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Educação SALVE A ESCOLA PAULA

Todos pela Escola Paula Rocha

Todos pela Escola Paula Rocha

24/03/2015 13h43
Por: Glaucia Melo Clark

A Escola Estadual Paula Rocha nasceu em 22 de junho de 1907, no governo de João Pinheiro, com o nome Grupo Escolar de Sabará.

A instituição era anexa à Escola Normal e funcionou dessa forma até 1925. Nesse ano se transferiu para o prédio que conhecemos hoje construído entre 1923 e o ano de sua inauguração.

No dia 25 de fevereiro de 2013 a Escola Estadual Paula Rocha fechou as portas de seu prédio quase centenário. O imóvel foi interditado, pois estaria apresentando riscos para alunos e funcionários.

Na época a diretora da Superintendência Regional de Ensino Metropolitana A, Elci Pimenta Costa Santos, esclareceu que o local passaria por uma ampla reforma/restauração e que devolveria ao povo de Sabará um prédio com as mesmas características da época em que foi construído.

Dois anos se passaram e até o momento as obras de reforma e restauração sequer começaram. A diretora da Escola, Fátima Regina Souza Silva, diz que o maior problema atualmente e a falta de um retorno. A diretora informa que, segundo o DEOP (Departamento Estadual de Obras Públicas), responsável pela obra, já licitou a empresa que fará a reforma, esta já fez uma planilha, com todas informações necessárias para a obra. A diretora explicou que a empresa seguiu corretamente todos os passos para elaborar a planilha.

Ainda de acordo com a diretora, no momento falta apenas a aprovação da planilha pelo IPHAN, após aprovada será necessário aguardar a liberação da verba.

Mobilização

A população sabarense que tem uma história de amor com a escola centenária, a segunda mais antiga do Estado, está se mobilizando para cobrar do Governo Estadual mais agilidade no processo, para que a escola possa retornar para seus alunos o mais breve possível.

Por isso, um pequeno grupo de ex-alunos se reuniu na manhã do dia 21 de fevereiro para abraçar a escola simbolicamente. Nos dias seguintes o movimento ganhou força e um grupo de estudantes do Paula Rocha se uniu no dia 5 de março, para também dar um abraço na Escola. Esta última manifestação reuniu mais de 200 pessoas, entre alunos, professores, ex-alunos, ex-professores e outros ex-funcionários, além de vários sabarenses, que têm várias histórias para contar da escola mais antiga da cidade.

Os manifestantes andaram pelas ruas do centro histórico e despertou a atenção de muita gente, todos se solidarizaram com a causa.

A ex-aluna Simone Pereira Penna, 50, estava presente na manifestação. Ela estudou por quatro anos na escola e guarda as melhores lembranças do Paula Rocha. Ela diz que esses anos fizeram parte de sua educação não só formal, mas principalmente emocional. A ex-aluna afirma estar muito triste em ver o prédio na situação em que se encontra e pensa no descaso daqueles que poderiam se envolver com o caso, mas não se envolvem. Simone se solidariza com os alunos e professores que estão passando por esta situação.

Professora no Paula Rocha por mais de 20 anos e também ex-aluna, Mary Ferreira da Silva, também compareceu ao manifesto. Ela diz estar muito triste, afinal é uma escola que faz parte não só da história de Sabará, mas de Minas, pois é a segunda escola mais antiga do Estado.

Edna Conceição Costa e Silva, 75, estudou e por muitos anos trabalhou como cantineira na Escola. Além disso, seus filhos e netos também foram alunos. Ela diz que sua vida foi o Paula Rocha, trabalhando no local por quase 20 anos, Edna afirma que está muito triste com a situação, “para mim é muito doído, machuca muito, eu não estava podendo andar, vim só pela manifestação. Virei quantas vezes precisar. Já estou mobilizando, fiz até abaixo-assinado, mas acho que todos têm que se movimentar”, fala.

Luciene Alves dos Santos tem duas filhas que estudam no Paula Rocha, ela diz que desde que as meninas foram transferidas para o Zoroastro Vianna Passos, perderam a motivação para estudar. Luciene conta que as filhas muitas vezes são obrigadas a dividirem as carteiras com outros alunos.

