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O povo fez a festa!

O povo fez a festa!

22/02/2016 15h36
Por: Glaucia Melo Clark
O povo fez a festa!

Com cortes no orçamento para fazer um Carnaval econômico, a folia foi caseira e agradou a muitos

De Sabará para Sabará; assim foi o Carnaval deste ano. Com o objetivo de economizar e investir o dinheiro gasto na festa em outras questões mais importantes, como os desabrigados pela chuva, a cidade realizou um evento para o sabarense, feito pela própria população da cidade, mas também com as portas abertas para os turistas. O resultado foi uma festa tranquila e familiar que agradou a muitos.

Para o prefeito Diógenes Fantini o Carnaval foi fraterno, alegre, familiar e eminentemente sabarense. A Prefeitura pagou todos os atores do Carnaval, Escolas de Samba, Blocos Caricatos e bandas que fizeram os shows. “Nós gastamos o dinheiro aqui, com os sabarenses. Queremos melhorar esse tipo de contrato e participação”, ressalta.

A festa também agradou aos moradores da cidade. O contador Edson Braga é um deles. Ele diz que a festa deste ano estava muito boa, um verdadeiro carnaval de raiz, de pessoas conhecidas. Para o contador, aqui acontece o melhor carnaval do interior de Minas.

A auxiliar administrativa Nice Maria de Oliveira, ressalta que quando o Carnaval é maior, com grandes shows, é bom para a cidade, pois divulga e movimenta a economia através dos turistas, mas como este ano estamos passando por alguns problemas, o mais certo era fazer como foi feito. “Ficou um carnaval familiar, onde a gente encontra muitas pessoas que não encontramos no decorrer do ano. Além disso, a festa dessa forma resgatou a cultura carnavalesca da cidade”, diz.

Embora tenha sido uma folia para a família não quer dizer que tenha sido desanimada. A alegria e a animação do folião sabarense agitaram a cidade durante os cinco dias de festa e ninguém ficou parado. Foram vários blocos, bandas e escolas de samba que levantaram o folião.

Ainda na sexta-feira de abertura oficial da folia; no palco principal que foi montado na Praça Melo Viana, foi escolhido o Rei Momo e a Rainha do Carnaval Sabarense. Em seguida foram para as ruas os blocos do Banho e Dureza e para agitar a festa a Velha Guarda do samba subiu ao palco.

Diversas barraquinhas em todos os pontos da festa não deixaram os foliões passar fome e sede, muitas variedades eram vendidas, desde o famoso feijão tropeiro e o pão com pernil, até a caprichada caip-fruta de vinho ou whisky. A festa contou ainda com shows de artistas locais que aconteceram todos os dias em diferentes pontos da cidade.

Na passarela

do samba

No sábado, as 19h30, todas as arquibancadas montadas no Largo do Barão ficarão lotadas para receber o desfile das Escolas de Samba de Sabará.

Um atraso de quase uma hora não esfriou os foliões; por volta das 20h50 a Escola de Samba Unidos da Vila já coloria o Largo do Barão nas cores azul e rosa. Com o samba enredo “Clareia Clareou” a escola fundada em 1981 homenageou a artista Clara Nunes. O carro abre-alas trouxe a águia azul em referência a Portela – Escola de Samba de coração de Clara Nunes. O desfile da Unidos contou com 350 componentes e marcou a despedida do Mestre, Wesley Sete, que comandou a bateria da escola por dois anos.

“Eu já fiz o que tinha que fazer nestes 25 anos que vivi o Carnaval sabarense. Está na hora de passar a bola para rapaziada que tem fôlego para novidades. Estou apresentando dois novos mestres de bateria para a cidade que é o Alexandre Alex e o João Sete; então sei que eles vão dar continuidade neste trabalho maravilhoso. Nossa bateria este ano vem ainda mais legal e com muitas novidades, acredito que será um ótimo desfile de despedida”, disse Wesley ainda na concentração para o desfile.

A segunda a desfilar foi a tradicional Sociedade Recreativa Marlúcio Pereira – Rancho das Flores. Para o Carnaval 2016, a escola fez um mergulho na arte barroca e levou para a passarela pérolas da arte oriental presentes na decoração da Igrejinha de Nossa Senhora do Ó. Foram 23 alas com cerca de 400 integrantes no total. Dragões chineses coreografavam a comissão de frente e a musa da escola tinha em sua fantasia a Apologia ao Barroco. A bateria também veio com trajes chineses e agitavam a avenida. Tudo foi pensado para que o público entendesse cada detalhe da história apresentada.

Centenas de turistas curtiam cada momento do evento; como um grupo de amigos que vieram de Arujá, interior de São Paulo, para ver pela primeira vez o Carnaval de Sabará; e ficaram encantados com tudo que era apresentado na avenida. “Eu não sabia que esta festa era tão bonita, quero voltar todos os anos. Os desfiles das escolas são lindos, a cidade é maravilhosa”, disse Ivonete Santos. “É a segunda vez que venho na cidade, quando estive aqui pela primeira vez tomei a água da fonte, agora como diz a lenda, não saio mais daqui. Este carnaval é ótimo, pois temos mais segurança e tranquilidade do que em outras cidades”, analisou Édson de Jesus, também de São Paulo.

