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Cultura CONVERSA DE ESQUINA

Quem não “cola” não sai da escola

*por Professor Luiz Alves

28/01/2021 16h56 Atualizada há 5 anos atrás
Por: Glaucia Melo Clark

Aposentado de meus 40 anos de salas de aula (céus!), faço um balanço sobre o que ensinamos, eu e meus colegas, ao longo de nosso tempo como educadores. Educadores? Chego à conclusão de que educamos muito pouco. Antes de empurrar gramatiquices, raízes quadradíssimas, louvores a heróis duvidosos, datas, mapas e fórmulas, deveríamos, antes de tudo isso, inculcar na mente dos alunos valores éticos. E nisso falhamos, caso contrário a “cola”, apenas citando um exemplo, não existiria. Fiz o ensino médio em uma escola - um seminário - em que essa malfadada prática passava ao largo. O professor, no caso um padre, estava ciente de que nós sabíamos muito bem o quanto errado seria o uso de ação tão indigna. Já nos haviam ensinado. Na época dos exames, recebíamos a prova e o seguinte aviso: - Podem responder quando e onde quiserem. Assim que terminarem, deixem ainda hoje o material em cima desta mesa que virei recolhê-lo no fim da tarde. E pronto! Íamos para a biblioteca, para a sala de estudos, para o pomar, para o campo de futebol e, sozinhos!, cumpríamos a tarefa. Nem pensar em “colar” de um colega, de anotações ou de livros. Você sabia ou não sabia. Vez por outra, ouvia-se: 

- Você fez a última questão? É a mais difícil. Eu já consegui resolvê-la. - Ainda estou pelejando, respondia o outro. Mas vou chegar lá. O papo parava aí. “Colar” nos tornaria ladrões, ao surrupiar o conhecimento alheio. Seríamos hipócritas, fingindo um conhecimento que não tínhamos. Viraríamos mentirosos, afirmando saber o que não sabíamos. E nossas notas eram excelentes! Para grande parte dos alunos a “cola” é sinal de esperteza. Com seus olhos compridos e os bolsos cheios de papeizinhos, deliciam-se na tola malandragem. Quando eu cursava a faculdade, uns universitários companheiros de viagem - futuros mestres e doutores – exigiam que nos dias de prova nossa condução saísse mais cedo. Tinham que chegar a tempo de ocupar o fundo da sala. Ali era mais fácil “colar”. Quem não “cola” não sai da escola. Quem sabe e não passa “cola” é egoísta. O professor que tenta inibir a “cola” é um chato. Será que isso ajuda a explicar um pouco a sociedade corrupta em que estamos atolados? Um dos ninhos da corrupção seria os bancos escolares? Nascem ali os espertalhões que buscam sucesso e riqueza a qualquer preço? Perguntas que merecem funda reflexão. Perdoem o pobre ex-professor que vos escreve, mas ainda creio que, antes de gente de sucesso, melhor seria se formássemos criaturas norteadas por valores éticos

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