A construção de um sistema completo de abastecimento de água necessita de muitos estudos e profissionais altamente especializados. A água precisa passar por vários processos para que se torne própria ao consumo humano. E a população de Sabará pode beber à vontade, já que a Copasa realiza vários trabalhos para que á água apresente a melhor qualidade possível.
?Água tratada é saúde. Mas para ela se tornar potável deve passar por uma série de processos de tratamento de modo a atender à legislação do Ministério da Saúde, que define o padrão de potabilidade e o controle e a vigilância da qualidade da água para consumo humano?, explica o superintendente de Produção e Tratamento de Água da Copasa, Nelson Cunha Guimarães.
Grande parte da região Metropolitana é abastecida de forma integrada a partir de grandes sistemas de produção de água. ?A água de Sabará, por exemplo, é produzida na Estação de Tratamento de Água (ETA) Rio das Velhas, localizada em Nova Lima, onde passa por diversas etapas de tratamento e por um rígido controle que garante a qualidade da água a ser distribuída à população?, ressalta o superintendente. Além de Sabará, a ETA do Rio das Velhas atende outras cidades como Belo Horizonte, Santa Luzia, Nova Lima e Raposos.
Os sistemas de abastecimento de água são projetados para servir à comunidade, durante muitos anos, levando para população água com qualidade na quantidade necessária a atender suas necessidades. Para isso, devem ser consideradas três questões fundamentais: a população a ser abastecida, a taxa de crescimento da cidade e suas demandas para atender usos comerciais e industriais Um sistema convencional de abastecimento de água é constituído das seguintes unidades: captação, adução, estação de tratamento, reservação, redes de distribuição e ligações domiciliares.
Captação
A seleção da fonte abastecedora de água é processo importante na construção de um sistema de abastecimento. Deve-se, por isso, procurar um manancial com vazão capaz de proporcionar perfeito abastecimento à comunidade, além de ser de grande importância a localização da fonte, a topografia da região e a presença de possíveis focos de contaminação. Essa captação pode ser superficial ou subterrânea. A superficial é feita nos rios, lagos ou represas, por gravidade ou bombeamento. Se por bombeamento, uma casa de máquinas é construída junto à captação. Essa casa contém conjuntos de motobombas que sugam a água do manancial e a enviam para a estação de tratamento. A subterrânea é efetuada através de poços artesianos, perfurações com 50 a 100 metros feitas no terreno para captar a água dos lençóis subterrâneos. Essa água também é sugada por motobombas instaladas perto do lençol d?água e enviada à superfície por tubulações. A água dos poços artesianos está, em sua quase totalidade, isenta de contaminação por bactérias e vírus, além de não apresentar turbidez.
Fases do tratamento da água de captação superficial realizado na Estação de Tratamento de Água (ETA)
Oxidação: O primeiro passo é oxidar os metais presentes na água, principalmente o ferro e o manganês, que normalmente se apresentam dissolvidos na água bruta. Para isso, injeta-se cloro ou produto similar, pois tornam os metais insolúveis na água, permitindo, assim, a sua remoção nas outras etapas de tratamento.
Coagulação: A remoção das partículas de sujeira se inicia no tanque de mistura rápida com a dosagem de sulfato de alumínio ou cloreto férrico. Esses coagulantes têm o poder de aglomerar a sujeira, formando flocos. Para otimizar o processo adiciona-se cal, o que mantém o pH da água no nível adequado.
Floculação: Na floculação, a água já coagulada movimenta-se de tal forma dentro os tanques que os flocos misturam-se, ganhando peso, volume e consistência.
Decantação: Na decantação, os flocos formados anteriormente separam-se da água, sedimentando-se, no fundo dos tanques.
Filtração: A água ainda contém impurezas que não foram sedimentadas no processo de decantação. Por isso, ela precisa passar por filtros constituídos por camadas de areia ou areia e antracito suportadas por cascalho de diversos tamanhos que retêm a sujeira ainda restante.
Desinfecção: A água já está limpa quando chega a essa etapa. Mas ela recebe ainda mais uma substância: o cloro. Ele elimina os germes nocivos à saúde, garantindo também a qualidade da água nas redes de distribuição e nos reservatórios.
Correção de PH: Para proteger as canalizações das redes e das casas contra corrosão ou incrustação, a água recebe uma dosagem de cal, que corrige seu PH.
Fluoretação: Finalmente a água é fluoretada, em atendimento à Portaria do Ministério da Saúde. Consiste na aplicação de uma dosagem de composto de flúor (ácido fluossilícico). Reduz a incidência da cárie dentária, especialmente no período de formação dos dentes, que vai da gestação até a idade de 15 anos.
Tratamento da água de captação subterrânea
A água captada através de poços profundos, na maioria das vezes, precisa apenas da desinfecção com cloro. Isso ocorre porque, nesse caso, a água não apresenta qualquer turbidez, eliminando as outras fases que são necessárias ao tratamento das águas superficiais.
Reservação
A água é armazenada em reservatórios, com duas finalidades: manter a regularidade do abastecimento, mesmo quando é necessário paralisar a produção para manutenção em qualquer uma das unidades do sistema e atender às demandas extraordinárias, como as que ocorrem nos períodos de calor intenso ou quando, durante o dia, usa-se muita água ao mesmo tempo (na hora do almoço, por exemplo). Quanto à sua posição em relação ao solo, os reservatórios são classificados em subterrâneos (enterrados), apoiados e elevados.
Redes de distribuição
Para chegar às casas, a água passa por vários canos enterrados sob a pavimentação das ruas da cidade. Essas canalizações são chamadas redes de distribuição. Para que uma rede de distribuição possa funcionar perfeitamente, é necessário haver pressão satisfatória em todos os seus pontos. Onde existe menor pressão, instalam-se bombas, chamadas boosters, cujo objetivo é bombear a água para locais mais altos. Muitas vezes, é preciso construir estações elevatórias de água, equipadas com bombas de maior capacidade. Nos trechos de redes com pressão em excesso, são instaladas válvulas redutoras.
Ligações domiciliares
A ligação domiciliar é uma instalação que une a rede de distribuição à rede interna de cada residência, loja ou indústria, fazendo a água chegar às torneiras. Para controlar, medir e registrar a quantidade de água consumida em cada imóvel, instala-se um hidrômetro junto à ligação. A tarifa mínima da Copasa dá direito a um consumo residencial de 6 mil litros de água por mês. Ultrapassar esse limite, a conta de água é calculada sobre a quantidade de litros que foi consumida e registrada pelo hidrômetro.
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