Quando a cidade precisa se despedir de um sabarense, não se despede apenas de uma pessoa — despede-se de um capítulo vivo da própria história. E quando esse adeus é a um atleta como Zélio Geraldo Ferreira, o que se impõe não é apenas o luto, mas a reverência. Registrar sua trajetória nas páginas do jornal impresso é mais do que um dever profissional: é um gesto de gratidão, respeito e memória. Essa é a missão da Folha de Sabará, o único jornal da cidade — preservar para sempre as histórias de quem ajudou a construir a alma do nosso povo.
O esporte sabarense e mineiro perdeu um de seus maiores nomes. É preciso dizer com todas as letras: Zélio foi um atleta completo. Poucos tiveram a capacidade — e a coragem — de transitar com excelência por tantas modalidades. Voleibol, basquetebol, futebol de salão, futebol de campo (do amador ao profissional), tênis de campo e tênis de mesa. Onde havia esporte, havia Zélio. Onde havia disputa, havia talento. Onde havia bola, havia genialidade.
Zélio faleceu no dia 28 de novembro, aos 85 anos, após complicações decorrentes de cirurgia e hemorragia. Mas sua história não se encerra ali. Ela segue viva em cada quadra, em cada campo, em cada atleta que aprendeu, se inspirou ou simplesmente o viu jogar.
Era um craque. Firme, habilidoso, competitivo — “maldoso”, como dizem no esporte, no melhor sentido da palavra. Com a bola nos pés ou nas mãos, era um verdadeiro gênio. Jogava com inteligência, raça e uma leitura de jogo rara, daquelas que não se aprendem: nascem com o atleta.
Arrimo de família desde muito jovem, Zélio perdeu os pais cedo e encontrou no esporte não apenas um caminho, mas um propósito. Membro de uma tradicional família sabarense, os Evangelistas, nasceu e viveu na Vila Santa Cruz, berço de grandes talentos esportivos. Irmãs, tios, primos — muitos deles também se consagraram como atletas, quase sempre defendendo com orgulho o Esporte Clube Siderúrgica, instituição que se confunde com a própria história esportiva de Sabará.
Em 1963, veio um dos grandes momentos de sua carreira: o título de Campeão Mineiro do Interior de Futebol de Salão, conquistado em uma vitória memorável por 4 a 3 sobre o Villa Nova, de Nova Lima. Zélio também foi um dos pioneiros e responsáveis diretos pela construção do Ginásio Poliesportivo do Esporte Clube Siderúrgica, obra idealizada pelo siderurgicano Mário Del Rio, que impulsionou, fortaleceu e projetou ainda mais o esporte sabarense.

No futebol de campo, Zélio iniciou sua trajetória nas categorias de base do Esporte Clube Siderúrgica. No amador, vestiu também as camisas do Comercial, Farol e Santa Cruz. Chegou ao profissionalismo no início dos anos 1960. À época, a maioria dos atletas conciliava o futebol com o trabalho na Usina Belgo Mineira — e com Zélio não foi diferente. Funcionário dedicado, iniciou sua carreira muito jovem na empresa, onde chegou a supervisionar a mecânica, dividindo a rotina entre o trabalho e os gramados.
Quando convidado pelo lendário técnico Iustrich, o “Xerife”, para integrar o elenco profissional que conquistaria o bicampeonato mineiro de 1964, Zélio fez uma escolha que revela sua grandeza como homem: optou por permanecer na usina, priorizando a estabilidade, o compromisso profissional e a responsabilidade com a família.
Essa decisão, no entanto, não marcou um afastamento do esporte. Em 1966, pelo Campeonato Mineiro, Zélio atuou pela última equipe do Esporte Clube Siderúrgica, em um momento profundamente simbólico: foi a despedida do clube enquanto ainda contava com o apoio financeiro da Belgo Mineira. Um capítulo final que representou não apenas o encerramento de uma campanha esportiva, mas o fim de uma era histórica do futebol sabarense.

Mesmo após encerrar sua trajetória como jogador, Zélio jamais se afastou do esporte. Mudou de lado, mas não de paixão. Tornou-se professor de tênis de campo, uma de suas grandes habilidades, dedicando-se a ensinar crianças, jovens e adultos no Clube Albert Scharle, onde formou atletas e, principalmente, cidadãos, mantendo viva a chama do esporte como ferramenta de transformação.
Seu primo, o ex-atleta Vitor Hugo Evangelista, o Zú, resumiu em palavras o sentimento de toda uma cidade. Em homenagem publicada nas redes sociais, declarou:
“Reverencio você, primo Zélio Geraldo Ferreira. Você foi completo enquanto competiu. Sem dúvida alguma, o maior campeão que Sabará já produziu.”
Hoje, Sabará se curva em respeito. O esporte silencia por um instante, mas a história continua ecoando em cada lembrança, em cada fotografia, em cada relato emocionado.
Obrigado, Zélio.
Seu nome está eternamente gravado na memória da cidade, nas páginas da Folha de Sabará e no coração de todos que amam o esporte sabarense..
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