Projeto pretende despertar o sentimento de pertencimento à cidade no intuito de preservar a nossa história
Sabará tem uma população de 135 mil habitantes, possui uma extensão territorial de 303, 564 km², possui distritos e bairros bem longe do centro, é comum ouvirmos muitas pessoas que nasceram e foram criadas em General Carneiro ou Ravena, por exemplo, dizerem “Tenho que ir a Sabará”, se referindo ao Centro da cidade, como se simplesmente não morassem no mesmo município.
Logo, para que desconstruamos essa ideia é importante trabalharmos em nossos jovens e crianças o sentimento de pertencimento à cidade para que eles possam continuar construindo essa bela história tricentenária.
Nesse sentido a Gerência de Patrimônio do Município, vinculada a Secretaria Municipal de Cultura, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação criou o Projeto de Educação Patrimonial - Riquezas de nosso patrimônio - que é formado por um conjunto de ações de educação patrimonial com o objetivo de sensibilizar os alunos da Rede Municipal de Ensino para o valor, os sentidos e a importância do patrimônio cultural e natural existente nas vizinhanças de sua comunidade escolar.
O projeto piloto está sendo desenvolvido na Escola Municipal Edith Assis Costa, localizada no bairro Rosário, bem próximo ao Conjunto Paisagístico do Morro São Francisco, bem cultural e natural tombado pelo município, em duas ocasiões 2007 e 2017 e que está servindo de objeto de estudo para os alunos.
O Morro São Francisco foi escolhido por possuir um riquíssimo material que inclui seus sítios arqueológicos, composto por um calçamento de pedra que fazia a ligação entre Minas e Bahia no século XVIII e o forno de cal da mesma época que era utilizado para a fabricação de matéria-prima usada na construção de várias edificações do Centro-Histórico, inclusive da Igreja São Francisco. Além disso, o local possui importantes atributos naturais, como a nascente que há mais de 200 anos fornece água para o Chafariz do Kaquende, a fauna, flora, relevo e sua cultura imaterial.
Os alunos já visitaram o local e agora finalizam os trabalhos para apresentá-los durante Feira de Cultura que acontecerá em agosto. “A ideia é que eles levem para a comunidade o conhecimento adquirido”, diz o professor de geografia, Edvaldo Rocha, que guiou os meninos nas visitas ao Morro São Francisco.
A aluna Letícia Aparecida, 7º ano, 13, diz que o projeto foi muito bom, pois ela descobriu a importância que a região do Morro São Francisco e o Centro de Sabará têm. “Eu não sabia que a Igreja São Francisco era histórica e que foi construída há tantos anos”, diz.
Para Rafaela Camile, 6º ano, 11 anos, o mais interessante foi saber que seu bairro possui uma área tão importante para a história. “Eu moro aqui desde que nasci e não sabia que meu bairro era tão importante. Achei legal também a existência do forno de cal que tem lá em cima, pois a cal produzida lá era usada na pintura e construção do século XVIII”, conta.
Alice Trindade mora em Sabará há apenas dois anos. A aluna do 9º ano diz que através do projeto descobriu o tanto que Sabará era importante no século XVIII e como ocupava um imenso território. “Com isso passei a dar ainda mais importância para a história desta cidade”, afirma.
Outro Olhar
Segundo a gerente de Programa Sócio-Educativos e Culturais da Secretaria de Educação, Flávia Honorato, o Morro São Francisco também foi escolhido por ter sido vítima, nos últimos anos, de grandes invasões o que tem colocado o patrimônio em risco.
Por isso durante as visitas os representantes da Secretaria de Educação e do Patrimônio procuraram conscientizar os moradores sobre a riqueza do local mostrando o quanto é importante a sua preservação. Flávia ressaltou ainda que muitos alunos da escola são moradores da localidade.
Ela diz que, além da preservação, a conversa com os moradores serviu para mostrar o risco que eles correm com construções desregulares que podem provocar deslizamento de terra, causando desabamento ou soterramento de outras residências.
Foi distribuído um panfleto destacando toda a riqueza do Morro São Francisco e ressaltando o que está previsto nas leis do município. Entre as leis destacamos a de número 423/1991 que diz que;
- “Toda e qualquer modificação do aspecto de local protegido por tombamento deve ser previamente autorizada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural e Natural de Sabará, estando o responsável sujeito às penalidades por infração de natureza gravíssima”;
E ainda o decreto nº 258/02: que fala sobre a preservação das matas do Morro São Francisco.
- “As matas situadas no topo do Morro São Francisco são consideradas área de preservação permanente e, logo, não pode sofrer qualquer tipo de ocupação”.
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