A precariedade dos serviços prestados pela Copasa em Sabará foi amplamente exposta durante audiência pública realizada no dia 2 de dezembro, na Praça de Esportes. O encontro, proposto pelo vereador Thiago Rodrigues, foi a primeira audiência dedicada exclusivamente à atuação da concessionária no município e teve como objetivo central ouvir a população e cobrar respostas para problemas que se arrastam há anos sem solução efetiva.
Moradores de diversos bairros relataram situações consideradas inaceitáveis: falta frequente de água, esgoto a céu aberto, transbordamentos em períodos de chuva, ruas danificadas após obras mal executadas e cobranças abusivas — especialmente da taxa de esgoto. Segundo os relatos, em muitos pontos o esgoto sequer recebe tratamento adequado e é despejado diretamente em córregos e rios da cidade.
PRESENÇAS OFICIAIS
A audiência contou com representantes da Copasa, do Executivo municipal e de parte do Legislativo. Estiveram presentes os vereadores Hamilton Alves, Maiara Alves, Roberto do Bar, Paulinho Guerra e o presidente da Câmara, Bulu da Mercearia, além do vice-prefeito Bulim Guerra, que representou o prefeito Sargento Rodolfo. O chefe do Executivo justificou a ausência por compromisso previamente agendado e usou as redes sociais para incentivar a participação popular no debate.
MINISTÉRIO PÚBLICO
O Ministério Público de Minas Gerais foi oficialmente convidado. Conforme informado pela Câmara, o convite foi protocolado, mas não houve retorno nem participação no dia do encontro, o que gerou questionamentos da comunidade. Para prestar esclarecimentos, a Folha de Sabará entrou em contato com o MPMG, que informou que a data da audiência não foi previamente agendada com a promotora de Justiça Dra. Flávia Araújo. Na ocasião, ela atuava presencialmente na comarca de Contagem, o que inviabilizou a presença em Sabará no horário marcado. A promotora pediu desculpas por eventual falha na resposta ao convite e afirmou que costuma justificar formalmente as ausências.
Questionada sobre como o Ministério Público pode atuar diante das denúncias envolvendo falhas na prestação de serviços essenciais, cobranças indevidas e possíveis danos ambientais, o MPMG explicou que as atribuições de Defesa da Saúde, Meio Ambiente e Habitação e Urbanismo não são de titularidade da promotora que respondeu à reportagem. Sua atuação relacionada à Copasa se dá na área de Defesa do Consumidor. Segundo o órgão, todas as demandas encaminhadas à Promotoria são analisadas e, quando cabível, solucionadas após a intervenção ministerial. Atualmente, há um procedimento em tramitação para apurar má prestação de serviço da Copasa no bairro Roça Grande.
Sobre providências de curto prazo e a viabilidade jurídica de medidas como suspensão da taxa de esgoto, devolução de valores cobrados indevidamente, aplicação de multas e ajuizamento de Ação Civil Pública, o MPMG esclareceu que, no âmbito da Defesa do Consumidor, as demandas devem ser formalizadas junto à Promotoria de Justiça — presencialmente, de segunda a sexta-feira, das 13h às 17h, ou pelo e-mail: [email protected] — para análise e eventual adoção das medidas cabíveis.
A ausência de outros vereadores também foi alvo de críticas dos moradores, que apontaram falta de comprometimento com as demandas da comunidade. Ao abrir os trabalhos, o vereador Thiago Rodrigues afirmou que a situação chegou ao limite. “Tarifas abusivas, falta de água, esgoto a céu aberto e serviços mal executados não podem continuar. Se for preciso, vamos judicializar para garantir os direitos da população e a reparação dos danos”, declarou, ressaltando o contraste entre o faturamento da concessionária e a realidade enfrentada pelos sabarenses.
Os relatos da população foram contundentes. Uma moradora da Avenida Cardoso de Menezes afirmou que, após intervenções da Copasa, sua residência passou a receber esgoto dentro de casa. Outros participantes denunciaram, falta de abastecimento de água, buracos deixados nas vias, mau cheiro constante, riscos à saúde e prejuízos materiais.
O vice-prefeito Bulim Guerra também criticou a concessionária, afirmando que, apesar de inúmeras reclamações e pedidos formais ao longo dos anos, não há percepção de melhorias. Segundo ele, a Copasa está entre as empresas mais reclamadas do município, enquanto as contas de água chegam regularmente às residências, muitas vezes antes do fim do mês.
A postura da Copasa durante a audiência foi considerada insatisfatória por grande parte do público. Embora os representantes tenham se colocado à disposição para analisar casos pontuais, faltaram respostas objetivas, prazos e soluções estruturais. A ausência de diretores ou da presidência da empresa reforçou a percepção de distanciamento da realidade local.
PRESSÃO FINAL
Ao final do encontro, o ex-vice-prefeito e ex-vereador Ricardo Antunes apresentou proposta de instauração de um Inquérito Civil para apurar a atuação da Copasa em Sabará. Segundo ele, desde 2013 a concessionária teria arrecadado mais de R$ 1 bilhão apenas com a taxa de esgoto, sem entregar a infraestrutura prometida. Entre as medidas defendidas estão a suspensão imediata da cobrança, a devolução de valores cobrados indevidamente, a aplicação de multas e, se necessário, o ajuizamento de Ação Civil Pública.
A audiência terminou sem soluções imediatas, mas deixou claro o nível de insatisfação da comunidade e a disposição de parte do poder público em endurecer a fiscalização. Para os moradores, o recado é direto: não há mais espaço para promessas, enquanto a população segue sofrendo com serviços precários e falta de respeito.





Justiça Gonet diz que não vê falta grave no caso da arma de Bolsonaro
Justiça Moraes pede parecer da PGR sobre apreensão de arma de Bolsonaro
Justiça Supremo Tribunal Federal adia julgamento sobre uberização
Justiça Defesa de Bolsonaro pede a Moraes que prorrogue prisão domiciliar
Justiça Justiça afasta presidente do Vasco do Conselho de Administração da SAF
Justiça Supremo retoma julgamento sobre uberização Mín. 16° Máx. 26°
Mín. 15° Máx. 25°
Tempo nubladoMín. 15° Máx. 26°
Tempo limpo
CONVERSA DE ESQUINA Ser ou não ser?
COLUNA MG Forrageiras mostram alto desempenho no semiárido
SANDERS ROCHA Concessionária de energia pode adentrar no imóvel para realizar o corte sem o morador no local?
DIEGO LEONEL A Importância da Certificação Pró-Gestão para os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) 
