Questões ligadas à saúde e à economia ocupam os primeiros índices de preocupação do brasileiro, com quase 70% de citações da pesquisa do DataSenado O cidadão e o Senado Federal: opiniões sobre sociedade, economia e democracia. De acordo com o levantamento, a insatisfação quanto à qualidade de vida aumentou consideravelmente durante a pandemia. Para 44% dos entrevistados, a qualidade de vida própria e da família piorou nos últimos seis meses; para 38% permaneceu igual; e para 18% melhorou. São índices superiores aos de 2019, quando a pesquisa foi feita pela última vez. Na ocasião, a vida, nos últimos 6 meses, havia melhorado para 31%, e piorado para 27%.
A saúde é vista como o principal problema do país por 45% dos entrevistados — aumento de 17 pontos percentuais em relação a 2019. O desemprego é a maior preocupação para 15%, e o custo de vida, para 12%. A corrupção é o maior problema brasileiro para 11% das pessoas; a insegurança pública, para 7%; e a má qualidade educacional, para 6%.
Veja outros pontos da pesquisa:
À despeito do aumento da insatisfação com a vida e com o próprio funcionamento da democracia brasileira, o apoio ao regime democrático aumentou no Brasil. A democracia é vista como a melhor forma de governo por 64% das pessoas, contra 58% em 2019. Ainda assim, 59% dizem estar hoje pouco satisfeitos com os resultados obtidos pela democracia brasileira, 29% se definem como nada satisfeitos e só 11% se dizem muito satisfeitos.
Para 66% dos entrevistados, o Senado e a Câmara dos Deputados cumprem um papel relevante no regime democrático brasileiro. Índice superior ao de 2016, quando a pergunta foi feita pela última vez, e o Parlamento foi valorizado por 57% das pessoas.
O papel de fiscalização do Parlamento, em relação do governo federal, tem apoio ainda maior. Para 69%, o Senado e a Câmara são muito importantes para fiscalizar o governo. Apenas 18% acham que o Parlamento é pouco importante nesta função e 11% avaliam como nada importante.
Mais da metade dos brasileiros hoje tem interesse alto ou médio por política. 37% dizem ter interesse médio no tema, e 17% se veem como altamente interessados em política. O índice de 17% também é o dos que se avaliam como tendo interesse baixo por política e 28% dizem não ter nenhum interesse. Um total de 29% dos entrevistados diz acompanhar com muita frequência as votações do Senado.
Em relação às posições políticas, 50% disseram não ter uma preferência pré-definida, 20% se qualificaram como sendo de direita, 15% de esquerda e 11% de centro.
Nas eleições municipais do ano passado, o DataSenado descobriu que o critério que mais pesou na hora de votar foi “cuidar bem da cidade”. Aspectos ideológicos ou questões como combate à corrupção ou renovação política tiveram peso menor. A ordem foi: cuidar bem da cidade (32%), renovar a política (19%), combater a pandemia (15%), combater a corrupção (14%), experiência política (6%) e afinidade ideológica (3%).
A maior parte da população brasileira apoia o papel do Estado no combate à pobreza. Para 60%, o governo deve definir uma política permanente de transferência de renda aos mais pobres, enquanto 34% apoiam políticas como essa apenas em situações de crise. Só 4% disseram que não deve haver nenhuma política de transferência de renda.
Para 67% dos entrevistados pelo DataSenado, o sistema de urnas eletrônicas adotado no processo eleitoral é confiável; 67% disseram não confiar no sistema.
Segundo 52% dos entrevistados, na hora de votar leis, os políticos não devem considerar as tradições religiosas, enquanto que, para 45%, essas tradições devem ser levadas em conta.
Para 68%, facilitar a posse de armas não melhora o sistema de segurança pública brasileiro. Mas para 31%, a medida pode sim melhorar a segurança pública no Brasil.
A adoção da pena de morte no Brasil recebeu apoio de 51% , e 46% disseram ser contra.
Cotas para negros nas universidades têm apoio de 53%; 43% discordam.
Aborto não é aceito por 52%; 46% apoiam.
Para 78% dos entrevistados, no Brasil há preconceito contra homossexuais, enquanto 20% acreditam que o preconceito não existe.
O uso da maconha com fins medicinais tem muito mais apoio (71%) do que oposição (27%). Já a legalização com fins recreativos não: a maioria discorda (77% contra 20%).
Dos entrevistados pelo DataSenado, 70% avaliam que o patrimônio ambiental e ecológico brasileiro não vem sendo bem preservado. Enquanto 29% avaliam que essa política vem sim produzindo resultados efetivos. Mas de forma geral, para 90% dos entrevistados, as questões ligadas às mudanças climáticas devem ser tratadas seriamente pelo Estado brasileiro. Só 9% dos entrevistados acreditam que este problema não deve ser uma prioridade.
O Instituto DataSenado entrevistou 3 mil brasileiros, entre os dias 19 e 26 de janeiro, numa nova rodada de pesquisa sobre os principais temas em debate na sociedade brasileira. A metodologia do DataSenado é baseada em padrões da American Association for Public Opinion Research (Aapor), que determina critérios científicos, socioeconômicos e éticos de pesquisas de opinião pública nos EUA, com índice de confiança de 95%.
A pesquisa foi feita por telefones fixos e móveis para todas as regiões do país, segundo a porcentagem populacional de cada estado e do Distrito Federal.
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