O Ministério da Saúde avalia a inclusão de dois medicamentos para tratamento de pacientes com hemofilia A no Sistema Único de Saúde (SUS). A doença é mais comum em homens, é hereditária e se caracteriza pela deficiência na coagulação do sangue, fazendo com que o paciente tenha dificuldade para estancar sangramentos.
A inclusão dos medicamentos Alfadamoctocogue Pegol e Alfarurioctocogue Pegol no tratamento de pacientes da rede pública teve recomendação favorável pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), órgão que avalia a incorporação de novos remédios. A decisão final será do ministério.
Uma audiência pública promovida pela Conitec foi realizada hoje (26) para ouvir especialistas sobre a inclusão dos medicamentos.
Na avaliação de Mariana Freire, fundadora da Associação Brasileira de Pessoas com Hemofilia (Abraphem), a incorporação dos medicamentos poderá diminuir a quantidade de infusões durante o tratamento.
Segundo Mariana, a infusão endovenosa é uma barreira ao tratamento, que é feito a partir da aplicação do fator de coagulação na veia do paciente para prevenir as hemorragias.
“Ambos [medicamentos] representam um impacto bastante positivo na rotina do tratamento das pessoas com hemofilia. A diminuição da frequência de infusões endovenosas de três para duas vezes por semana, ou de três vezes por semana para uma vez a cada cinco dias, representa muito mais do que 30% ou 50% menos infusões, representa um fardo menor no tratamento desses pacientes, uma carga emocional a menos para eles e suas famílias”, afirmou.
Na avaliação do secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde, Hélio Angotti Neto, o objeto da inclusão dos remédios no tratamento oferecido no SUS é o bem do paciente, levando em conta considerações bioéticas.
“O SUS tem a missão de integralidade e universalidade para garantir a proteção da vida e a qualidade de vida a todos brasileiros”, comentou.
Os medicamentos são produzidos pelos laboratórios Bayer e Takeda Brasil.
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