Combater a privatização de estatais e aumentar ações em defesa do patrimônio público brasileiro foram pontos defendidos pelos participantes de audiência pública da Comissão de Direitos Humanos (CDH) nesta segunda-feira (13). A programação aconteceu por requerimento do senador Paulo Paim (PT-RS) e teve como objetivo lançar o livro “O Futuro é Público” e a campanha “Se é público é para todos”, encabeçados pelo Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas.
Esse movimento surgiu durante a tramitação do Projeto de Lei do Senado (PLS) 555, de 2015, o chamado Estatuto das Estatais ou Lei de Responsabilidade das Estatais. A matéria foi aprovada pelo Congresso e sancionada na forma da Lei 13.303, em 2016. O comitê protesta agora contra a privatização de empresas como Petrobras, Eletrobrás, Correios e Caixa Econômica Federal.
Para Paim, os lançamentos da campanha e da publicação junto ao Senado vêm em boa hora. Segundo ele, sem a luta de servidores públicos e de parlamentares comprometidos com o bem público, outros textos nessa linha, como a proposta de reforma Administrativa (PEC 32/2020), também já teriam sido aprovadas pelo Parlamento.
— É hora de reafirmar que a gestão pública tem compromisso com a coletividade; olhar para o futuro e não só para o presente. A gestão pública democrática e transparente é o caminho eficaz para induzir um crescimento econômico sustentável e reduzir desigualdades — sinalizou.
A senadora Zenaide Maia (Pros-RN) considerou criminosa a atuação do governo federal quanto às privatizações. Ela disse que não desmerece o setor privado, mas ponderou que serviços pagos, em quaisquer instâncias, visam majoritariamente ao lucro. Zenaide mencionou o PLP 18/2022, em análise no Senado, afirmando que o texto torna a Petrobras mera distribuidora, gerando lucros e dividendos para acionistas enquanto, para a população, resta nada.
— É uma bola de neve, não tem como não ser. Governo corta verbas da educação pública, mas isso aqui [o projeto] é ainda mais grave: reduz o ICMS dos estados, recursos de transferência obrigatória, sob o argumento de que esses entes estão ricos. Mas esses estados, minha gente, estão pagando a inflação com esse dinheiro. A Petrobras precisa continuar com seu papel social e concordo em gênero, número e grau com o que foi colocado nessa audiência pelos expositores — salientou Zenaide.
Luta histórica
Coordenadora do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas, Rita Serrano discorreu sobre a luta em defesa do patrimônio público, ressaltando o apoio dos parlamentares e o alto número de audiências públicas promovidas pela CDH nos últimos anos. Co-autora do livro “O Futuro é Público”, Rita explicou que a campanha “Se é público é para todos” existe há seis anos e tem o intuito de esclarecer que não basta tentar derrubar projetos como o PLS 555/2015, mas discutir o conceito sobre o que é público e o que é privado junto à população. Ela pediu aos senadores que ajudem a derrubar, por exemplo, o Projeto de Lei 4.188/2021, em tramitação na Casa, que propõe o fim do monopólio da Caixa Econômica nas operações do penhor civil.
— Precisamos dialogar com a sociedade para esclarecer que o patrimônio público não pode ser destruído. O que é público é para todos; o que é privado é para quem consegue pagar. É momento de repensar e trazer dados concretos para discutirmos dentro do Congresso Nacional e junto à população — apontou.
"O Futuro é Público"
O assessor jurídico do Comitê em Defesa das Empresas Públicas, Luiz Alberto dos Santos, informou que, desde 2019, foram registradas a privatização ou extinção de 35 estatais, das quais 8 por incorporação a empresas controladoras e 13 alienadas ao setor privado, além de 7 liquidadas. De acordo com o sociólogo, o livro “O Futuro é Público” demonstra que quando os serviços públicos são de propriedade pública e organizados democraticamente podem promover a riqueza das comunidades e de economias locais.
Luiz Alberto explicou que a privatização de estatais interessa ao governo por trazer resultados como a valorização da livre iniciativa e das leis do mercado, além de reduzir a interferência política na gestão dessas empresas. Mas afirmou, por outro lado, que vender estatais reduz o controle social e o acesso das pessoas a serviços que devem ser universalizados.
— É hora de exigir a propriedade pública democrática em todos os níveis e exigir o acesso universal a serviços públicos, para que todas as pessoas possam levar uma vida digna e próspera.
Ataque às empresas públicas
O diretor-presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Sergio Takemoto, afirmou que o governo Bolsonaro em promovido um ataque às empresas públicas nacionais. Segundo ele, o Executivo tem procurado retirar da Caixa seu papel social, a fim de que a empresa perca relevância perante a sociedade. Ele observou, no entanto, que essas medidas do governo têm sido reduzidas devido à atuação do Parlamento, do Judiciário e do movimento popular.
Já o presidente da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, disse que o debate na CDH ocorreu em momento adequado, devido às intenções do governo federal de intensificar as privatizações no Brasil. O debatedor avaliou que uma série de ações será necessária para desfazer essas medidas da União a partir do próximo ano e convocou a sociedade civil a participar do movimento contra a venda de empresas públicas brasileiras como a Petrobras.
Senado Federal Nanismo: audiência discute inclusão de medicamento para acondroplasia no SUS
Senado Federal Violência digital contra mulher também é crime; veja como denunciar
Senado Federal CAS analisa projeto que prevê ensino de primeiros socorros a estudantes
Senado Federal Guerra no Irã: MP reduz preço do diesel para conter alta do petróleo
Senado Federal CSP pode votar autorização para que estados legislem sobre direito penal
Senado Federal Interlegis lança guia de boas práticas ASG para o Legislativo Mín. 9° Máx. 23°
Mín. 8° Máx. 22°
Tempo limpoMín. 9° Máx. 23°
Tempo limpo
CONVERSA DE ESQUINA SEJAMOS REALISTAS
COLUNA MG Forrageiras mostram alto desempenho no semiárido
SANDERS ROCHA Concessionária de energia pode adentrar no imóvel para realizar o corte sem o morador no local?
DIEGO LEONEL A Importância da Certificação Pró-Gestão para os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) 
