O Congresso Nacional inaugura nesta segunda-feira (10) a visita temática “História Política das Mulheres”. Pelos corretores do Senado e da Câmara dos Deputados, os visitantes vão conhecer a trajetória de mulheres que fizeram a diferença no Parlamento e em movimentos sociais.
A atividade marca o Dia Nacional de Luta Contra a Violência à Mulher, celebrado em 10 de outubro. A partir do dia 20 deste mês, o roteiro entra na grade fixa de visitação do Congresso Nacional, sempre às quintas-feiras, às 10h15.
A visita explora a participação das mulheres na política desde a conquista do voto, passando pela atuação da bancada feminina na Assembleia Constituinte e chegando a pautas atuais, como o enfrentamento à violência doméstica. Os visitantes conhecem ainda o trabalho de órgãos que têm a missão de zelar pela participação efetiva das parlamentares no Congresso Nacional, como a Procuradoria Especial da Mulher no Senado e a Secretaria da Mulher na Câmara.
Um dos pontos da visitação é a Ala Celina Guimarães Viana, na Câmara dos Deputados. A área funciona como um hall de entrada para as 25 salas usadas pelas Comissões da Casa. Celina Guimarães Vianna foi a primeira eleitora do Brasil e da América latina, alistada em 25 de novembro de 1927, na cidade de Mossoró (RN).
A Ala Celina Guimarães Viana abriga um painel com a foto de todas as deputadas federais que passaram pela Câmara. A primeira delas foi Carlota Pereira de Queirós, médica paulista eleita pelo voto popular em 1934. A eleição de uma mulher para o Parlamento só foi possível graças ao trabalho de outra expoente do movimento feminista no Brasil: Bertha Lutz, que liderou as campanhas da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino.
Outro ponto da visita guiada é o Corredor Tereza de Benguela, que dá acesso ao Plenário da Câmara. Durante o século XVIII, ela comandou a estrutura política, econômica e administrativa do quilombo do Quariterê, localizado na área do atual estado de Mato Grosso.
Tereza foi casada com José Piolho, que chefiava o Quilombo do Quariterê até ser assassinado por soldados. Com a morte do marido, ela se tornou a líder do grupo formado por mais de 100 negros e indígenas, que resistiram à escravidão por duas décadas. Era conhecida como a “Rainha Tereza”.
No Senado, os visitantes são apresentados a outros personagens marcantes na história da luta das mulheres pela representação política. É o caso Eunice Michiles: primeira mulher a ocupar um assento no Senado desde a Princesa Isabel. Ela tomou posse em 1979, como suplente do senador João Bosco, que faleceu no início do mandato.
Comerciária, funcionária pública e professora primária, Eunice foi eleita pelo estado do Amazonas. Antes do Senado, havia sido a vereadora mais votada da cidade de Maués (AM), mas teve os direitos políticos suspensos por dez anos por perseguição política do Regime Militar de 1964.
A vista temática destaca ainda a importância da primeira senadora negra do Brasil: a médica Laélia Alcântara, que assumiu o cargo como suplente em 1981, após o falecimento do senador Adalberto Sena (AC). Ela se posicionou contra o racismo e foi favorável ao ingresso de mulheres na Força Aérea Brasileira.
O roteiro também enaltece a eleição das primeiras senadoras eleitas pelo voto popular, em 1991: Júnia Marise (MG) e Marluce Pinto (RR). Júnia se destacou pela participação no Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Humana. Marluce atuou em defesa da reforma agrária e dos direitos trabalhistas e foi contra a manutenção de relações diplomáticas com países que adotassem práticas de discriminação racial.
— Já tínhamos um roteiro com a trajetória feminina, mas foi algo criado há mais de cinco anos, então vimos a necessidade de fazer uma atualização — explica Jazon Torres, servidor lotado no Serviço de Cooperação Institucional (Secoi).
Na quarta-feira (5), colaboradores convidados tiveram a experiência em primeira mão e elogiaram o serviço. A assessora do Observatório da Mulher Contra a Violência (OMV), Maria Teresa Fröner, foi uma das que aprovaram o resultado.
— Chegar nos locais e ver o que está sendo explicado é muito mais impactante do que ler o roteiro. Conhecer os espaços nesse contexto passa uma sensação diferente. Achei fundamental terem comentado sobre violência de gênero no final — opinou a servidora.
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