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Sabará se despede de Djair Fabrício do Vale, goleiro campeão mineiro do Siderúrgica

Ídolo do Esquadrão de Aço, Djair foi um dos maiores nomes do futebol sabarense e herói do título mineiro de 1964

05/01/2026 17h31 Atualizada há 6 meses atrás
Por: Glaucia Melo Clark Fonte: FOLHA DE SABARÁ
Sabará se despede de Djair Fabrício do Vale, goleiro campeão mineiro do Siderúrgica

Faleceu no dia 5 de janeiro, aos 87 anos, Djair Fabrício do Vale, goleiro histórico do Siderúrgica, campeão mineiro de 1964 e um dos maiores símbolos do lendário Esquadrão de Aço. Com sua partida, Sabará se despede não apenas de um atleta vitorioso, mas de um homem cuja trajetória marcou de forma definitiva uma das páginas mais importantes do futebol mineiro. Djair deixa a esposa e cinco filhos.

Nascido em 20 de outubro de 1938, na cidade de Três Rios (RJ), Djair chegou a Sabará movido pelo futebol — e foi aqui que construiu sua trajetória pessoal e profissional. Apesar da estatura considerada baixa para a posição, compensava com reflexos rápidos, inteligência, coragem e personalidade. No gol, transmitia segurança. Fora dele, era reconhecido pela humildade, disciplina e respeito.

Djair defendeu o Siderúrgica entre 1957 e 1968, período que coincide com o auge do clube. Ao lado de nomes como o atacante Silvestre, formou a base de um time que encantou Minas Gerais e enfrentou grandes clubes do futebol brasileiro, inclusive em competições nacionais como a Taça Brasil.

Em entrevista concedida à Folha de Sabará, Djair relembrou com carinho sua caminhada.
“Sou de Três Rios, jogava no Flamengo, depois no Vasco, e me trouxeram para cá. Primeiro servi o Exército, depois comecei a jogar no Siderúrgica e a trabalhar na Belgo. Todos os jogadores eram funcionários. A gente ganhava dois salários: como atleta e como trabalhador”, contou.

A passagem pela Belgo-Mineira foi curta, mas significativa. Foi ali que Djair aprendeu mecânica e elétrica no Senai, conhecimentos que mais tarde lhe garantiram emprego na Prefeitura de Sabará. Já a relação com o Siderúrgica foi profunda e duradoura: 11 anos de dedicação total.
“Eles não me vendiam. O Atlético fez propostas, mas o presidente dizia: ‘Ele carrega o nome da Belgo no peito’”, lembrava com orgulho.

 

O título mineiro de 1964 representou o ponto mais alto da carreira. Para Djair, havia um responsável direto por aquela conquista: o técnico Yustrich.
“Ele chegou dizendo que não aceitava segundo lugar. Mudou tudo: a filosofia, a preparação, a mentalidade. Em 1964, não trabalhávamos mais fora, só treinávamos e jogávamos. Isso foi fundamental”, recordava.

A comemoração da conquista virou folclore. A promessa era de quatro bois para o churrasco e uma cota de ferro para cada jogador.
“O boi, se não morreu de velho, está lá até hoje. A cota de ferro deve estar enferrujada”, dizia, sempre com bom humor.

Mesmo em idade avançada, Djair mantinha viva a memória daquele momento.
“Tenho dois aniversários. Um no dia em que nasci. Outro no dia da conquista”, dizia emocionado. Para ele, Sabará não foi apenas cenário, mas casa, pertencimento e reconhecimento.

Ao recordar o passado, Djair também deixava uma reflexão sincera:
“Foi uma época muito boa. Pena que deixaram o time morrer. Mas a vida é assim”.


Alexandre Sanches lamenta a perda

A Folha de Sabará conversou com Alexandre Sanches, presidente do Esporte Clube Siderúrgica, que falou com emoção sobre a morte de Djair Fabrício do Vale e a dimensão da perda para o futebol mineiro e para a cidade.

Segundo Alexandre, Djair foi um dos melhores goleiros da história do futebol mineiro, superando qualquer limitação física com talento, coragem e personalidade.


“Com apenas 1,68m de altura, Djair quebrou padrões e se tornou referência na posição. Ele mostrou que grandeza no futebol não se mede em centímetros, mas em dedicação e caráter”, afirmou.

O presidente destacou ainda que Djair sempre reconheceu a importância do técnico Yustrich em sua trajetória. Em diversas entrevistas, o goleiro fazia questão de citar o treinador como alguém que acreditou, orientou e esteve ao seu lado nos momentos decisivos.
“Djair dizia que Yustrich foi fundamental para que ele se tornasse o goleiro que foi. Um profissional exigente, mas que sabia valorizar e confiar”, relembrou.

Alexandre Sanches lamentou a perda não apenas do atleta histórico, mas do homem que conheceu fora das quatro linhas.
“Na condição de presidente do Esporte Clube Siderúrgica, estou profundamente sentido. Não conheci Djair como jogador, mas como um ser humano excepcional: atencioso, humilde e de caráter irrepreensível. Perdemos um amigo”, declarou.

Ele ressaltou que a dor é coletiva.
“Nossa diretoria, conselheiros, torcedores, os atletas que hoje defendem as cores do Siderúrgica, a comissão técnica e, principalmente, seus companheiros de equipe estão abalados. O Esquadrão de Aço se despede de um grande goleiro e de um ídolo da torcida”, concluiu.


Hoje, a Folha de Sabará registra esta homenagem não apenas ao goleiro campeão, mas ao homem simples, trabalhador e vencedor.
Djair Fabrício do Vale ajudou a levar o nome de Sabará ao ponto mais alto do futebol mineiro com orgulho, esforço e dignidade.

Sua história permanece viva na memória do clube, da torcida e da cidade que ele escolheu para chamar de lar.

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