Com madeiras e ferragens podres, pontilhão histórico apresenta riscos para pedestres
Poderia ser um cartão postal da cidade, mas não é! A Ponte Ferroviária sobre o Rio das Velhas, ou Pontilhão de Sabará como é popularmente conhecida, já carregou muitas histórias. Não se sabe ao certo quando o monumento foi construído, alguns registros mostram que a ponte já estava ativa em 1936, já outros documentos apontam sua construção em 1908 pela extinta Companhia Estrada de Ferro Espírito Santo a Minas, que antes se chamava Estrada de Ferro Sabará a Santa Bárbara.
O monumento está localizado logo no início do bairro Paciência, sobre a Avenida Alberto Scharlê, que liga Sabará à Nova Lima. O Pontilhão era utilizado para acesso e passagens de trens de passageiros e depois passou a ser utilizada para transporte de cargas. Hoje, o local é sinônimo de abandono.
A estrutura sofre com a ação do tempo e com a falta de educação de muitos que passam pelo local. Na “cabeceira” dos dois lados da ponte, o mato cobre o que restou da linha férrea. As valas que ficam tanto do lado esquerdo quanto do direito, transbordam de lixo que vai desde garrafas pet, sacolas e caixas, até preservativos usados – já que segundo a comunidade o local também é ponto de encontros durante a noite.
O perigo maior está no piso onde passam os pedestres, a ferragem está enferrujada e soltando, o corrimão da parte interior já está quebrado e metade foi arrancada por vândalos e não há iluminação no local e nem nas proximidades, trazendo ainda mais perigo para quem utiliza a ponte para travessia.
O Sr. Eustáquio S. mora no bairro Morro da Cruz; devagar, ele conclui a travessia que conta fazer apenas de vez em quando, normalmente prefere passar pela Avenida embaixo da ponte, mesmo aumentando seu trajeto. “Esse pontilhão está em péssimo estado; acredito que com o tempo a Prefeitura vai acabar tirando essa estrutura já que por aqui não passam mais trens. Esse local oferece perigos a nós, pedestres. O piso está podre, se alguém tropeçar vai cair lá embaixo”, disse.
Euler da Conceição mora no Centro, mas utiliza a ponte pelo menos três vezes por semana; ele conta que não arrisca passar no local à noite devido à falta de iluminação. “É uma pena, pois poderia ser tão bonita para a cidade. O pontilhão está sempre sujo, cheio de lixo e mato nas cabeceiras; as madeiras dos trilhos estão podres. Não tem iluminação e por isso as pessoas utilizam o local para usar drogas. Não há fiscalização”, relata.
Maria do Rosário mora no bairro Paciência há mais de 20 anos. Ela diz que o monumento poderia ser um dos cartões postais da cidade. “Assim como as igrejas, essa ponte também é reconhecida por quem passa por Sabará. No natal ou em festas seria bacana se ela fosse enfeitada. Poderiam asfaltar para que possamos fazer caminhada sobre ela. Como não é uma rua para carros, a administração pública não se importa”, diz.
Segundo a assessoria de comunicação da Prefeitura, a Ponte Ferroviária sobre o Rio das Velhas foi tombada como Patrimônio Histórico Municipal desde 2002.
O último Laudo Técnico de Estado de Conservação realizado pela Secretaria Municipal de Cultura, em 7 de novembro de 2014, apontou que a ponte “está em Regular estado de conservação sem manutenção preventiva e/ou corretiva. A estrutura encontra-se em estado de degradação e moderadamente ruim. Ações de manutenção, conservação e restauro são necessárias para valorização e integridade do bem cultural”.
Assim como apontado pelos pedestres, o Laudo identificou a falta de alguns troncos que formam os trilhos da ponte, outros estão ressecados ou podres; assim como problemas no piso para travessia. “A chapa da passarela apresenta integridade da peça, mas com oxidação generalizada e corrosões em diversos pontos, o que pode provocar acidente aos pedestres”, aponta o Laudo.
Ainda segundo o documento as vias próximas ao monumento estão em boas condições de tráfico, mas “não há placas que orientem o acesso à Ponte Ferroviária. Nem mesmo são encontradas placas turísticas com informação do bem tombado. A vegetação do entorno obstrui a visualização panorâmica da ponte, além de tornar o ambiente propício para acúmulo de sujidade ou lixo, conferindo um aspecto de abandono do local. A área é merecedora de um projeto paisagístico”.
De acordo com a comunicação da Secretaria de Cultura, no geral, o Pontilhão não apresenta graves problemas estruturais, porém, demanda sim de ações de manutenção, conservação e/ou restauração. O órgão irá providenciar uma nova vistoria ao local para verificar o atual estado do monumento e assim elaborar uma proposta para a manutenção do Pontilhão e arredores.
Mesmo com as constatações do perigo aos pedestres, até no dia do fechamento desta edição, o Pontilhão de Sabará continuava sendo usado pela comunidade.
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