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Cores, fé e tradição

Cores, fé e tradição

07/05/2018 10h48
Por: Glaucia Melo Clark
Cores, fé e tradição

No último domingo, 15, a praça Melo Viana recebeu a celebração da cultura negra em nosso município, uma mistura de fé,tradição, gastronomia, arte, alegria e muitas cores se espalhou pela praça na Festa Folclórica Cores do Rosário que contou com cortejos de grupos de Congado, Comida de Senzala, shows, Feira Afro, oficinas, entre outras opções.

Organizada pelo Centro Comunitário Nossa Senhora do Rosário e projeto A Cor DA Cultura que têm a sua frente padre Rogério Messias, a festa teve a intenção principal de valorizar a contribuição dos negros na identidade cultural de Sabará através da comida que veio da senzala, da arte, do artesanato e da religiosidade. “As pessoas vêm à Sabará para comerem comida de roça, só que a riqueza dessa comida vem da senzala, então devemos esquecer a tristeza da senzala e ressaltarmos o sabor da comida que era feita ali. Então a pessoa precisa vir a Sabará para o valor histórico que a cidade tem a oferecer”, afirma padre Rogério.

Luzinete Assis, uma das responsáveis pela organização do evento, destaca que um dos pontos importantes da festa foi mostrar o Afro Empreendedorismo, através da Feira Afro. Sete afro empreendedores de Belo Horizonte, Contagem e Betim foram convidados para participar da festa com o objetivo de mostrar que, além de valorizar nossas raízes negras e a sua cultura através de roupas e acessórios, pode ser uma excelente forma de empreendedorismo. Luzinete explica que essa é a principal proposta do Centro de Negócios Afro Culturais. “O projeto vai estruturar uma produtora cultural negra, para atender as necessidades dos grupos da cidade; será trabalhado o turismo de experiência e ainda levará os grupos negros para a cena cultural da cidade”, ressalta. Ela afirma também que o público alvo do centro de negócios são as Guardas de Congado que ganharão um trabalho de empoderamento.

O cortejo que desfilou nas ruas do Centro Histórico com a imagem de Nossa Senhora do Rosário, Rei e Rainha do Rosário, teve a participação de sete guardas de Congado, a Banda Santa Cecília, o Grupo de Escoteiros, as mucamas e alguns grupos folclóricos de Sabará.

Além do cortejo com grupos de congado, a festa que começou às 11 da manhã e encerrou só às 8 da noite, teve apresentação de diversos grupos culturais e musicais, levando animação com muito samba e Black Soul.

Riqueza cultural

Tamanha riqueza cultural atraiu várias pessoas para a festa e pôde ser usada por professores e pesquisadores como tema de estudos. A professora de Cultura Mineira e Antropologia, Graziela Jacome, da Faculdade de Sabará, escolheu a festa para uma visita técnica para que os alunos pudessem observar a influência negra na formação cultural de Sabará, seja através da culinária, da religiosidade e até mesmo da arquitetura. A professora explica que este trabalho é estendido pelo semestre, pois além de relatórios que serão feitos pelos alunos, a conclusão do trabalho se dá com uma feira de Cultura Mineira, realizada na faculdade, com comidas típicas e apresentação de cantigas de roda.

O professor universitário e coordenador de projetos, Pedro Augusto Xavier, que desenvolve na PUC- Minas projetos sobre comunidades quilombolas e no Sebrae sobre afroempreededorimos, também participou da festa e convidou seus alunos para conhecerem mais sobre o afroempreendedorismo e como isso pode ser introduzido nas comunidades quilombolas para que haja um desenvolvimento econômico e social. O trabalho desenvolvido pelo professor no Sebrae foi o que motivou Luzinete Assis convidá-lo a participar da festa, a intenção é fazer uma parceria entre o Sebrae e o Centro de Negócios Afro Culturais.

A estudante de direito, Gabriela de Farias, aluna de Pedro Augusto, diz que o evento e identificou pôde identificar muitos aspectos que são estudados no projeto sobre os quilombos. “Podemos ver aqui como essas pessoas se articulam para conseguir sua fonte de renda, além disso, os produtos são muito interessantes”, ressalta.

A festa atraiu várias pessoas que estão envolvidas na questão da valorização do negro na sociedade, entre elas, Isabela Barbosa, 22, secretária de Juventude da PC do B Sabará e dirigente da Frente Negra da União da Juventude Socialista de Minas. A jovem explica que a frente em que trabalha tem o objetivo de atuar com a questão da cultura periférica através de ações que visem dá visibilidade ao povo negro e à cultura da juventude da periferia, construindo maior interação entre o centro e as periferias. Ela destaca que festas como essas são importantes também para valorizar religiões de matrizes africanas. “A gente vive em um cenário de demonização dessas religiões, este evento demonstra o quanto Sabará está aberta para este tipo de manifestação, para a liberdade religiosa, demonstra que nós somos uma cidade de fato democrática, que abraça todas as culturas”, ressalta.

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