Senadores ressaltaram nesta segunda-feira (18) a importância dos profissionais de saúde no enfrentamento à pandemia de covid-19. Os parlamentares participaram de uma sessão solene remota do Congresso Nacional em homenagem ao Dia do Médico.
A senadora Nilda Gondim (MDB-PB) destacou a “incansável dedicação” dos profissionais no combate ao coronavírus. O senador Wellington Fagundes (PL-MT) lembrou que, mesmo sem a infraestrutura adequada, os médicos brasileiros dedicaram a vida ao tratamento dos pacientes.
— Mesmo sem as ferramenta necessárias, eles ocuparam a linha de frente nessa luta e trouxeram acima de tudo conforto às pessoas. Muitos, infelizmente, foram alcançados pelo vírus e não conseguiram sobreviver. A cada um dos que se foram presto aqui minhas homenagens — disse.
Autor do requerimento para a sessão solene, o senador Marcos Rogério (DEM-RO) defendeu “a autoridade e a autonomia” do médico durante a pandemia. Para ele, qualquer movimento que ponha os dois conceitos em risco “é potencialmente perigoso”. Marcos Rogério criticou a atuação da CPI da Pandemia, que investigou o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra o coronavírus.
— Politizar o tema do enfretamento da covid-19 foi um erro, especialmente no âmbito da CPI. A autoridade no trato com o paciente é do médico. Se o médico entende que naquele momento deve recomendar a adoção de medicamento A ou B, é autoridade dele. Quando a política quer chamar para si a discussão de temas que são da ciência e da prática médica, toma um caminho perigoso — disse.
O presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), César Eduardo Fernandes, também criticou o uso político da ciência. Mas ressaltou que evidências científicas não podem ser desprezadas.
— A ciência tem que ser respeitada e não pode estar a favor da politica. Os políticos têm que estar a serviço da ciência, e não a ciência a serviço dos políticos. A ciência é uma só. As verdades da ciência são temporárias e podem mudar com o tempo. Não se pode atropelar as evidências da ciência. Não se aproveitem de verdades transitórias para beneficio de qualquer corrente politica ou ideológica — afirmou.
O primeiro vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Donizetti Dimer Giamberardino Filho, reconheceu que a entidade atravessou “crises e divergências” ao longo da pandemia. O presidente do CFM, Mauro Luiz de Britto Ribeiro, chegou a defender publicamente a liberação da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento de covid-19. Para Donizetti Filho, o papel do CFM não deve ser de gestão ou planejamento de políticas públicas.
— Para além das crises e divergências que por vezes de se colocam, devemos valorizar a dimensão da institucionalidade. O papel do CFM não é o de gestão ou planejamento de politica publica de saúde. Mas sim da defesa Constituição, do fortalecimento do Sistema Único de Saúde e, sempre que necessário, da apuração e da investigação de irregularidades. Mas isso só pode ocorrer em um momento cronologicamente posterior aos fatos — disse.
O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta também participou da sessão solene. Ele disse que a principal atribuição do CFM deve ser proteger a sociedade dos maus profissionais.
— A função número um do CFM é proteger a sociedade da má prática médica. É o Conselho que dá as balizas do que é considerado ético. Deve se amparar sempre nas sociedades de especialidade e naqueles que militam dentro de áreas muito específicas, para que a gente possa ter um estado de arte na medicina brasileira — afirmou.
A homenagem foi presidida pelo deputado Dr. Zacharias Calil (DEM-GO), coautor do requerimento. O parlamentar enalteceu “o trabalho hercúleo e abnegado” dos profissionais que atuam no combate ao coronavírus.
— Quando milhões de pessoas com medo se trancavam no refúgio de suas casas, quando não havia vacina, quando a incerteza sobre o vírus era imensa e o desespero era inda maior, foi a coragem dos médicos que fortaleceu nossa linha de frente no combate ao vírus. Em meio a essa guerra ingrata contra um inimigo invisível, milhares de colegas tombaram. A dedicação daqueles que sacrificaram suas vidas no cumprimento de sua missão não será esquecida. Os milhões de vidas que eles salvaram serão um monumento vivo e perene — afirmou.
O Dia do Médico é celebrado anualmente em 18 de outubro. A data é associada pela Igreja Católica à figura de São Lucas, que era médico e é declarado padroeiro da profissão. O Senado tem sete senadores médicos: Confúcio Moura (MDB-RO), Humberto Costa (PT-PE), Marcelo Castro (MDB-PI), Nelsinho Trad (PSD-MS), Otto Alencar (PSD-BA), Rogério Carvalho (PT-SE) e Zenaide Maia (Pros-RN).
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