Desde outubro de 2013 estudos estão sendo feitos nas águas da Unidade Territorial Estratégica (UTE) do Ribeirão Caeté/Sabará que corta os dois municípios.
Com previsão de conclusão para julho deste ano, o ?Monitoramento Qualitativo das Águas Superficiais na Área da UTE do Ribeirão Caeté/Sabará? é um projeto hidroambiental de cunho participativo financiado com recursos da cobrança pelo uso da água na Bacia do Rio das Velhas. Trata-se de uma iniciativa do Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Velhas) e do Subcomitê de Bacia Hidrográfica (SCBH) do ribeirão. O objetivo é ampliar a gama de informações técnicas sobre a realidade da sub-bacia e desenvolver, com a participação da sociedade, um plano estratégico para a recuperação e/ou conservação da qualidade das águas.
De acordo com Ademir Martins Bento, Coordenador do SCBH Caeté/Sabará, o estudo está sendo realizado em Sabará porque os Comitês e Sub-Comitês de Bacia Hidrográfica, desenvolvem seu trabalho usando a lógica da Bacia. Desta forma, as atividades desenvolvidas próximas ao município trazem efeitos benéficos ou maléficos no Rio das Velhas, principalmente na Foz do Rio Sabará. Outro fator relevante para a proposta é que o IGAM Instituto Mineiro de Gestão das Águas tem alguns pontos de monitoramento que, ao ver do Comitê, não demonstram a realidade sobre a qualidade e ou quantidade de água que estão comprometidas com o esgoto sanitário, bem como outros produtos carreados pela atividade minerária e agropecuária, dentre outras.
O estudo
O passo inicial das atividades de consultoria foi dado com a criação de um plano de trabalho que detalhou todas as etapas do monitoramento qualitativo. Em seguida, com base em dados secundários, foi elaborado um relatório de caracterização da bacia, como forma de promover o conhecimento e o entendimento do contexto atual da região, que apresenta um cenário complexo, com alto índice de antropização (transformação sofrida pelo meio ambiente devido a ação do homem) na margem direita do rio das Velhas. Foram avaliados os meios físico, biótico e antrópico.
Por meio dos estudos secundários, a equipe técnica identificou os fatores de pressão sobre a qualidade das águas da UTE do Ribeirão Caeté/Sabará. Eles são os principais responsáveis pelo prejuízo das águas.
Foram apontados como fatores prejudiciais a Silvicultura, a região possui aproximadamente 9,8 % de sua área ocupada pela cultura de eucalipto; o Meio Urbano, embora sejam duas cidades tricentenárias, os municípios ainda carecem de serviços básicos de saneamento, em especial coleta e tratamento do esgoto; as Indústrias, sendo que a maior parte está em Sabará ao longo da MGT-262 e no distrito industrial da cidade; a mineração, praticamente toda UTE é recoberta por áreas com processos minerários e a Estrutura Viária, a estrada de Ferro Vitória-Minas, atravessa a UTE transportando minério, cargas e passageiros. Além da ferrovia, as rodovias MGT-262 e a MG-435 encontram-se parcialmente inseridas na UTE, assim como a densa rede de vias locais e não pavimentadas. Tudo isso contribui com a degradação da área.
Pontos de
monitoramento
As amostras foram colhidas pelos técnicos do projeto em 13 diferentes pontos de monitoramento distribuídos ao longo da UTE. Duas campanhas de campo foram realizadas este ano: uma no período chuvoso, nos dias 29 e 30 de janeiro; e outra no período seco, no dia 14 de maio.
Em nosso município foram recolhidas amostras no Ribeirão Sabará em um ponto próximo ao Pompéu, após a confluência do ribeirão Gaia e em sua foz. E ainda, em um córrego sem nome do lado direito do ribeirão. Foram recolhidas também na foz do córrego Cabeça de Boi, na bacia do ribeirão Brumado, na faz do córrego das Lajes e do Taioba, todos afluentes do rio das Velhas.
É importante ressaltar que os 13 pontos criados durante o projeto ampliaram a rede de monitoramento que já era mantida pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM) em sete diferentes pontos. Em uma avaliação realizada no último trimestre de 2012 pelo Instituto, o Índice da Qualidade das Águas (IQA) dessas estações apresentou-se entre o nível médio e ruim. Daí a necessidade de se conhecer melhor as causas dos problemas.
PLANO
ESTRATÉGICO
As informações obtidas durante o ?Monitoramento Qualitativo das Águas Superficiais na Área da Sub-Bacia do Ribeirão Caeté/Sabará? irão embasar a criação de um Plano Estratégico, que contribuirá para a melhoria da qualidade das águas da sub-bacia e, consequentemente, para a melhoria qualidade de vida da população que reside na região.
Ademir Martins, coordenador do SCBH, afirma que soluções simples podem contribuir com a resolução do problema. Segundo ele, o rio, foi nos últimos anos, ponto de descarga de tudo que não serve para o ser humano e o Esgoto Doméstico é o principal deles. Com a criação de ETES e pequenas Fossas Anaeróbicas instaladas em pequenas propriedades, principalmente as rurais, este problema que reflete de forma negativa na saúde do cidadão, será eliminado.
Resultados
O coordenador afirma que as bacias hidrográficas de nossa região perderam muito em quantidade e também com a qualidade de quase todos os afluentes dos principais formadores da bacia, ou seja: Ribeirão Caeté, Ribeirão Juca Vieira e Rio Comprido.
Especialistas responsáveis pelos estudos irão apresentar os resultados das análises laboratoriais das águas da Unidade Territorial Estratégica (UTE) do Ribeirão Caeté/Sabará na próxima quarta-feira durante a 3ª Reunião Pública que será realizada no auditório do Sindicato dos Metalúrgicos de Sabará, a partir das 18h30. Aberto a toda a sociedade, o encontro fará parte da programação da 8ª Semana do Meio Ambiente promovida pelo Colégio Augustos, por meio da direção, coordenação, supervisão, professores e alunos dos cursos técnicos de Meio Ambiente e Mineração.
Para finalizar Ademir ressalta que é dever de todos os cidadãos participar das decisões mais importantes para sua comunidade. Esta é uma oportunidade para o cidadão em geral tomar conhecimento do trabalho que está sendo realizado, que só agora está apresentando os resultados, principalmente depois da instituição da Cobrança pelo uso da água, cujos recursos tem possibilitado este trabalho,sem contra-partida para os municípios beneficiados.
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