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Parque Estadual do Rio Doce cria primeiro Plano de Pesquisa de Unidade de Conservação de Minas Gerais

Documento fortalece a integração entre ciência e gestão ambiental e servirá de referência para outras unidades de conservação do estado

11/06/2026 17h56
Por: Glaucia Melo Clark Fonte: Secom Minas Gerais
IEF / Divulgação
IEF / Divulgação

O Parque Estadual do Rio Doce (PERD), administrado pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) , tornou-se a primeira unidade de conservação estadual de Minas Gerais a contar com um Plano de Pesquisa estruturado. A iniciativa representa um marco para a gestão ambiental mineira ao fortalecer a integração entre a produção científica e as ações de conservação, manejo e proteção da biodiversidade.

Reconhecido como o maior remanescente contínuo de Mata Atlântica do estado, o PERD abriga diversas espécies da fauna e da flora ameaçadas de extinção e integra uma das três maiores áreas úmidas do Brasil. Essas características transformaram o parque na unidade de conservação mais pesquisada de Minas Gerais, atraindo, ao longo das últimas décadas, pesquisadores de diferentes instituições e áreas do conhecimento.

A pesquisa científica desempenha papel estratégico na conservação ambiental, contribuindo para a identificação de espécies raras, a compreensão das relações ecológicas e a avaliação dos impactos do entorno sobre os ecossistemas protegidos. Apesar da extensa produção científica já desenvolvida no parque, a gestão da unidade identificou a necessidade de ampliar a conexão entre os estudos realizados e a tomada de decisões voltadas à conservação.

Segundo a analista ambiental do IEF, Nilcemar Bejar, a elaboração do plano representa um avanço importante para a gestão das unidades de conservação mineiras. “Além de organizar e direcionar a produção científica dentro do parque, o documento estabelece uma metodologia que poderá servir de referência para outras unidades de conservação do Estado, fortalecendo a integração entre pesquisa, gestão e conservação da biodiversidade”, destaca.

O Plano de Pesquisa foi desenvolvido por meio de uma parceria entre o IEF e o Instituto Ekos Brasil. O trabalho envolveu um amplo diagnóstico das pesquisas realizadas no parque, permitindo identificar os temas mais estudados e as lacunas de conhecimento que ainda demandam investigação científica.

A construção do documento contou com a participação de pesquisadores, representantes de órgãos ambientais e empresas da região que desenvolvem atividades de monitoramento e pesquisa. As contribuições foram reunidas durante o Workshop de Elaboração do Plano de Pesquisas, realizado no âmbito do III Seminário de Pesquisas Integradas do PERD.

Durante três dias de debates, os participantes discutiram estratégias para aprimorar a divulgação científica, a gestão dos dados produzidos pelas pesquisas e a definição de prioridades para futuras investigações relacionadas ao parque e ao seu entorno.

Após a consolidação das contribuições recebidas, o plano passou a orientar as atividades científicas desenvolvidas na unidade. O documento estabelece diretrizes para aspectos normativos, administrativos, logísticos, educativos e de manejo, além de orientar a construção, a gestão e a divulgação do conhecimento científico gerado no território.

Entre os avanços previstos está o fortalecimento da comunicação dos resultados das pesquisas com a sociedade, ampliando o acesso às informações produzidas e contribuindo para a conscientização ambiental da população.

O plano também define objetivos, fluxos e boas práticas para a realização dos estudos. Como complemento, foi elaborado o Manual do Pesquisador, material que reúne orientações de forma mais acessível e objetiva para os profissionais que atuam na unidade.

O Plano de Pesquisa consolida um processo de estruturação das atividades científicas que vem sendo desenvolvido ao longo dos anos no Parque Estadual do Rio Doce. Desde sua implementação, em 2024, ações de educação ambiental e divulgação científica ganharam ainda mais força, incluindo iniciativas como o projeto “Tem Bicho no Parque” e o uso de imagens produzidas por pesquisadores em atividades de monitoramento da fauna e sensibilização da sociedade.

Em 2026, o parque sediará a sexta edição do Seminário de Pesquisas Integradas do PERD. O evento marcará a continuidade do diálogo entre gestores e comunidade científica e contará com a apresentação dos resultados do monitoramento da biodiversidade realizado pela própria unidade desde 2025.

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