Pacientes que receberam transplantes de órgãos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Rio de Janeiro foram infectados por HIV. A Secretaria de Estado de Saúde (SES) confirmou a situação, classificando o caso como “sem precedentes e inadmissível”. Até o momento, foram identificados dois doadores e seis receptores contaminados com o vírus.
Além da SES, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) iniciou uma sindicância para identificar e responsabilizar os envolvidos. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e a Polícia Civil também abriram inquéritos para investigar o ocorrido.
O Ministério da Saúde destacou que o Sistema Nacional de Transplantes é reconhecido internacionalmente por sua transparência e segurança, reiterando que normas rigorosas são aplicadas para proteger doadores e receptores. O órgão também anunciou uma auditoria urgente para avaliar o sistema de transplantes no estado.
Laboratório Privado Sob Investigação
As infecções foram associadas a testes realizados pelo laboratório privado PCS, contratado pela Fundação Saúde para o programa de transplantes do estado. Segundo a SES, o serviço do laboratório foi suspenso assim que o problema foi identificado, e o PCS foi interditado cautelarmente. A partir de então, os exames passaram a ser realizados pelo Hemorio.
A SES está reavaliando todas as amostras de sangue armazenadas desde dezembro de 2023, período em que o laboratório atuava na rede pública. Também foi formada uma comissão multidisciplinar para acompanhar e acolher os pacientes afetados.
O Cremerj classificou a situação como gravíssima. “Falhas desse tipo são inaceitáveis. Garantir a segurança dos pacientes é fundamental para o bom exercício da medicina no estado”, declarou o presidente do Cremerj, Walter Palis, por meio de nota.
Investigação e suporte aos Pacientes
O MPRJ instaurou um inquérito civil, que tramita sob sigilo, para investigar o caso e se colocou à disposição para ouvir as famílias e prestar atendimento individualizado. A Polícia Civil já iniciou uma investigação para apurar eventuais irregularidades.
O laboratório PCS afirmou que também abriu uma sindicância interna e declarou que presta serviços desde 1969 sem precedentes dessa natureza. A empresa informou que seguirá colaborando com as autoridades e oferecerá suporte médico e psicológico às pessoas afetadas. Em nota, garantiu que utilizou kits de diagnóstico recomendados pelo Ministério da Saúde e pela Anvisa durante o período em que operou o serviço.
“Informamos todos os exames realizados à Central Estadual de Transplantes e reforçamos nosso compromisso com a transparência e segurança dos procedimentos”, declarou o laboratório.
Transparência e Confiança no Sistema de Transplantes
O Sistema Nacional de Transplantes, mantido majoritariamente pelo SUS, é responsável por cerca de 88% dos transplantes no Brasil e já salvou mais de 16 mil vidas desde 2006. O governo do Rio de Janeiro e o Ministério da Saúde reforçaram que todas as medidas necessárias estão sendo adotadas para garantir a segurança e a confiança na rede de transplantes.
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