Escolas mais protegidas e penas mais duras são temas que se destacam entre os projetos de segurança pública que avançaram no Senado no primeiro semestre. É o caso da lei que aumenta a punição para crimes cometidos dentro de escolas ( Lei 15.159 ), aprovada pelos senadores em junho e sancionada pelo governo federal em julho.
No caso de homicídio, por exemplo, a pena — que normalmente varia de 6 a 20 anos de prisão — passa a ser de 12 a 30 anos quando o crime ocorre na escola. Para os casos de lesão corporal dolosa (quando há intenção), a pena será aumentada de um terço a dois terços se o crime ocorrer na escola.
A norma se originou do Projeto de Lei (PL) 3.613/2023 , apresentado pelo Poder Executivo e relatado na Comissão de Segurança Pública (CSP) pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES).
A CSP aprovou 38 proposições legislativas até julho de 2025, dos quais quase um terço trata de proteção a escolas, endurecimento de penas ou criação de novos crimes. O colegiado é presidido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Já o PL 2.036/2023 aumenta de um terço até a metade a pena para roubo no ambiente escolar, que hoje é de quatro a 10 anos de prisão. Para a importunação sexual em ambiente escolar ou transporte coletivo, a prisão pode ser de dois a seis anos, em vez da previsão geral de um a cinco anos.
Além disso, o projeto cria a Política Nacional de Segurança Escolar e o Conselho Nacional de Segurança Escolar. O conselho promoverá encontros nacionais anuais para padronização da política voltada à segurança escolar. No Brasil, o ensino básico é gerido pelos estados e municípios.
O projeto aguarda análise na Comissão de Educação (CE), que também debaterá os seguintes textos aprovados na CSP em 2025:
Além do aspecto penal, os senadores aprovaram, no primeiro semestre, diversos outros projetos relacionados à segurança de crianças e adolescentes.
Em 2025, a CSP aprovou que a pena mínima para o crime de estelionato deve dobrar, passando de um para dois anos de prisão ( PL 898/2024 ). O relatório é do senador Esperidião Amin (PP-SC). Agora, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) deve analisar o texto.
O crime de estelionato acontece quando o autor utiliza meios enganosos ou fraudulentos para induzir alguém ao erro, a fim de obter benefícios próprios. É o que ocorre com fraudes bancárias, por exemplo.
A CCJ também analisará outros três projetos que tornam mais rígidas as condenações para os seguintes crimes:
Já em Plenário, os senadores aprovaram, em maio, que guardas municipais e agentes de trânsito estejam entre os órgãos de segurança pública previstos na Constituição ( PEC 37/2022 ). O texto foi apresentado originalmente pelo senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB). Agora, a Câmara dos Deputados analisará a proposta.
A mudança deve valorizar as carreiras e trazer mais investimento na segurança pública, segundo os senadores apontaram na sessão que aprovou a proposta .
A CSP também aprovou projetos para bloquear celulares roubados a partir de boletim de ocorrência ( PL 6.043/2023 ), e explicitar no Código Penal que o uso de força letal para repelir invasão de residência é legítima defesa, assim como o uso de cães de guarda e armadilhas no imóvel ( PL 748/2024 ).
A proteção às mulheres também foi um dos temas principais na produção legislativa do primeiro semestre. Veja aqui os principais projetos de lei sobre o tema .
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