
Quando entramos no Cemitério Municipal da cidade a primeira impressão que temos, além da paz, que normalmente é transmitida por esses lugares, é que o local está bem cuidado, mas se caminharmos um pouco mais, podemos perceber que o cemitério está na sua maioria coberto por muito mato. Quanto mais caminhamos, maior percebemos o abandono.
Nos corredores entre os túmulos o capim está muito alto e em algumas partes não sabemos distinguir onde é corredor, onde é cova.
De acordo com o coveiro Milton Mathias de Souza que trabalha no local há 31 anos, o grande problema do mato alto é a falta de um remédio que usado nas plantas evita que elas cresçam. Segundo ele, a Prefeitura alegou que o produto está em falta. O coveiro diz que a última vez que usaram o remédio no cemitério foi em outubro de 2014, na véspera do Dia de Finados, em 2 de novembro. Questionado se não seria possível realizar uma capina da forma tradicional, eles disseram que só fazem o trabalho de limpeza depois que o produto é jogado.
Além do capim alto, o cemitério apresenta outros problemas. O também coveiro Daniel Souza diz que atualmente não existe mais espaço para colocar ossos no ossuário. Segundo ele, o compartimento chegou ao limite, e os coveiros estão sendo obrigados a colocarem os ossos em sacos plásticos e guardá-los em gavetas que estão à venda.
Eles explicam que os ossos vão para o ossuário, depois que o caixão é retirado para que outras pessoas da família possam ser enterradas no local. Nessa troca também existe outro problema, não tem um carro preparado para recolher restos de caixões e roupas que ficam nas covas. Os coveiros dizem que são obrigados a queimarem esse material o que não é o correto. De acordo com Milton, ele deveria ser recolhido e incinerado em local apropriado.
Apesar de toda essa situação, existe mais um grave problema que preocupa ainda mais os coveiros: a insegurança. Eles contam que não tem vigia no cemitério, por isso os atos de vandalismo são frequentes, principalmente em dia de festa na cidade. As pessoas roubam cruzes, imagens que ficam sobre as covas e até ossos. O medo maior é que o arquivo, onde está registrado todas as o pessoas que foram enterradas no local seja levado. Além disso, os coveiros contam que no ano passado o cemitério foi roubado duas vezes. Bandidos entraram, levaram televisão, alguns pertences dos funcionários e até seus uniformes, por isso, estão sem até hoje.
Além de uniformes, eles dizem que faltam muitos materiais para o trabalho, como ferramentas e até areia e cimento para a realização de sepultamento. Eles reclamaram também do adicional de insalubridade que foi reduzido de 40% para 20%. Já em relação aos EPI’s (Equipamento de Proteção Individual) eles dizem que o material está completo.
Prefeitura
De acordo com a Prefeitura, a capina é realizada periodicamente no cemitério. A Secretaria de Meio Ambiente informou que a próxima capina já está programada para os próximos dias.
Em relação ao ossuário, a Prefeitura informou que a solução seria construir um novo. Por isso está sendo feito um estudo para verificar a viabilidade desta obra no cemitério.
Já sobre a falta de local para incinerar os restos de túmulo, como roupas e caixões, a prefeitura afirmou já está providenciando um veículo apropriado que recolherá este lixo periodicamente.
Sobre a segurança, fomos informados que a contratação de qualquer servidor público deve ser precedida de aprovação em concurso, conforme descrito na Constituição Federal de 1988. O município está impedido de realizar contratação direta de pessoal, motivo pelo qual, não há, neste momento, possibilidade em "contratar" um vigia. Contudo, informou que será realizado um novo concurso público ainda este ano.