O Brasil tem um papel fundamental na segurança alimentar atual e futura do planeta, e o caminho para que consiga aumentar a produção passa pela tecnologia e pela diplomacia. A afirmação foi feita pelo ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Roberto Rodrigues, que participou nesta segunda-feira (23) de debate sobre “Tecnologia e Sustentabilidade”. Essa audiência pública foi a quarta parte do ciclo de debates “Agronegócio sustentável: a imagem real do Brasil”, promovido pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado (CRE).
O ex-ministro destacou que, na virada do século 20 para o 21, a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou uma discussão sobre segurança alimentar necessária para a paz dentro dos países e entre eles. A pandemia, na visão do debatedor, acentuou o problema e tornou ainda mais necessário discutir esse tema e o da sustentabilidade. As duas questões, segundo o ex-ministro, passam pelo cinturão tropical do planeta, no qual o Brasil está inserido.
— O Brasil tem todas as condições de ser o campeão mundial da sustentabilidade. Nós podemos ser campeões mundiais da segurança alimentar em dez anos. Podemos mesmo. Se alimentarmos o mundo, seremos campeões da paz — disse ele.
Roberto Rodrigues citou dados do USDA, o departamento de Agricultura dos Estados Unidos, que apontam para a necessidade de aumento de 20% na produção de alimentos nos próximos dez anos para que haja comida para todos no planeta. A previsão é de que boa parte desse aumento seja sustentada pelo Brasil.
— Para que o mundo cresça 20%, o Brasil tem que crescer 41%. É um desafio colocado de fora para dentro. É fantástico e nós precisamos estar atentos a ele para não perdermos o trem da história — alertou.
Na visão de Rodrigues, o país tem capacidade de crescer porque tem vantagens energéticas, terras disponíveis e pessoas capazes em todos os elos da cadeia produtiva. Para que consiga atingir esse objetivo, no entanto, precisaria fazer reformas que podem garantir segurança jurídica para parcerias público-privadas, ter uma política internacional forte (com atuação da diplomacia para fechar acordos) e investir em tecnologia.
Como exemplo de avanços nas tecnologias de produção sustentáveis, ele citou o Plano Agricultura de Baixa Emissão de Carbono. Esse plano inclui, entre outras ações, a recuperação de pastagens degradadas, a integração lavoura-pecuária-floresta e a fixação biológica de nitrogênio (processo no qual bactérias transformam o nitrogênio do ar em estruturas assimiláveis por vegetais). Outra ação desse programa é o sistema plantio direto, que envolve a ausência de revolvimento do solo e a cobertura com palhada.
A presidente da CRE, senadora Kátia Abreu (PP-TO), apoia esse tipo de iniciativa.
— Quando você gradeia a terra e não tem plantio direto, há muita emissão de CO2. No plantio direto, a palha fica cobrindo a terra, não deixa descoberta para não haver tanta emissão, e o plantio é feito em cima dessa palha. Sem ter que gradear a terra ainda há economia de combustível, o que é bom para o planeta — afirmou ela.
Na sua exposição, o ex-ministro também afirmou ser uma falácia a informação de que o Brasil usa muitos defensivos agrícolas. Ele disse que os defensivos não são veneno, e sim remédio para as plantas.
A presidente da CRE concordou com isso. Ela disse que, apesar de o Brasil ter aumentado o uso de defensivos desde a década de 1970, a expectativa de vida cresceu (antes da pandemia). Além disso, o Brasil tem exportado cada vez mais, e muitas dessas exportações se destinam a países com protocolos muito rígidos. Para ela, o Brasil usa esse tipo de produto na dose certa.
— O preço dos alimentos baixou, nós melhoramos a tecnologia, nós fazermos um produto de qualidade, então é isso. Nós exportamos e o mundo aceita nossos produtos porque nós aplicamos corretamente o agroquímico e estamos vivendo mais porque não estamos sendo envenenados pela comida brasileira — disse Kátia Abreu.
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