A literatura contemporânea ganha novo fôlego com o lançamento de "(In)certeza", segunda obra da jovem poeta carioca Gabriela Zimmer. Com 20 anos e trajetória já reconhecida em premiações nacionais e internacionais, a autora aprofunda, neste novo livro, uma poética marcada pela reflexão sobre transformações, deslocamentos e o amadurecimento emocional.
Organizada em cinco blocos — Depósito, Singular-Plural, Mudança, Meio do Caminho e Reticências —, a coletânea reúne poemas curtos e experimentais. Versos em português e inglês alternam-se para retratar simultaneamente afetos e deslocamentos geográficos, traçando um panorama da juventude imersa em dúvidas identitárias, afetivas e sociais. O título, entre parênteses e com duplo sentido, já antecipa o jogo entre estabilidade e transitoriedade que guia a obra.
Cada seção inicia com uma "Overture", elemento que remete à linguagem musical — recurso recorrente em toda a produção da autora, que também atua como compositora. "O livro incorpora musicalidade e ruptura como formas de traduzir conflitos em tempos de excesso de informação e instabilidade", analisa a autora.
Gabriela Zimmer é estudante de Comunicação na Universidade de Amsterdã (Holanda), com passagens por publicações literárias e atuação como articulista da ZOO Magazine. Em 2020, foi vencedora do Concurso Ferreira de Castro (Portugal), com o conto "A Cronista", e, em 2022, recebeu o Scheffelpreis da Sociedade Literária de Karlsruhe, na Alemanha.
O novo título sucede "Para Nunca se Sentir Só", coletânea escrita durante a pandemia e centrada na experiência da solidão. Agora, em "(In)certeza", a poeta investe na temática das mudanças e das escolhas, refletindo o processo de amadurecimento e a efemeridade dos sentimentos em uma sociedade marcada pela ansiedade e pela fluidez.
Na nova obra estão poemas como "Receita da Vovó", que mescla linguagem afetiva e humor sutil ao tematizar memória e tempo, e "Inércia", que simboliza o peso físico e emocional de estados depressivos. Em "Amsterdam", cidade onde a autora atualmente reside, os versos abordam o impacto do exílio afetivo, enquanto "Carcará" conecta o sertão nordestino à urbanidade paulistana em um fluxo de imagens críticas e poéticas.
A edição é assinada pelas Edições Cândido e conta com ilustrações de Duda Thomé e fotografias de Casper van Leent. Com uma linguagem que flutua entre o lírico e o existencial, "(In)certeza" se propõe a reafirmar a importância da poesia como ferramenta de autoconhecimento e expressão coletiva, sobretudo entre jovens em processo de formação identitária e cultural.
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