Este mês de outubro marca a estreia do filme documental Vozes da Tradição Kalunga: A Folia de Santana. A sessão de lançamento ocorreu no sábado (04/10), em Cavalcante (GO), na Casa Memória da Mulher Kalunga. O curta-metragem, dirigido por Marta Faria da Silva — conhecida como Marta Kalunga — retrata com profundidade e sensibilidade a tradicional celebração religiosa da comunidade quilombola local, considerada um dos mais importantes patrimônios imateriais da região.
Com cerca de 20 minutos de duração e classificação livre, o documentário é resultado de um intenso processo de imersão no cotidiano da comunidade. “Este filme é uma forma de valorizar nossas raízes e garantir que as futuras gerações não apenas conheçam, mas se reconheçam nessa tradição. Registramos momentos de fé, de devoção e também de alegria e união — elementos que tornam a Folia de Nossa Senhora Santana um símbolo vivo da nossa cultura”, afirmou Marta Kalunga, que também assina o roteiro do filme.
A diretora destacou ainda a participação ativa de mulheres, homens e crianças nas filmagens, que acompanharam o chamado Giro da Folia — percurso realizado de casa em casa com cânticos, rezas e pousos. “A tradição só permanece viva porque todos se envolvem. É uma prática coletiva, comunitária. E foi muito importante registrar essa força para inspirar ainda mais os jovens e fortalecer nossa identidade como povo.”
Do ponto de vista técnico, o filme contou com direção de fotografia de Caio Mesquita, que ressaltou a busca por uma abordagem estética fiel e respeitosa. “Nosso cuidado foi mostrar a beleza da fé e da tradição Kalunga com autenticidade. Houve muita escuta, muito respeito — tanto nos momentos de silêncio quanto nos de música e festa. Cada cena foi construída para que a própria comunidade pudesse se ver representada e para que o público externo compreendesse a profundidade desse patrimônio”, declarou Mesquita.
Além da estreia em Cavalcante, a obra terá uma circulação estratégica. Segundo o produtor executivo Inã Zoé, o filme será exibido em escolas públicas do município e em entidades parceiras da Casa Memória da Mulher Kalunga. “Já recebemos convites para exibições durante o Mês da Consciência Negra, em novembro, o que reforça o papel educativo e transformador do projeto. Também pretendemos inscrevê-lo em festivais audiovisuais e circuitos de cinema comunitário pelo país”, afirmou.
Com ações complementares como oficinas de audiovisual para jovens e mulheres Kalunga e uma exposição fotográfica derivada do processo de filmagem, o projeto busca não apenas registrar a Folia de Santana, mas contribuir ativamente para sua continuidade. O projeto foi realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, operacionalizada pelo Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura.
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