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Educação PLANO B

Improviso na educação

Improviso na educação

23/02/2016 10h08
Por: Glaucia Melo Clark
Improviso na educação

Secretaria de Estado de Educação recua na decisão e alunos voltam para Zoroastro

Após uma semana agitada, com discussão entre pais e representantes da Secretaria de Estado de Educação, manifestação nas ruas com abuso de policiais que jogaram spray de pimenta em pais e alunos, e reunião na Cidade Administrativa com chefe de gabinete da Secretaria, finalmente chegou-se a um acordo e os pais dos alunos da Escola Estadual Paula Rocha conseguiram o que queriam; a volta de seus filhos para a E.E. Professor Zoroastro Vianna Passos.

Na quinta-feira,18, a Secretaria de Estado de Educação reuniu-se com os pais de alunos e professores para novamente tratar do assunto e apresentou uma proposta que foi aceita por todos. A coordenadora das Superintendências Mara Cristina propôs que os alunos permaneçam pelos próximos 15 dias na E.E. Bilu Figueiredo, tempo necessário para que pequenas reformas sejam feitas na E.E. Zoroastro Vianna Passos, para novamente receber os alunos. O objetivo é melhorar dentro do possível as instalações do Zoroastro para que os alunos tenham mais conforto.

Mara Cristina explicou aos presentes que a decisão de transferir os alunos para a E.E Dona Bilu Figueiredo foi na tentativa de proporcionar maior comodidade aos estudantes e admitiu que a Secretaria errou em não ouvir os pais anteriormente.

A coordenadora ainda foi enfática ao dizer que não existe nenhuma possibilidade de acabar com a Escola Paula Rocha. “Hoje não existe nenhuma intenção da Secretaria em fechar a escola”, afirmou.

Ela ressaltou que a Secretaria tem o compromisso de manter os pais e a comunidade escolar informados sobre o passo a passo da reforma do prédio e propôs que uma comissão seja criada para acompanhar o desenvolvimento das obras.

Em relação ao processo de reforma e restauro, após três anos e meio, finalmente toda documentação foi aprovada pelos órgãos competentes, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural e Natural de Sabará. A aprovação foi no dia 12 de fevereiro, o projeto se encontra agora no Departamento de Obras Públicas (Deop) e o próximo passo é abrir o processo de licitação.

Entenda o caso

O primeiro dia letivo dos alunos e corpo docente da Escola Estadual Dona Bilu Figueiredo começou agitado.

Os estudantes da Escola Estadual Paula Rocha, fechada há três anos para reforma, estavam estudando na Escola Estadual Professor Zoroastro Vianna Passos. Porém, uma nova ordem da Secretaria de Estado de Educação decidiu que esses alunos fossem transferidos para a Bilu Figueiredo, o que causou tumulto e revolta dos pais logo na segunda-feira de volta às aulas.

Na porta da instituição, dezenas de pessoas protestavam contra a mudança. José Geraldo, pai de um dos alunos transferidos, acredita que os estudantes da Paula Rocha estão “jogados na cidade”. “Nós não fomos avisados sobre a transferência. Eu fiquei sabendo por que liguei antes na Zoroastro e me falaram que meu filho viria para a Bilu. Não podemos aceitar isso”, disse.

Revoltada, dona Claudete Pereira convocava todos os pais para protestar e unir forças contra a mudança. “Nem um bilhete nos foi enviado falando que nossos filhos seriam transferidos de escola. E quem mora longe, como vai ser? Temos que reagir”, questionou.

Segundo outros pais, na E.E. Bilu Figueiredo ninguém sabia dar informações sobre a mudança e nenhum funcionário da escola se manifestou enquanto os pais questionavam a mudança, já dentro do colégio,

“Estamos aqui correndo atrás dos direitos dos nossos filhos. Todos os pais têm que se opor a essa nova mudança. Queremos um prédio para nossos filhos estudar; vamos todos protestar contra esse descaso”, dizia Rogério Laje.

Durante a confusão, representantes da Secretaria de Estado de Educação assim como um carro da guarnição da Polícia Militar estiveram na escola. Segundo a superintendente estadual de ensino - diretora educacional do Metropolitana A, responsável pelas Escolas Estaduais na região de Sabará, Idalina Franco Oliveira, há seis meses ela vem procurando prédios que poderiam ser alugados para comportar os estudantes da Paula Rocha, até que a escola pudesse ser reformada. Porém, segundo ela, as negociações foram barradas pela Prefeitura de Sabará.

“Estamos há meses buscando alternativas para garantir o ensino desses alunos, e trazê-los para o Bilu foi a ‘saída’ mais interessante neste momento. Estávamos alugando uma creche aqui na cidade, que seria um prédio ideal para os estudantes da Paula Rocha; porém, há duas semanas o prefeito barrou o nosso trabalho, nos deixando sem tempo até mesmo de avisar aos pais”, alegou.

