Na década 70, a cidade de Sabará testemunhou um dos eventos mais impressionantes de sua história, e a Folha conta agora com exclusividade!
No ano de 1970, um jovem garoto, com apenas três anos de idade, sofreu um terrível acidente em um consultório odontológico que deixou a comunidade inteira em choque. Entre lágrimas, desespero e uma busca incansável por ajuda, a família do garoto, sem recursos avançados na época, enfrentou uma grande luta para salvar a vida da criança.
O ACIDENTE
Durante uma tarde de 1970, uma mãe levou seus dois filhos, um de 3 e outro de 5 anos, para o consultório dentário na cidade, pois não tinha com quem deixá-los. O acidente ocorreu devido a uma combinação de circunstâncias infelizes e falta de infraestrutura adequada no consultório. A água fervente usada para esterilizar instrumentos odontológicos caiu sobre o filho mais novo, resultando em queimaduras graves em seus ombros e pescoço.
O pânico e a agonia tomaram conta do local enquanto a mãe, em desespero, saiu pelas ruas gritando por um atendimento e com seu filho nos braços. O dentista, conhecido como Dr. João, estava com o carro na porta, mas se recusou a levá-los ao hospital, justificando o receio de perder clientes.
PROCURA DE SOCORRO
Naquela época, no bairro das Nações Unidas, na cidade de Sabará, a comunicação era limitada a um único telefone público, sem o luxo dos dispositivos móveis ou da internet. Enquanto a mãe, em lágrimas, segurava seu filho ferido nos braços, a única opção para pedir ajuda era ligar para o seu esposo, que estava no trabalho naquele momento. Após contar o que havia acontecido ao marido, ela saiu pelas ruas clamando por socorro, atraindo a atenção de vizinhos preocupados.
O desespero do pai e a angústia da mãe
Em um ato de solidariedade, um vizinho os levou ao Hospital João 23. Ao chegarem ao local, debaixo de uma chuva intensa, o pai da criança já estava no hospital. No entanto, de acordo com as regras da época, apenas o pai tinha permissão para preencher os documentos necessários para a internação. Ao chegar no setor de queimados no 7º andar e ver o garoto em uma maca de alumínio, o que ele testemunhou foi angustiante: o menino estava deitado sem roupa, desassistido, com uma lâmpada que pingava sobre ele, encharcando-o ainda mais.
Desesperado, o pai cobriu o filho com um lençol de outra cama e tentou sair com ele do hospital. Os funcionários tentaram impedi-lo, mas o pai, movido pela aflição, disparou um tiro para o alto. Ele só queria salvar seu filho, garantir que ele recebesse o tratamento adequado e que sua vida fosse preservada.
Abalada com a situação, a mãe, que havia sido deixada para trás, lembrou-se do plano de saúde da família. Ela ligou para o plano, solicitando uma ambulância para atendimento de queimados. Quando a ambulância chegou, ela informou que o pai havia levado o menino para outro lugar em busca de socorro, mas não tinha ideia de onde.
No entanto, quando Deus tem um plano e um projeto para você, nada foge do controle Dele. Enquanto isso, o pai e o garoto desacordado e gravemente ferido procuravam desesperadamente por ajuda, percorrendo clínicas em busca de um socorro providencial. Em uma dessas tentativas, uma secretária informou ao pai que um médico morava nas proximidades e se ofereceu para chamá-lo. No entanto, em meio ao desespero, o pai não podia esperar e começou a descer as escadas. Foi neste momento que uma ambulância destinada a casos de queimaduras, com a mãe do garoto, chegou à porta da clínica, pegou o garotinho quase sem vida e começaram imediatamente os procedimentos médicos.
Foi exatamente ali, no meio da rua, depois de quase duas horas sem atendimento, com agonia, sangue e queimaduras terríveis, que o garoto recebeu os primeiros cuidados. Ele foi atendido com um balão de oxigênio, antibióticos intravenosos e ataduras para cobrir as feridas em seu frágil corpo. Nesse momento, os pais se abraçaram, e viram a ambulância levar seu precioso filho para o Hospital Santa Mônica, localizado na Av. Antônio Carlos, atualmente conhecido como Hospital Belo Horizonte.