A terceira a desfilar foi a Colibri do Campo; foram cerca de 200 integrantes. A escola falou sobre “As duas faces da vida: O bem e o mal”. Personagens como bruxas e anjos, demónios e fadas, ajudavam a clarear o enredo. O carro abre-alas fazia referência ao Jardim do Éden, com uma pintura de Adão e Eva e as serpentes do primeiro pecado do mundo.

Quem fechou o sábado de desfiles foi a Moralistas do Samba. A escola fundada em 1975 trouxe como tema em seu Carnaval 2016 um questionamento: “Vaidade é o maior pecado da humanidade?”. Com 300 integrantes a Moralistas trouxe em suas alas e alegorias, deuses e demônios, além de diversos elementos que mexem com a vaidade das pessoas.

Há dois anos como presidente da Moralistas do Samba, Henrique Horta disse que a escola resolveu questionar o público com seu tema, para que este pudesse se divertir com o desfile. Ele diz que o atraso no evento não apaga o brilho da festa, mas prejudica a organização das agremiações. “Estamos entrando na avenida quase uma hora da manhã, nosso horário seria por volta das 23h. Tradicionalmente a Moralistas preza pela organização e respeito; infelizmente ano após ano diversas escolas vêm pecando com a nossa festa. Não respeitam horários e desorganizam o desfile. Hoje o evento começou com um atraso de 46 minutos. Claro que isso não apaga o brilho da festa, mas prejudica a organização do nosso carnaval”, ressaltou.

Após os desfiles, ainda no palco da Praça do Barão, o cantor Lessinho Mississipi encantou o público. Enquanto isso, do outro lado da cidade, milhares de foliões dançavam ao som das marchinhas. As escolas desfilaram novamente na segunda-feira de festa.

Alegria, criatividade

e irreverência

No domingo a festa começou cedo, às 10 da manhã. A criançada caiu na folia com diversas fantasias animadas pelo bloco Mamãe, eu quero!

À tarde foi a vez de botar os blocos caricatos na rua. Como não poderia ser diferente, a política nacional ganhou destaque nos blocos, seja entre as fantasias ou como um dos temas principais. O Sapatão trouxe uma pizzaria com seus pizzaiolos mostrando que aqui (no Brasil) tudo acaba em pizza. Foi no bloco também que encontramos com José Dirceu e Nestor Cerveró e ainda, Dilma e Lula algemados; uma mesma pessoa representava os dois presidentes. Além disso, o bloco levantou um importante tema para a cidade: a situação da Escola Estadual Paula Rocha que há três anos está fechada para reforma, mas nada acontece.

Os foliões vestidos de estudantes protestavam ainda contra a nova decisão do estado de transferir os alunos que estão na E.E. Zoroastro Viana Passos para a Bilú Figueiredo. O Tangará sabarense Marquês de Sapucaí também foi lembrado. Pegando o gancho nas Olimpíadas o bloco trouxe uma equipe de nado sincronizado, mas o que se lia na falsa piscina que desfilou era: “Brasil, nada sincronizado”.

E por falar em jogos Olímpicos esse foi o tema do Ranchão. A bateria vestia camisas referentes ao tema e os foliões misturaram fantasias super interessantes.

O Piranhas do Morro brincou com vários personagens. O símbolo do bloco veio vestido de Frozen, a mais famosa personagem da Disney dos últimos tempos. Além da Piranha, vários integrantes se fantasiaram da personagem que tem poderes congelantes. A Escolinha da “Piranha Raimunda” foi para o desfile com os inesquecíveis Seu Boneco, Galião Cumbica, Patropi, Paulo Cintura e outros.

O Paraíso dos Moralistas não trouxe um tema específico, mas com a famosa marchinha “Tapa na Boca” levantou os foliões por onde passou e o que pudemos ver foi uma mistura de fantasias que transbordava criatividade: índias, cozinheiros do Master Chef e até árvores.

O Clube dos XV veio recheado de chineses ou seriam chinesas? O bloco que tem apenas uma mulher em sua formação, baseado na música de Wesley Safadão cantou o orgulho de fazer parte do clube.

E já no cair do dia o Bloco Tapa na Peteca chegou com a animação de sempre.

Além dos blocos, por onde andávamos víamos nas ruas as fantasias tradicionais como havaianas, cangaceiros, prisioneiros, índios, palhaços, bruxas, super heróis, árabes, marinheiras, melindrosas e até um casal vestido de pula pirata, antigo brinquedo da Estrela. Este ano os famosos “emotions” as carinhas usadas na WatsApp, também viraram fantasias. E mais uma vez o que reinou foram a alegria, irreverência e criatividade.

O dia foi embora, mas a festa continuou. Na passarela do Samba desfilaram os blocos Mundo Velho, Mirins do Samba e Liberais do Samba. A cidade viveu um carnaval como há tempos não se via - de Sabará para Sabará; como economia e muita alegria, afinal, a folia não pode parar.

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