Ainda de acordo com a diretora educacional, o Estado tem documentos que comprovam que um imóvel seria alugado. “Temos em mãos os contratos que afirmam nossa intenção em alugar um novo espaço para os alunos, porém o prefeito não quis; já que existe um Comodato entre a prefeitura e a administração do prédio que seria usado. Seriam pagos um valor de 16 mil reais mensais pelo aluguel do espaço” afirmou.

Segundo Idalina Oliveira, a decisão de transferir os alunos para a Bilu foi tomada como medida de emergência, já que a maior preocupação seria adequar os estudantes em salas de aula para que pudessem dar início ao ano letivo. “Temos aqui na Bilu dez salas ociosas e próximas a quadra, serão ainda construídas mais três salas de aula. Aqui os estudantes serão bem atendidos até que seja reformada a escola Paula Rocha. Temporariamente os alunos vão estudar em laboratórios, sala de matemática e biblioteca”, disse.

Sobre a reforma da Escola Estadual Paula Rocha, a superintendente disse que é um problema que vem se arrastando desde o governo passado e afirmou ainda que as obras no prédio começam ainda neste ano.

A PREFEITURA

O secretário de Educação do município, Jessé Batista, afirma que realmente houve o interesse de alugar um prédio no município para abrigar os alunos. Ele explica que o imóvel pertence ao Grupo das Samaritanas – Casa da Criança Professor Siqueira, instituição presidida por Alexandre Corradi, que funciona no bairro Paciência. Segundo o secretário, existia um convênio entre a Prefeitura e a Instituição para ceder um dos prédios (são dois), que seria utilizado pela Rede Municipal de Ensino, mas quando surgiu o interesse do Estado pelo prédio, o contrato entre Prefeitura e o Grupo Samaritana foi desfeito, liberando dessa forma o imóvel para ser alugado para o Governo Estadual.

Alexandre Corradi explica que chegou a negociar o espaço com o Estado, mas a superintendente, Idalina Oliveira, havia dito que a direção da Escola Paula Rocha não achava o local a melhor opção para os alunos. Ainda de acordo com Alexandre, Idalina disse que optaria pelo “plano B”, foi então que ficou decidida, pelo Estado, a transferência dos alunos para a E.E. Dona Bilu Figueiredo.

O secretário de Governo, Moacir Barbosa, afirma que o desacordo aconteceu principalmente em relação ao transporte para os alunos. Segundo ele, a negociação proposta pela superintendente era que o Estado pagaria o aluguel do imóvel, mas a Prefeitura ficaria responsável pelo transporte, Idalina confirmou a informação. O secretário explica que a Prefeitura não poderia arcar com o transporte de mais de 500 alunos do Ensino Estadual, pois a verba destinada para o serviço é apenas para atender os alunos da Rede Municipal, não podendo ser desviada para os estudantes do Estado.

O prefeito Diógenes Fantini acrescenta que tentou negociar com a superintendente que o Município faria o transporte desde que fosse ressarcido, mas não houve acordo. O prefeito afirma que desde que assumiu o governo está batalhando para a reforma da Paula Rocha e que inclusive a Prefeitura se dispôs a realizar a restauração do prédio, o que não foi aceito pelo Estado. “A Prefeitura sempre foi a favor dos estudantes e dos pais e eles não quiseram ser transferidos para o Paciência, aceitamos a decisão. Acho que eles devem ser ouvidos.Eles estão em um sofrimento muito grande. É lamentável ver a situação da escola Paula Rocha, a primeira de Sabará, enquanto o Estado anuncia verba para reforma de outras escolas”, completou.

ESTUDANTES INSATISFEITOS

Os alunos também não querem frequentar a E.E Dona Bilu Figueiredo. Jussara dos Santos está no 8º ano e diz que o que mais deseja é a reforma da Paula Rocha, mas como no momento é impossível, o melhor seria continuar no Zoroastro Vianna Passos.

Já a estudante Flávia Luíza de Almeida que está no 9º ano afirma que as salas de aula da Bilu são pequenas e não têm ventilação alguma e também prefere permanecer no Zoroastro.

PROTESTO GANHOU AS RUAS

Depois de muita confusão nada ficou decidido. A superintendente deixou a Escola dizendo aos pais que a partir da terça-feira, 16, os alunos da E.E Paula Rocha poderiam ir para E.E Bilu Figueiredo normalmente, quando as aulas se iniciariam. Mas a maioria dos pais presentes afirmou que não deixaria os filhos irem para a escola, além da falta de estrutura, eles temem pela segurança dos filhos, já que existe uma rixa entre os estudantes.

Como não houve decisão pais e alunos foram para as ruas. A Avenida Vitor Fantini foi fechada pelos manifestantes. Para acalmar os ânimos a Polícia Militar interveio utilizando spray de pimenta.

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