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Justiça AUDIÊNCIA PÚBLICA

Audiência pública expõe falhas graves da Copasa e aumenta pressão por medidas contra a concessionária em Sabará

Moradores relatam falta de água, esgoto a céu aberto e cobranças indevidas; encontro na Câmara pode resultar em Inquérito Civil e ações judiciais

26/12/2025 14h57
Por: Glaucia Melo Clark Fonte: FOLHA DE SABARÁ
Audiência pública expõe falhas graves da Copasa e aumenta pressão por medidas contra a concessionária em Sabará

A precariedade dos serviços prestados pela Copasa em Sabará foi amplamente exposta durante audiência pública realizada no dia 2 de dezembro, na Praça de Esportes. O encontro, proposto pelo vereador Thiago Rodrigues, foi a primeira audiência dedicada exclusivamente à atuação da concessionária no município e teve como objetivo central ouvir a população e cobrar respostas para problemas que se arrastam há anos sem solução efetiva.
Moradores de diversos bairros relataram situações consideradas inaceitáveis: falta frequente de água, esgoto a céu aberto, transbordamentos em períodos de chuva, ruas danificadas após obras mal executadas e cobranças abusivas — especialmente da taxa de esgoto. Segundo os relatos, em muitos pontos o esgoto sequer recebe tratamento adequado e é despejado diretamente em córregos e rios da cidade.

PRESENÇAS OFICIAIS

A audiência contou com representantes da Copasa, do Executivo municipal e de parte do Legislativo. Estiveram presentes os vereadores Hamilton Alves, Maiara Alves, Roberto do Bar, Paulinho Guerra e o presidente da Câmara, Bulu da Mercearia, além do vice-prefeito Bulim Guerra, que representou o prefeito Sargento Rodolfo. O chefe do Executivo justificou a ausência por compromisso previamente agendado e usou as redes sociais para incentivar a participação popular no debate.

MINISTÉRIO PÚBLICO

O Ministério Público de Minas Gerais foi oficialmente convidado. Conforme informado pela Câmara, o convite foi protocolado, mas não houve retorno nem participação no dia do encontro, o que gerou questionamentos da comunidade. Para prestar esclarecimentos, a Folha de Sabará entrou em contato com o MPMG, que informou que a data da audiência não foi previamente agendada com a promotora de Justiça Dra. Flávia Araújo. Na ocasião, ela atuava presencialmente na comarca de Contagem, o que inviabilizou a presença em Sabará no horário marcado. A promotora pediu desculpas por eventual falha na resposta ao convite e afirmou que costuma justificar formalmente as ausências.
Questionada sobre como o Ministério Público pode atuar diante das denúncias envolvendo falhas na prestação de serviços essenciais, cobranças indevidas e possíveis danos ambientais, o MPMG explicou que as atribuições de Defesa da Saúde, Meio Ambiente e Habitação e Urbanismo não são de titularidade da promotora que respondeu à reportagem. Sua atuação relacionada à Copasa se dá na área de Defesa do Consumidor. Segundo o órgão, todas as demandas encaminhadas à Promotoria são analisadas e, quando cabível, solucionadas após a intervenção ministerial. Atualmente, há um procedimento em tramitação para apurar má prestação de serviço da Copasa no bairro Roça Grande.
Sobre providências de curto prazo e a viabilidade jurídica de medidas como suspensão da taxa de esgoto, devolução de valores cobrados indevidamente, aplicação de multas e ajuizamento de Ação Civil Pública, o MPMG esclareceu que, no âmbito da Defesa do Consumidor, as demandas devem ser formalizadas junto à Promotoria de Justiça — presencialmente, de segunda a sexta-feira, das 13h às 17h, ou pelo e-mail:  [email protected] — para análise e eventual adoção das medidas cabíveis.
A ausência de outros vereadores também foi alvo de críticas dos moradores, que apontaram falta de comprometimento com as demandas da comunidade. Ao abrir os trabalhos, o vereador Thiago Rodrigues afirmou que a situação chegou ao limite. “Tarifas abusivas, falta de água, esgoto a céu aberto e serviços mal executados não podem continuar. Se for preciso, vamos judicializar para garantir os direitos da população e a reparação dos danos”, declarou, ressaltando o contraste entre o faturamento da concessionária e a realidade enfrentada pelos sabarenses.
Os relatos da população foram contundentes. Uma moradora da Avenida Cardoso de Menezes afirmou que, após intervenções da Copasa, sua residência passou a receber esgoto dentro de casa. Outros participantes denunciaram, falta de abastecimento de água, buracos deixados nas vias, mau cheiro constante, riscos à saúde e prejuízos materiais.
O vice-prefeito Bulim Guerra também criticou a concessionária, afirmando que, apesar de inúmeras reclamações e pedidos formais ao longo dos anos, não há percepção de melhorias. Segundo ele, a Copasa está entre as empresas mais reclamadas do município, enquanto as contas de água chegam regularmente às residências, muitas vezes antes do fim do mês.
A postura da Copasa durante a audiência foi considerada insatisfatória por grande parte do público. Embora os representantes tenham se colocado à disposição para analisar casos pontuais, faltaram respostas objetivas, prazos e soluções estruturais. A ausência de diretores ou da presidência da empresa reforçou a percepção de distanciamento da realidade local.

PRESSÃO FINAL

Ao final do encontro, o ex-vice-prefeito e ex-vereador Ricardo Antunes apresentou proposta de instauração de um Inquérito Civil para apurar a atuação da Copasa em Sabará. Segundo ele, desde 2013 a concessionária teria arrecadado mais de R$ 1 bilhão apenas com a taxa de esgoto, sem entregar a infraestrutura prometida. Entre as medidas defendidas estão a suspensão imediata da cobrança, a devolução de valores cobrados indevidamente, a aplicação de multas e, se necessário, o ajuizamento de Ação Civil Pública.
A audiência terminou sem soluções imediatas, mas deixou claro o nível de insatisfação da comunidade e a disposição de parte do poder público em endurecer a fiscalização. Para os moradores, o recado é direto: não há mais espaço para promessas, enquanto a população segue sofrendo com serviços precários e falta de respeito.

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