2ª Festa Literária de Sabará movimenta a cidade com várias atrações culturais
Durante uma semana o sabarense pôde curtir a 2ª Festa Literária de Sabará (FLIS), promovida pela Borrachalioteca, com atrações variadas, a FLIS teve como tema principal a Literatura Como Direito Humano. A cidade foi dominada por uma onda de literatura durante os sete dias de festa. Cantores, poetas, escritores, contadores de histórias e claro, livros, muitos livros, ocuparam o teatro, o museu e a praça.
A festa começou na belíssima manhã de domingo, 26 de junho, tendo como cenário o Museu do Ouro, que abriu suas portas tricentenárias para o lançamento coletivo de sete livros, além de apresentações culturais com músicas e declamações de poemas, levadas pelos Arautos da Poesia.
Entre segunda e quinta-feira o Teatro Municipal foi invadido por personagens, fantasias e muita diversão. Foram quatro dias de contação de histórias no palco do teatro que também foi estendida para algumas escolas do município, entre elas a APAE. Túlio Damascena, idealizador do evento, diz que a intenção é que na próxima edição a contação de história seja levada em um número maior de escolas do município.
O teatro recebeu ainda durante as noites de festa encontros com importantes escritores. Estiveram discutindo sobre literatura Ana Elisa Ribeiro, Léo Cunha, Ronaldo Simões Coelho, Rosana Mont’Alverne e Olavo Romano que alegrou a noite contando seus sempre deliciosos “causos”.
Na sexta-feira, em parceria com Rede de Leitura Sou de Minas,Uai, aconteceu também no teatro o seminário “Literatura Como Direito Humano”. O seminário contou com as palestras de Madu Costa que debateu o tema principal do evento; de Wagner Marije que falou sobre a literatura e o mundo digital e do ex- diretor do Livro, Leitura e Literatura do Ministério da Cultura, José Castilho Marques Netto, que levou o debate do Plano Nacional do Livro e Leitura. Túlio explica que o intuito da vinda de Castilho ao evento foi de orientar os participantes sobre o início da construção de um Plano Municipal do Livro e Leitura. “Foi muito esclarecedor, ele contribuiu muito e entregou um livro do Plano Nacional para o Executivo Municipal como forma de incentivo”, disse. Ele ressalta que o Plano Municipal é consequência do Plano Nacional que ainda está para ser votado.
Além de toda essa turma, a sexta-feira contou com a escritora homenageada da festa este ano, Neusa Sorrenti, com a palestra: “Os Desafios e Possibilidades para a Formação de Leitores”. Especializada em literatura infantil e juvenil, a escritora falou para um público de professores e incentivadores da leitura. De forma descontraída, Neusa interagiu o público presente e apresentou dicas interessantes que podem ser usadas na formação de leitores e ressaltou a importância de eventos como esse. “Eu acho muito importante que essas feiras literárias aconteçam, porque elas plantam sementes, e às vezes quando a gente planta uma semente, pouco tempo depois ela brota e com o passar do tempo essa pequena planta dá flores, frutos e vira árvore. Acho que esse tipo de evento é uma oportunidade única, tem que conclamar a cidade toda a participar, porque são raros. É fundamental também multiplicar nas escolas e bibliotecas tudo aquilo que foi discutido aqui”, disse.
O fim de semana chegou e a Praça Santa Rita foi completamente ocupada pela festa. Foram várias apresentações culturais entre elas coro infantil, grupos de danças e cantos afros, cortejo literário apresentado por grupo teatral, uma enorme variedade musical com chorinho, músicas folclóricas, congados, entre outras e muito bate papo com autores e escritores. Além disso, foram várias as oficinas de mangá, livros móveis, cordel, bonecas abayomi (bonecas de origem africana feitas de tecidos, sem nenhuma costura) entre outras.
Para Túlio a festa foi muito positiva. A literatura foi colocada em pauta, como tinha que ser. Além disso, o tema central do evento foi muito discutido. “O importante é que não fique só na festa, a ideia agora é fazer um diagnóstico das ações de leitura na cidade, com escritores, editoras e livreiros articulando com as escolas e bibliotecas e posteriormente criar um grupo de trabalho para pensar nas políticas públicas para o município”, ressalta.
Para quem perdeu essa grande festa, agora resta esperar, ano que vem tem mais. O idealizador pretende manter a data, ele acredita que uma festa literária é pertinente para abrir o calendário das festividades do aniversário da cidade e a intenção é que o evento cresça ainda mais, mas que permaneça dessa forma diversificada, como uma verdadeira salada cultural que pode ser saboreada por todos da forma mais democrática possível.
A FLIS foi uma realização da Borrachalioteca, em parceria com Laluz Produções, Sesc-MG, Instituto C&A, Museu do Ouro, Sabic, Governos Municipal, Estadual e Federal.
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