As estudantes Luísa Silveira e Clariana Ribeiro chegaram juntas ao local onde farão o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), em Brasília. No primeiro dia de provas, as adolescentes preferiram não arriscar e já estavam na porta da Universidade do Distrito Federal (UDF) faltando quase duas horas para a abertura dos portões.
Luísa tem 17 anos e cursa o 2º ano do ensino médio. Vai fazer a prova como treineira e sonha com uma vaga na área de saúde - medicina ou enfermagem . Semanas antes, a jovem precisou ficar 45 dias internada em razão de uma pneumonia. Chegou a desistir do Enem, mas, ao receber alta alguns dias antes, decidiu que faria o exame.
“Já tinha até ligado pro Inep [Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira] pra não sair como faltante. Tinha desistido. Parei de estudar porque não tinha previsão de alta. Mas saí do hospital dia 3 e minha expectativa é fazer pra valer. Estudei muito.”
A amiga Clariana tem 18 anos e cursa o 3º ano do ensino médio. A jovem deixou pai, mãe, irmão, avós e padrinhos em Vitória da Conquista (BA) para estudar em Brasília.
“ Minha expectativa é passar. Estou tranquila. Me preparei muito este ano. Estudei muito. Quero dar orgulho pra minha família que ficou na Bahia”.
A jovem veio para a capital federal em fevereiro, quando passou a morar com os tios por parte de pai.
“Vim sozinha. Não conhecia nada nem ninguém. Deixei toda a minha família pra estudar. Quero cursar medicina. Tinha medo de me atrasar e essa é a prova da minha vida. Não tem como perder o Enem. Por isso, saímos de casa às 10h.”
O estudante Kernus Aleksander Marques, 18 anos, cursa o 3º ano do ensino médio e também optou por chegar com um pouco de antecedência. Ele busca uma vaga no curso de ciência da computação. “Minha expectativa, tanto pra esse dia quanto para o segundo, é que seja tranquilo. Estou bem preparado. Sem pressão”.
Sobre a rotina de estudo, Kernus conta que o próprio colégio onde estuda mantém um esquema de treinamento para a prova, mas que ele ia além.
“À tarde, aproveitava pra pegar os conteúdos e estudar mais um pouco, dar uma revisada. Também já fiz o Enem como treineiro e aproveitei essas provas do ano passado. Por dia, estudei umas quatro horas, desde abril.”
No mesmo local onde os estudantes aguardam a abertura dos portões, o grupo Legião de Maria, da Paróquia Nossa Senhora das Dores, no Cruzeiro Velho, montou um cantinho para atender os alunos que farão a prova. Acompanhados apenas de uma imagem de Nossa Senhora das Graças sobre uma mesa com um forro branco, eles oferecem benção e orações aos alunos.
“Todo ano, já há quatro ou cinco anos, quando tem Enem, a gente monta o altar e oferece orações. O pessoal passa por aqui e pede oração. Convidamos pra rezar uma Ave Maria com a gente. Pra tentar acalmar o coração mesmo. E pedir que Deus os ilumine com sabedoria para que possam ir bem na prova”, explicou o economista Leandro Corder, 40 anos, que integra o grupo.
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