Foram seis dias de festa, como sempre, com muita felicidade e irreverência. A folia este ano começou mais cedo. Já na quinta feira, teve o Cine Sabará Folia e o desfile do Bloco Caricato Cumcomfurúnculo.
Na sexta, os tradicionais Blocos do Banho e da Dureza, com suas eternas Gatinhas, saíram às ruas do Centro Histórico. O Bloco da Dureza este ano homenageou o cartunista sabarense Son Salvador que participou do desfile e ficou super feliz com a homenagem. A Praça Melo Viana recebeu o show com a Banda 13 de Maio e a Praça da Tradição voltou para a programação do Carnaval, realizando o Baile Carnavalesco na Praça Antônio de Albuquerque.
Sábado, os blocos Zorocarmo e Sol Nascente animaram os foliões no Centro Histórico. A Passarela do Samba recebeu o desfile das Agremiações Sabarenses as quatro escolas entraram na avenida trazendo diversificados temas. A Colibri do Campo desfilou seus 30 carnavais. A Moralista do Samba mostrou na Avenida a Arte da Miscigenação; para a presidente, Janice dos Anjos, a Escola contagiou aqueles que estiveram na passarela do Samba, que cantaram e dançaram, com entusiasmo e alegria, o Samba Enredo da Moralistas. A Rancho das Flores celebrou a água grande fonte de vida, com o tema “Água Viva” e a Unidos das Vila trouxe a Aquarela Mineira, desfilando as riquezas de nossa terra, mostrando o artesanato, a cultura, o comércio, a indústria e como destaque o casal de mestre-sala e porta bandeira representavam a Festa do Divino. As escolas voltaram para avenida na segunda-feira.
No domingo e na terça-feira a Sociedade Recreativa Mirins do Samba foi para a avenida fazendo uma singela homenagem aos guardiões da alegria, do sorriso e de toda irreverência: o palhaço! Com o tema: “É doce ilusão, sonho de criança, pura emoção; de verde e vermelho pintou meu amor, hoje tem Mirins do Samba tem sim senhor!”, o bloco ressaltou que o personagem nos remete a infância, que nos faz lembrar de sustos inesquecíveis.
Dezenas de palhacinhos compunham as seis alas da Mirins do Samba contando a trajetória desse personagem tão importante na história da humanidade que teve origem na Idade Média com os famosos bobos da corte.
Blocos
No Domingo a folia começou cedo. O Bloco infantil Mamãe Eu quero saiu às 10 da manhã, 12h30 foi a vez do Sorenusa e por volta das 15h os blocos mais tradicionais invadiram as ladeias da cidade. A Chuva que persistia em cair deu uma trégua e em pouco tempo a Rua Borba Gato se encheu rapidamente de foliões e amantes do Carnaval a espera dos blocos.
O primeiro a chegar foi o Ranchão que chamou o povo à se juntar ao bloco e se desconectar. A frente como porta estandarte estava Demétrius Araújo que com orgulho trazia o bloco. Embora, sempre saia no Ranchão, o folião de 23 anos disse que pela primeira vez estava de porta bandeira e estava muito orgulhoso, ele afirmou que tem um amor verdadeiro pelo Bloco e que a energia que o Ranchão proporciona é indescritível.
Logo depois veio o Paraíso dos Moralistas. O bloco mais antigo da cidade fez uma homenagem ao “Seu” Funica, músico da Santa Cecília por mais de seis décadas e que há 60 anos toca no Paraíso Moralista. Ele disse que ficou muito feliz com a homenagem. “Faço parte há 60 anos do bloco, não são 60 dias. É muita coisa. Pra mim, isso é um prazer, é uma emoção, tenho um sentimento grande por aqueles companheiros que já se foram, mas é a roda da vida”, disse durante a concentração para o desfile.
O Paraíso ainda entoava seu “Tapa na Boca” na Borba Gato, quando avistamos a grande Piranha Mad Max chegando para alegrar a festa. Centenas de foliões participaram do desfile, as fantasias eram as mais variadas, a banda estava de Minions, referência ao filme de animação de mesmo nome, onde os personagens servem a vilões.
A frente do bloco estava Gleison Batista levando a bandeira do Piranhas do Morro que pela primeira vez carregava o estandarte, mesmo fazendo parte há mais de 20 anos. Ele diz que seu corpo chega a arrepiar só em falar do Piranhas, tamanha é a emoção em participar do bloco.
O tempo fechou, a chuva ameaçou a cair, mas antes disso o Sapatão invadiu a ladeira com centenas de foliões. A banda era composta por She-has , He-mans e até pelo Esqueleto, que não podia faltar. Estavam presentes ainda William Bonner e Maria Júlia Coutinho que mostrava o ótimo tempo em Sabará. A frente, como porta bandeira, estava Roberto Leite, um dos fundadores do Bloco há 37 anos. Que emocionado disse que nunca deixou de participar do Carnaval da cidade, mesmo morando no Pará todos os anos vem para cá carregar com emoção o estandarte do Sapatão, pois aqui é pura alegria.
O Clube dos XV chegou junto com a chuva. As mexicanas invadiram a rua trazendo muita alegria, irreverência e envolveu o ambiente com uma fumaça verde. Argemiro Ramos, um dos fundadores do bloco, trazia a bandeira do Clube dos XV. Ele afirmou que para ele o Clube dos XV representa o próprio carnaval sabarense.
Para fechar, o Tapa na Peteca chegou junto com muita chuva, mas isso não foi suficiente apara apagar a animação da galera. Pelo contrário, o bloco levantou os foliões que pularam ao som de axé e funk.
A forte chuva impediu o desfile do Liberais do Samba no domingo. Mas na segunda e na terça o bloco chegou na avenida homenageando o cinema. Chaplin e Marilyn Monroe invadiram a avenida com samba e alegria.
Folia familiar
Essa foi a sensação das pessoas que participaram do carnaval este ano na cidade. A festa foi tranquila, famílias puderam curtir o bom e velho Carnaval. Entre elas estava o casal de biólogos Frederico Neves e Jéssica Martins com a pequena Malu de apenas um ano, que curtiu o Carnaval fantasiada com os papais no Paraíso dos Moralistas. O casal que é de Belo Horizonte e tem família em Sabará diz que adora curtir a folia aqui e todos os anos, pelo menos um dia, vem para cá e não dispensam a fantasia.
Carnaval seguro
O 61º Batalhão da Polícia Militar de Sabará afirmou que este ano o Carnaval foi bem tranquilo. Segundo a Polícia Militar, a presença ostensiva dos policiais nas ruas garantiu um carnaval de paz, gerando pouquíssimas ocorrências.
Segundo o capitão Mauro Almeida de Castro, chefe da Sessão de Planejamento de Operações, o trabalho preventivo feito no início do ano garantiu a tranquilidade da festa. Em janeiro, foram apreendidas 36 armas de fogo, totalizando mais de uma arma por dia. Além disso, o número de drogas apreendidas também foi alto, apenas em uma operação foi apreendida meia tonelada de maconha, várias armas, colete a prova de balas e pinos de cocaína.
Apesar disso, um episódio violento marcou o último dia de Carnaval. Durante a festa no Centro Histórico um homem de 19 anos foi baleado com três tiros. O autor do tiro foi perseguido por policiais e preso em seguida. A vítima foi socorrida por uma ambulância da Prefeitura e levada para o Hospital João XXIII, onde até a última sexta-feira permanecia internado. Além disso, no domingo, militares prenderam um homem por porte ilegal de arma de fogo na Praça Melo Viana.
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