico e cultural, a diretoria do Esporte Clube Siderúrgica vai encaminhar ao Conselho do Patrimônio Cultural de Sabará a solicitação de tombamento da ponte. O pedido ainda não foi feito, pois a diretoria está reunindo material para fazer a justificativa de tombamento.
Para o presidente do clube, Amilton das Neves Armelão Jácome Rosa, o tombamento da ponte significa a conservação de um bem de grande significado para a cidade. “Ela foi construída pelo Esporte Clube Siderúrgica, passaram grandes estrelas do futebol mineiro e essa ponte tem incontáveis casos de aventuras e desventuras, quando por ali passavam torcidas adversárias do Siderúrgica, além de ser de grande beleza”, explicou.
Outro motivo para tombamento, segundo Amilton, “é garantir a conservação da estrutura. A ponte se encontra em estado deteriorado em função da ação dos anos e por causa das enchentes”.
Como tudo começou: a origem do Clube e da ponte
Em 31 de maio de 1930, um grupo de funcionários da Companhia Siderúrgica Belgo Mineira fundou um clube de desportos terrestres denominado “SPORT CLUB SIDERÚRGICA”. O paulista, nascido em Campinas, o senhor Felício Roberto, foi escolhido como primeiro presidente do clube nomeando uma comissão que ficou responsável pelo recebimento do terreno do Recreio Club Siderúrgica, que detinha sua posse. O espaço, em frente a usina, foi cedido pela Câmara que, naquela época, fazia o papel de Prefeitura Municipal.
A comissão tinha como objetivo organizar o novo clube e administrar as obras, dimensionar o campo já existente e suas regras, construir arquibancadas, muros, sanitários, comprar objetos esportivos e até plantar árvores. Além de construir uma ponte metálica sobre o rio Sabará sob o comandado de um engenheiro europeu chamado François Peffer. Através de arrecadação de fundos, mensalidades, cotização e de uma generosa doação de 50:000$000 (cinqüenta contos de reis) pelo doutor Louis Jacques Ensch, então, diretor geral da Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira foi erguida uma praça de esportes que passou a se chamar “Estádio da Praia do Ó”.
Em 26 de agosto de 1934, em uma cerimônia solene e com a presença de personalidades vindas até de outras cidades e a comunidade, inaugurava o estádio e a ponte que leva o mesmo nome de seu idealizador, uma justa homenagem para quem contribuiu muito para o projeto.
Após a bênção da ponte e seguindo a programação do evento social-esportivo houve a apresentação de banda, desfile de agremiações de Sabará, dos atletas do Siderúrgica, do espetáculo das senhorias do Clube Cravo Vermelho, Clube das Moreninhas e Chrysanthemo.
Para fechar este grande dia, os jogadores do Siderúrgica e Villa Nova (Nova Lima) entraram em campo para uma partida inaugural. Em casa, o “Esquadrão do Aço” venceu o Villa por 3x2.
Os “sururus” sobre o rio Sabará
Nove meses depois da inauguração, o estádio e a ponte foram palcos de um espetacular “sururu” esportivo. Quem contou esta história é o vice-presidente do Clube, Alexandre Gustavo Sanches. “Era domingo à tarde, 02 de junho de 1935, o fato foi manchete no jornal Estado de Minas daquela época, com o título: O Palestra abatido na Praia do Ó.
O encontro foi entre o Siderúrgica e o Palestra Itália (hoje, Cruzeiro) pelo retorno do Campeonato Mineiro de Profissionais de 1935. Após o final da partida ocorreu um interessante e vergonhoso espetáculo. Teve início com uma agressão ao diretor do Palestra, João Felippe Peixoto, seguiu com uma briga entre diretores, depois, dentro de campo entre jogadores, e fora entre associados e torcedores dos dois clubes numa tremenda pancadaria, no qual os visitantes agredidos e feridos foram socorridos no pronto-socorro da capital mineira. A ponte “FRANÇOIS PEFFER” era o único acesso de entrada e saída do Estádio que sofreu com a debandada briga. Uma chacina na ponte, com vários indivíduos atirados nas águas do rio Sabará. Em campo, o Esquadrão de Aço levou a melhor dando uma pancada histórica no Palestra Itália, vencendo por 7 x 5”.
Alexandre contou também que após vários anos a ponte François Peffer se tornou palco de diversos acontecimentos, muitas brigas, vários tumultos. “Era comum inclusive entre os torcedores do Siderúrgica e do Villa Nova, que saíam de Nova Lima inflamados para um novo sururu. Um verdadeiro e emocionante clássico do futebol mineiro”.
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