A megaoperação realizada nesta terça-feira (28) nos Complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, já é considerada uma das mais letais da história do estado. A ação, que integra a Operação Contenção, resultou em 64 mortes — sendo 60 criminosos, dois policiais civis e dois policiais militares do BOPE — além de pelo menos 81 presos até o momento.
A ofensiva mobilizou 2.500 agentes, com apoio de helicópteros, blindados e veículos táticos. Em resposta, criminosos utilizaram fuzis e drones equipados com explosivos, evidenciando o grau de estrutura e poderio bélico das facções que atuam na região.
A Secretaria de Estado de Polícia Militar confirmou as mortes dos sargentos Cleiton Serafim Gonçalves, 42 anos, e Heber Carvalho da Fonseca, 39 anos. Ambos eram integrantes do BOPE e foram atingidos durante confrontos na operação.
Sargento Cleiton Serafim Gonçalves
Sargento Heber Carvalho da Fonseca
Os militares chegaram a ser socorridos ao Hospital Getúlio Vargas, mas não resistiram.
Em nota, a Polícia Civil lamentou as mortes dos quatro agentes — incluindo Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho e Rodrigo Velloso Cabral — e classificou os ataques como “covardes”.
“A perda dos nossos heróis é irreparável. Os ataques covardes contra nossos agentes não ficarão impunes”, disse a corporação.
Segundo a Polícia Civil, a Operação Contenção foi planejada ao longo de mais de um ano de investigação, com mandados expedidos para capturar lideranças do Comando Vermelho e frear a expansão territorial da facção.
A ação envolve forças integradas das polícias Civil e Militar, além do Ministério Público. Estão sendo utilizados:
2 helicópteros
32 blindados terrestres
12 veículos de demolição
Drones e tecnologias de rastreamento
Equipes especializadas da CORE, PM e DRE
“Quem exerce o poder é o Estado. Os verdadeiros donos desses territórios são os cidadãos de bem”, afirmou o governador Cláudio Castro.
Durante coletiva, o governador Cláudio Castro (PL) criticou o governo federal, afirmando que o Rio pediu apoio das Forças Armadas em três ocasiões e teve todos negados.
“Não temos ajuda das forças federais. É o Rio de Janeiro sozinho contra o crime organizado”, disse Castro, afirmando que o pedido incluía blindados e apoio logístico.
“É muito fácil criticar, mas a realidade é essa: estamos sozinhos.”
A operação continua, e novas ações podem ser realizadas nos próximos dias. Moradores relatam bloqueios e dificuldade de circulação. A sociedade espera que agentes possam atuar sem novamente serem recebidos com tiros de fuzil e ataques com explosivos, cenário recorrente em operações no Rio.
A ação reacende o debate sobre o avanço do crime organizado, o uso de tecnologia bélica por facções e a necessidade de políticas conjuntas entre governos para restabelecer a segurança pública.
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