O garoto ferido e o tratamento árduo
Durante quase dois anos, o pequeno garoto permaneceu internado em um processo que desafiou os limites da medicina. A inflamação, disseminada por todo o seu frágil corpo, consumiu os nervos dos ombros e pescoço, deixando expostos os ossos das clavículas. Os médicos, entre conversas de desesperança, declararam que não havia mais nada que pudessem fazer. "De hoje ele não passa", diziam. No entanto, para a mãe devota, que passava suas horas dentro da igreja, havia uma fé inabalável em um Deus capaz de cumprir planos e ressuscitar os mortos.
Enquanto o garoto lutava pela vida, o pai confrontou o descaso do dentista, cuja recusa em prestar socorro por medo de perder um cliente desencadeou uma revolta. Armado e determinado, o pai fez justiça por conta própria, incendiando a clínica e o carro do dentista. Com um aviso ameaçador, ele assegurou ao dentista que, caso seu filho não sobrevivesse, a vingança seria implacável. Naquele mesmo dia, o tal do Dr. João se mudou do bairro e ninguém nunca mais o viu.
DE VOLTA PARA CASA
No dia da alta do garotinho, após quase dois anos de tratamento, uma festa foi organizada para recebê-lo em casa. No entanto, devido às queimaduras que ainda precisavam de cuidados especiais para evitar inflamações, todos tiveram que manter uma certa distância. Apesar disso, a celebração foi marcada por emoções intensas, lágrimas de alegria, gratidão a Deus e às pessoas que apoiaram e acolheram aquela família, além de pequenos presentes e um bolo.
À medida que os dias passavam, a criança desafiava todas as expectativas e os obstáculos impostos pelo tratamento árduo que continuava. O sofrimento era visível, como nas dolorosas raspagens que, de quatro em quatro dias, removiam as crostas de suas queimaduras. Mesmo com anestesia geral, o menino chorava de dor, o que partia o coração de seus pais, que buscavam desesperadamente aliviar o sofrimento de seu filho.
O perdão e os planos de Deus
O tempo passou. No ano de 2012, aquele garotinho já crescido, se candidata a vereador em Sabará, já adulto e com uma vida estabelecida, decidiu entrar para a política local com um objetivo claro em mente: retribuir à comunidade o apoio e cuidado que recebera no passado. Sua ideia era montar uma clínica de RX com 150 exames diários gratuitos. Durante sua campanha, uma visita a um salão de beleza escreveu o último capítulo desta história.
Ao entrar no salão de beleza 'Rose', foi questionado por uma senhora, aparentemente a proprietária, com lágrimas nos olhos. Ela revelou ao candidato que, quando ele sofrera o grave acidente na infância, sua mãe, desolada, encontrava conforto nas igrejas da região e nos moradores do bairro, que formaram uma rede de apoio para ajudar a família, cuidando do irmão do candidato e fornecendo apoio doméstico.
A senhora também revelou um segredo até então desconhecido pelo candidato: a identidade do dentista responsável pelo acidente, agora com cerca de 65 anos. Com o coração cheio de compaixão e determinação, o candidato decidiu enfrentar o passado e perdoar o dentista, que agora trabalhava em uma clínica na mesma rua do salão de beleza.
O PERDÃO
Ao se encontrar com o dentista, o candidato revelou sua identidade e, em um gesto comovente, ofereceu seu perdão ao homem, levando ambos às lágrimas.
"Eu sou o Sander Kildare, aquela criança que sofreu o terrível acidente em seu consultório na década de 1970. Queimei os ombros e pescoço, mas quero te dizer que estou bem, sem sequela alguma e feliz por ter te encontrado para liberar o perdão pra você. Siga em frente e em paz. Jesus me guardou, seja feliz Dr. João, Deus te abençoe sempre!", disse.
Quando saiu daquele lugar, Sander Kildare não conseguia parar de chorar. Esse encontro transformador o fez perceber que a política não era sua única missão na vida. Ele compreendeu a importância do perdão e da compaixão, agradecendo a Deus por estar vivo e com uma família amorosa.





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