Na última sexta-feira, 17, empresários, ex-alunos, vereadores e outros representantes da sociedade civil se reuniram na Praça Getúlio Vargas pedindo pela continuidade do Senai na cidade. A ideia era reunir um número maior de pessoas, mas a chuva que caiu no fim do dia atrapalhou o protesto. O certo é que todos os presentes não estão medindo esforços para manter a instituição em Sabará.
Em 2018, a Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG) acionou a diretoria do Sesi-Senai alertando sobre a possibilidade de fechamento, caso não houvesse maior sustentabilidade da escola. Como não houve mudanças, no fim do ano passado o Sesi que oferecia o ensino médio gratuito encerrou as atividades, restando apenas os cursos de aprendizagem e profissionalizante que serão concluídos até o fim de 2019, quando a FIEMG pretende encerrar as atividades da unidade.
Desde que a situação se agravou vários setores da sociedade vêm se mobilizando para tentar encontrar uma solução para evitar o fechamento da escola. A Câmara Municipal tenta uma audiência pública com representantes da Fiemg e da sociedade civil. Em agosto de 2018 os vereadores Guilherme Alves e Hellison Lopes, professor Costela, solicitaram a audiência, mas até o momento não foi possível realizá-la. Professor Costela conta que foi à Brasília, conversou com vários deputados federais e protocolou o pedido de uma reunião com o presidente da CNI (Confederação Nacional das Indústrias) responsável pelo Sistema S, composto pelo Senai ; Sesc; Sesi e Senac. E ainda o Senar; Sescoop e Sest, mas também não teve sucesso.
Conceição Arruda e Jader Ribeiro, representando a sociedade civil, também estão nessa luta. Jader diz que é importante as pessoas se unirem já que a escola é tão importante para cidade. Conceição ressalta que é de suma importância a permanência do Senai que durante 74 anos forneceu profissionais para várias indústrias não só do município, mas para outras cidades e estados.
O Sindmesa-Sabará trabalha para apresentar propostas e reverter a situação. O objetivo é tornar a escola auto-sustentável e uma das alternativas é incentivar as empresas a levarem os cursos necessários para seus profissionais para o Senai.
Algumas conquistas
Atualmente, o Senai está com 9 turmas de aprendizagens que são gratuitas e três de cursos técnicos pagantes. E mantém parcerias com a AngloGold, ArcelorMittal e com os Correios.
Além disso, novas turmas serão abertas. Em visita à Câmara Municipal o prefeito Wander Borges, questionado pelo vereador Guilherme Alves, afirmou que desde que foi anunciado o problema a Prefeitura tem trabalhado na questão, através de algumas reuniões com a Fiemg e com os representantes da indústria sabarense. Logo, a Prefeitura se propôs a comprar cursos de acordo com a necessidade atual do mercado. Será feito um aporte de R$ 300 mil (a princípio serão investidos pouco mais de R$ 100 mil) pelo Executivo na unidade. Esse valor deve gerar em torno de 15 turmas com aproximadamente 25 alunos cada. Todos os cursos serão abertos à comunidade e gratuitos.
A ArcelorMittal também vai abrir cursos na escola com 250 vagas e a AngloGold abrirá mais duas turmas. Além disso, outras empresas menores mostraram interesse em adquirir alguns cursos.
Diante dessas novas conquistas o objetivo é marcar uma nova reunião com a presidência da Fiemg, responsável pelo Sistema S no Estado e apresentar a situação na esperança que o Senai permaneça na cidade.
De acordo com a empresária Kátia Del Rio, uma das representantes da Sindmesa-Sabará, com essas novas conquistas cerca de 500 pessoas serão beneficiadas. As conquistas e uma nova proposta serão apresentadas à presidência da Fiemg em uma reunião que está prevista para os próximos dias.
Trajetória de sucesso
São 74 anos de história. A escola faz parte da história de Sabará e hoje é praticamente impossível encontrarmos uma família sabarense em que pelo menos um membro não tenha passado pelo Senai.
Durante a manifestação vários ex-alunos estavam presentes, entre eles, Antônio Pádua, que em 1975 cursou tornearia mecânica. Ele destaca que o Senai foi importante em sua formação humana e profissional. “Nós não podemos perder uma escola desse porte. Vemos ex-alunos do Senai de Sabará com bons empregos espalhados em vários lugares do país. Temos vários jovens perdidos na sociedade que poderiam estar aqui. É muito importante uma escola dessa”, destaca.
Jesuíno Viera Lima também estudou no Senai, frequentou a escola na década de 1980 e também em 2002, foram três cursos pela escola. “O Senai foi muito importante na minha vida profissional e de tantos outros sabarenses que trabalham na indústria. É muito triste saber que pode fechar, porque os jovens de hoje precisam de uma base forte e a cidade de Sabará precisa para o desenvolvimento econômico”, ressalta.
José Augusto Seabra foi aluno do Sesi e do Senai, onde se formou em 2014 no curso de Usinagem Mecânica. Ele agradece ao Senai, pois sem a instituição não teria mudado de vida e se tornado um profissional. Ele ressalta a importância do Senai para o município. “O fechamento do Senai para Sabará é muito ruim, pois perde a essência da cidade que evoluiu junto com a . Hoje se Sabará perde esses cursos não serão mais formados profissionais sabarenses”, afirma.
A Folha de Sabará convoca toda a população para entrar nessa luta, já que a escola representa tanto para o município e caso feche as portas a perda para a cidade será gigantesca em todos os sentidos, educacional, social e econômico.
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