Mônica Granja, professora apaixonada por Sabará e uma das lideranças dos movimentos pró - Paula Rocha, diz estar muito feliz, pois o pequeno passo dado com apenas oito pessoas no dia 21 de fevereiro abraçando a escola cresceu chegando a centenas de pessoas que ocuparam a praça naquela tarde. A professora diz que a escola faz parte de sua história, pois estudou no Paula Rocha por três anos. Ela afirma que é triste ver o prédio jogado às intempéries, aguardando um projeto maravilhoso, mas ressalta que se a espera for grande, o tempo agirá contra o prédio.

O vice-prefeito, Ricardinho, fala que desde o momento do fechamento a prefeitura tem mantido um diálogo com a Secretaria de Educação do Estado. Ele diz que na ocasião o Estado afirmou que seria uma obra emergencial, logo seria algo rápido sem maiores transtornos.

Apesar disso, o vice-prefeito fala que via com desconfiança essas afirmações, pois sabe que o cenário do Estado não era positivo, já existe um clamor das escolas estaduais que a verba não tem chegado para pequenas reformas, “ isso nos assustou”, diz.

Ricardinho ressalta ainda que a Prefeitura tem se mobilizado com o novo Governo e que uma das prioridades do Governo Pimentel em Sabará é a reforma da Escola. Para finalizar, ele afirmou que não faltará esforço do governo municipal para negociar com o Estado, mas disse ser imprescindível que a população esteja mobilizada para que todos juntos consigam fazer com que o Governo Estadual agilize a reforma.

Alunos divididos entre duas escolas

Desde que foi interditada, os mais de 700 alunos do Paula Rocha, compreendido em 23 turmas, foram transferidos para as Escolas Estaduais Coronel Adelino Castelo Branco e Professor Zoroastro Vianna Passos. No início da mudança os transtornos foram muitos para alunos e professores, após dois anos, algumas coisas se ajeitaram, principalmente na escola Professor Zoroastro Vianna Passos, que tem maior espaço físico, mas apesar das adaptações os alunos continuam insatisfeitos e o desejo de todos é voltar para o antigo prédio.

Fátima Regina, diretora da escola, pontua que está sendo muito difícil trabalhar com a escola dividida, são 23 turmas do primeiro ao nono ano que tiveram que ser colocada em dois prédios diferentes dificultando muito o trabalho.

A turma do quinto ano estava presente na manifestação e apontou vários motivos para voltar, mas o principal deles e a falta de liberdade.

Caíque Augusto Araújo Bispo, 10, diz que era muito divertido estudar no antigo prédio e quer muito voltar, “no Castela Branco também é divertido, mas nós não estamos em nossa casa, é como se estivéssemos na casa de outras pessoas e isso me incomoda”, afirma.

Júlia Oliveira, 9, fala que no Castelo Branco muita coisa mudou, “ no Paula Rocha durante o recreio a gente podia correr, jogar bola, brincar de pega-pega, agora no Castelo Branco não podemos mais nada”.

Para Vinícius Maciel Pimentel, 10, no Castelo Branco eles não têm a mesma liberdade que tinham no Paula Rocha.

Letícia Oliveira de Paula, 10, também diz que as diferenças são muitas, “aqui no Paula Rocha é a nossa escola, já o Castelo Branco é uma escola emprestada. Aqui me sinto melhor, mais a vontade”, afirma.

Emanuelle Cristina Ferreira, 10, também tem a mesma opinião. Ela diz que no Castelo Branco tem que dividir a escola e por isso não podem fazer nada.

O manifesto contou também com a turma do oitavo ano. A opinião dos alunos que foram transferidos para a Escola Estadual Zoroasto Viana Passos não difere dos outros.

Mayla de Alcântara Lopes, 12, afirma que o Paula Rocha era mais confortável, “no Zorostao tem pouco espaço. Não tem quadra para educação física, as cadeiras estão estragadas, tem salas que os alunos estão sentando em mesas e cadeiras da cantina, por não haver outras”.

Gustavo Augusto Alves, 12, também aponta a falta de espaço como um grande problema.

Após, essas manifestações a população sabarense abraça definitivamente a causa do Paula Rocha e pretende cobrar do Governo do Estado uma atitude em relação à situação. Afinal, não podemos ver a escola centenária de todos sabarenses ser esquecida pelo tempo, literalmente jogada às traças e nem nossos jovens sendo obrigados a se apertarem em espaços pequenos e inadequados para o aprendizado.

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