A Comissão de Desenvolvimento Regional do Senado (CDR) promoveu nesta segunda-feira (18) audiência pública para debater a qualificação profissional na área do turismo. Segundo o presidente da comissão, senador Fernando Collor (Pros-AL), o tema é considerado um dos mais importantes para o setor.
— O turismo é uma atividade desempenhada por pessoas, para pessoas. A busca pela excelência passa necessariamente pelo cuidado, pela dedicação e pelo investimento permanentes nos recursos humanos que sustentam o setor — disse o senador.
O senador lamentou que o Índice de Competitividade Turística de 2019, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, apresentou o Brasil na posição 32 de uma lista com 141 países avaliados. Para recuperar terreno, afirmou Collor, o país terá de aumentar sua mão de obra qualificada, empenhando esforços na formação e reciclagem de profissionais.
Desde 2014, o Ministério do Turismo conduz um programa de diagnóstico do estado da qualificação dos profissionais da área em todo o país. O programa é uma parceria com o Centro de Excelência em Turismo da Universidade de Brasília (CET/UnB). A diretora do CET, Marutschka Moesch, apresentou algumas avaliações e disse que o aprimoramento do turismo no Brasil dependerá de ações dedicadas às necessidades e particularidades de cada região.
— Um dos nossos maiores problemas para entender a complexidade do turismo é justamente porque o reduzimos a apenas uma atividade econômica. Se nós não tivermos as comunidades organizadas para receber os turistas (setor empresarial, setor público e as pessoas, os anfitriões), nós não teremos um turismo que seja integrador e possibilitador do desenvolvimento do nosso território.
Segundo Marutschka, 70% dos trabalhadores do setor do turismo não possuem sequer o ensino fundamental completo, o que inviabiliza qualquer tentativa de qualificação profissional que vise estabelecer carreiras e perspectivas. Ela defendeu que a Política Nacional de Turismo incorpore o objetivo de aumentar a escolaridade dentro das comunidades onde o movimento turístico acontece.
A proposta de um sistema nacional de qualificação com foco em bases territoriais foi definida quando os estudiosos perceberam que a formação de uma mesma categoria de profissional do turismo em diferentes regiões do país não obtinha resultados semelhantes, e que o papel do turismo em cada comunidade, bem como as expectativas sociais para aquela carreira, influenciavam o resultado final. O programa investigativo do ministério em parceria com a UnB definiu 30 rotas turísticas prioritárias para investimentos imediatos.
— Nós temos a participação das universidades, das prefeituras, do Sistema S, das associações, dos sindicatos, mas principalmente das comunidades, que estão dizendo que tipo de turismo elas entendem melhor para sua localidade e o que elas precisam para que assim [seus membros] possam ingressar [no setor] como trabalhadores qualificados.
A diretora de Regulação e Qualificação do Ministério do Turismo, Andrea de Souza Pinto, afirmou que a pasta aumentou sua oferta de cursos gratuitos em todo o país como resultado do diagnóstico — hoje, são mais de 20 modalidades, ressaltou ela. Andrea pediu o apoio do Congresso Nacional para manter os investimentos na área, e também para transformar o projeto desenvolvido com a UnB em uma estrutura permanente.
— É importante podermos institucionalizar essa rede, tê-la como um observatório do turismo para nós podermos utilizar melhor os recursos públicos, melhorar as ações, a destinação de emendas [orçamentárias]. O objetivo do Ministério do Turismo é, justamente, a melhor utilização de recursos públicos a serem encaminhados para fins de qualificação.
Também participaram da audiência o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih), Manoel Linhares, e o presidente do conselho regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) em Alagoas, José Gilton Lima. Ambos manifestaram prontidão para apoiar as redes locais de qualificação de profissionais do turismo e elogiaram os esforços do setor público para investir no aprimoramento dessa lacuna.
— A conhecida receptividade brasileira combina opções para todos os gostos. Nós temos mar, serra, gastronomia, temos experiências culturais, ecológicas, mas, sem a qualificação, nós não saímos em lugar nenhum. Temos que qualificar os nossos colaboradores, reinventar o setor e incrementar o mercado de trabalho. O turismo tem grande potencial ainda a ser explorado — declarou Manoel Linhares.
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