Na terça feira de Carnaval, 28 de fevereiro, faz 11 anos que Carlinhos Bandola, um amante da folia, partiu para o andar de cima. Ironicamente na terça-feira de Carnaval de 2006. Bem, mas para ele que gostava do samba, casa cheia e aquela cerveja gelada não poderia ser diferente, pois até a sua despedida tinha que ser em clima de festa. “O velório foi até engraçado, os amigos foram fantasiados, cada hora chegava um com uma fantasia diferente. Alguns xingavam: ‘porque morrer logo no Carnaval?’”, lembra Ducinéia de Oliveira, companheira por 30 anos da vida e dos carnavais.
Dulcinéia também é uma apaixonada pela festa e foi em um desses carnavais que o namoro com Carlinhos começou. Eles se conheceram na Moralistas do Samba, logo na sua fundação, nos idos de 1975. Ali se apaixonaram, namoraram, casaram e construíram sua família sempre no embalo de sambas e marchinhas, como conta a filha Cássia, “Nós crescemos no meio do Carnaval, aqui em casa todos gostam. Sempre fomos ao Paraíso dos Moralistas, tudo por causa da influência do meu pai”, diz.
Carlinhos foi figura marcante no Carnaval Sabarense, não só pelo seu jeito alegre e irreverente, mas por sua atuação. Sempre saiu no Paraíso dos Moralistas e tinha uma importante atuação. “O pessoal vinha aqui pra casa, aqui tinha o ‘Tapa na boca’, a cerveja e eles faziam as músicas. Era muito divertido”, lembra a esposa.
Bandola ajudou a fundar a Rancho das Fores, em parceria com Marlúcio Pereira e como não bastasse, fundou também a Moralistas do Samba, escola que Dulcinéia foi porta bandeira por quase três décadas, abandonando o cargo só após a partida do marido. Além disso, Carlinhos tocava qualquer instrumento de percussão. “Aquilo que colocava nas mãos dele ele tocava”, conta a companheira. E não parava por aí, com diversos parceiros compôs sambas e marchinhas para o Rancho e para os Moralistas.
Para Dulcinéia, todos os carnavais com Carlinhos foram especiais, não tem como destacar aquele mais marcante. A filha diz a mesma coisa, mas não se esquece do famoso vestido verde de bolas pretas que era certeiro em todos os carnavais. “Foram muitos anos com o mesmo vestido, essa recordação eu tenho”, conta.
Ele se foi, mas a festa continua. Dulcinéia diz que não sai mais como porta-bandeira, mas ainda participa dos desfiles dos Moralistas do Samba, não com o mesmo entusiasmo, já que os joelhos não aguentam mais, mas sempre dá um jeito. Já Cássia diz que gosta mesmo é do Paraíso dos Moralistas e este ano pretende cair na folia com o Bloco.
Enquanto isso, Carlinhos, como já escreveu Sérgio Alexandre, quando o carnavalesco se foi, deve está curtindo o verdadeiro Paraíso com tantos outros amantes da folia, que partiram muito cedo.
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