O avanço de medicações como a semaglutida e a tirzepatida mudou o cenário do tratamento da obesidade nos últimos anos. Embora os estudos apontem resultados relevantes na redução de peso, especialistas alertam que o uso desses fármacos deve ocorrer com indicação, avaliação clínica e acompanhamento nutricional.
Em ensaio clínico publicado no New England Journal of Medicine, a semaglutida 2,4 mg, associada à intervenção no estilo de vida, foi relacionada à redução significativa de peso em adultos com sobrepeso ou obesidade. Já a tirzepatida, avaliada em estudo de 72 semanas também publicado no NEJM, demonstrou perda de peso sustentada em participantes com obesidade ou sobrepeso.
Para o médico Gustavo Darezzo, o crescimento do interesse por essas medicações exige uma discussão mais cuidadosa. "São moléculas importantes e com evidência científica, mas não devem ser vistas como solução isolada. O tratamento precisa considerar composição corporal, ingestão proteica, função metabólica, exames laboratoriais, suplementação de vitaminas e minerais, e o risco individual de cada paciente", afirma.
Outro ponto de atenção é a perda de massa magra durante o emagrecimento. Uma revisão sistemática publicada em 2024 aponta que, embora a semaglutida tenha potencial para reduzir peso principalmente por perda de gordura, existem preocupações sobre reduções de massa magra em alguns contextos. Por isso, acompanhamento nutricional, ingestão adequada de proteína e exercício resistido costumam ser considerados partes relevantes da estratégia terapêutica.
O Dr. Gustavo Darezzo pontua que o problema não está apenas no medicamento, mas no uso sem critério. "Quando o paciente reduz muito a alimentação, não bate proteína, não treina e não é monitorado, ele pode perder peso na balança, mas também perder músculo, energia e saúde metabólica. O objetivo não deve ser apenas emagrecer, mas preservar função, força e qualidade de vida", explica.
O médico também chama atenção para sinais como queda de cabelo, unhas frágeis, cansaço persistente, constipação, náuseas intensas e reganho de peso após a interrupção do tratamento. Esses sintomas, segundo ele, podem indicar que a estratégia foi conduzida sem suporte adequado ou sem ajustes individualizados.
A orientação é que o tratamento da obesidade seja conduzido de forma integrada. Isso inclui avaliação médica, plano alimentar, acompanhamento da composição corporal, investigação de deficiências nutricionais, prática de atividade física e revisão periódica da dose, quando o medicamento for indicado.
Para o Dr. Gustavo Darezzo, a chegada de novas moléculas representa um avanço, mas também exige responsabilidade. "A medicina ganhou ferramentas potentes para tratar a obesidade. O desafio agora é usar essas ferramentas com segurança, ciência e acompanhamento adequado", conclui.
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