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Sabará: filhas denunciam primo por agressões e suspeita de abuso sexual contra a própria mãe

Vítima teria perdido a consciência após ingerir substância oferecida pelo suspeito; família questiona atendimento na UPA de Sabará, e Secretaria Municipal de Saúde informa que abriu apuração técnica

Por: Glaucia Melo Clark Fonte: FOLHA DE SABARÁ
16/09/2026 às 15h38
Sabará: filhas denunciam primo por agressões e suspeita de abuso sexual contra a própria mãe
REPRODUÇÃO - TV BAND

As filhas de uma moradora de Sabará, denunciaram um parente da família por suspeita de agressão física e violência sexual contra a mãe. Segundo o relato das familiares, o homem havia se aproximado recentemente da vítima após pedir ajuda e estava morando na parte superior do imóvel havia menos de um mês.

O caso teria ocorrido entre domingo (6) e segunda-feira (7) de setembro. As acusações foram relatadas pela família em entrevista à TV Band.

Devido à natureza do caso e para preservar a vítima, a Folha de Sabará não divulgará os nomes dos envolvidos.

Mulher teria perdido a consciência após ingerir substância

De acordo com as filhas, o suspeito teria oferecido à mulher uma substância descrita pela família como um medicamento ou possível droga. Após ingerir o produto, ela teria perdido a consciência.

Ainda conforme o relato familiar, a vítima afirma ter acordado somente no dia seguinte, sem roupas e ao lado do suspeito, sem conseguir se lembrar claramente do que teria ocorrido durante o período em que permaneceu desacordada. Diante da situação, as familiares passaram a suspeitar também de possível violência sexual.

Ferimentos fizeram filhas desconfiarem de versão sobre queda

Inicialmente, segundo as filhas, a mulher teria afirmado que os ferimentos eram consequência de uma queda. A família acredita que ela teria evitado contar o que aconteceu por medo, vergonha e receio da exposição.

A versão, no entanto, despertou desconfiança diante da quantidade e da gravidade das lesões apresentadas. Segundo as familiares, a mulher estava com hematomas pelo corpo, cortes, inchaço nos pés e três ferimentos na região da cabeça. Após conversar novamente com as filhas, ela teria relatado o que conseguia recordar do episódio.

Família questiona atendimento na UPA de Sabará

A vítima procurou inicialmente atendimento em uma unidade de saúde e, posteriormente, foi encaminhada à UPA de Sabará. A família também levanta questionamentos sobre o atendimento prestado na rede municipal. Segundo as filhas, elas não teriam sido comunicadas sobre a situação da mãe e teriam tomado conhecimento de que ela estava recebendo atendimento por intermédio de uma conhecida.

As familiares afirmam ainda que, naquele momento, a vítima não teria recebido medicação profilática relacionada à suspeita de violência sexual. A família também relatou que a polícia não teria sido acionada pela unidade de saúde.

Secretaria de Saúde abre apuração técnica

Em posicionamento sobre o caso, a Secretaria Municipal de Saúde de Sabará informou que os protocolos específicos relacionados à violência não teriam sido acionados durante os atendimentos porque, segundo a pasta, a paciente não declarou naquele momento ter sido vítima de agressão.

A Secretaria informou ainda que determinou apuração técnica imediata para verificar os procedimentos adotados e a conduta das unidades envolvidas no atendimento.

A situação levanta uma questão importante porque o próprio Ministério da Saúde reconhece que vítimas nem sempre relatam espontaneamente episódios de violência durante consultas, inclusive por medo, vergonha ou estigma.

Segundo as orientações nacionais, o atendimento a pessoas em situação de violência sexual pode envolver acolhimento, registro da história, exames, coleta de vestígios, contracepção de emergência quando indicada, profilaxias contra HIV, outras infecções sexualmente transmissíveis e hepatite B, além de acompanhamento psicológico e social.

Nos casos em que existe indicação para Profilaxia Pós-Exposição ao HIV (PEP), o Ministério da Saúde orienta que o tratamento seja iniciado o mais rapidamente possível e em até 72 horas após a exposição.

A violência sexual também integra os casos de notificação compulsória imediata à autoridade de saúde, procedimento de caráter sanitário que não se confunde com o registro de ocorrência policial.

Filhas procuram Delegacia da Mulher de Sabará

Após tomarem conhecimento do relato da mãe e da extensão dos ferimentos, as filhas procuraram a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Sabará. Segundo a família, foram adotadas providências para o registro da ocorrência, realização de exame de corpo de delito e pedido de medidas protetivas de urgência.

A existência da Deam em Sabará também é confirmada pela Polícia Civil de Minas Gerais em registros oficiais de outras investigações conduzidas pela unidade. Até a manhã desta quarta-feira, 16 de setembro, não foi localizada, nas consultas realizadas pela reportagem aos canais públicos da Polícia Civil de Minas Gerais, nota específica atualizando a situação deste caso ou informando eventual prisão do suspeito.

Família relata ameaças após episódio

Em entrevista à TV Band, as filhas afirmaram ainda que o suspeito teria histórico de episódios de violência contra mulheres.

Segundo elas, mesmo depois do ocorrido, o homem teria continuado circulando pelo bairro e fazendo ameaças e comentários em tom de deboche relacionados à situação. Essas afirmações são relatos da família e deverão ser apuradas pelas autoridades responsáveis pela investigação.

A Folha de Sabará acompanhará o caso e atualizará esta reportagem caso sejam divulgadas novas informações oficiais pela Polícia Civil, pela Prefeitura de Sabará ou por outros órgãos envolvidos.

Como denunciar violência contra a mulher

Mulheres em situação de violência ou pessoas que tenham conhecimento de casos podem procurar os órgãos de segurança e a rede de proteção.

O Ligue 180, do Ministério das Mulheres, funciona gratuitamente 24 horas por dia, todos os dias da semana, oferecendo orientação e recebendo denúncias. Em situações de emergência ou risco imediato, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.

Em Minas Gerais, determinados registros relacionados à violência doméstica também podem ser solicitados pela Delegacia Virtual, incluindo ameaça, vias de fato ou lesão corporal e descumprimento de medida protetiva.

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