Convidados da Subcomissão Temporária para Acompanhamento da Educação na Pandemia defenderam em audiência pública nesta segunda-feira (8) uma divisão igualitária de recursos entre escolas de grandes centros e as localizadas áreas rurais, ribeirinhas, indígenas e quilombolas. Sob o comando do senador Flávio Arns (Podemos-PR), o colegiado debateu meios para garantir a estudantes e professores da rede pública o acesso a dispositivos com conexão à internet de alta velocidade.
A coordenadora de produção de conhecimento do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais (Ceipe), Ariana Britto, apresentou dados do Censo Escolar de 2021 segundo o qual 23% das escolas não têm acesso a internet e 58% não têm wi-fi. E também sete a cada 10 estudantes do primeiro ao quinto ano não têm acesso à rede mundial de computadores, a maioria em escolas distantes das sedes dos municípios.
— Todos os atores das redes educacionais, gestores, professores e alunos, precisam compartilhar o potencial pedagógico dessas tecnologias. Além disso, temos que formar profissionais de forma continuada. Sim, temos que pensar formações, competências e habilidades principalmente pra quem está dentro da sala de aula. E temos professores nos níveis mais distintos de conhecimento digital — esclareceu.
Segundo a pesquisadora em Equidade na Educação e doutoranda, Yasmim Melo, o problema de conectividade é muito mais forte no Norte e Nordeste do país, que têm mais escolas em zonas rurais e distantes dos centros urbanos.
— Dados do censo escolar mostram ainda enormes disparidades entre escolas. Além disso os programa educacionais de conectividade ainda focam muito as unidades de ensino urbanas — acrescentou.
Já o diretor de pesquisa e avaliação do Centro de Estudos e Pesquisa em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), Romualdo Portela de Oliveira lembrou que a pandemia trouxe três consequências graves à educação brasileira: aumentou a exclusão escolar; deixou o acesso à escola ficou mais precário e trouxe a necessidade de adoção do sistema remoto, inviável em muitas escolas que não contam com internet com a mínima qualidade.
— Tivemos prejuízos inegáveis no aprendizado e ainda não tivemos condições de mensurar isso. Teremos um desafio grande nos próximos anos pois não é possível pensar que vamos recuperar as perdas com a pandemia num semestre ou em um ano — alertou.
Ao abrir a audiência desta segunda-feira, Flávio Arns informou que nas audiências públicas já realizadas pela subcomissão, senadores e convidados apontaram seis eixos temáticos relacionados a medidas que precisam ser tomadas em função da pandemia: acesso dos alunos às escolas, permanência dos estudantes nas salas de aula, infraestrutura, valorização do profissional da educação, recomposição da aprendizagem e conectividade.
— Está muito claro os caminhos que devem ser percorridos depois que fizermos essas audiências públicas com a participação de especialistas — afirmou o senador, que disse ainda esperar para outubro a elaboração do relatório final da subcomissão.
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