Foi aberta na dia 18 de fevereiro, Quarta-Feira de Cinzas, a Campanha da Fraternidade 2015. Promovida pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),O tema escolhido este ano é Fraternidade: Igreja e Sociedade e o lema "Eu vim para servir". A ideia é aprofundar, a partir do Evangelho, o diálogo e a colaboração entre a Igreja e a sociedade como serviço ao povo brasileiro.
A campanha propõe ainda buscar novos métodos, atitudes e linguagens na missão da Igreja de levar a palavra a cada pessoa.
Padre Rogério, pároco da Igreja Nossa Senhora do Rosário, diz que este ano o tema foi muito bem escolhido devido ao momento em que estamos passando, quando a sociedade está perdida, sem saber para onde ir.
O padre ressalta que o lema ?Eu vim para servir?, está muito forte, e precisa se tornar cada vez mais forte. Ele afirma que para que a sociedade esteja bem é preciso voltar para nós e muitas vezes estamos esperando somente das autoridades. O Padre ressalta que nossos lideres são colocados por nós, lembra a Sagrada Escritura que diz que cada povo tem o governo que merece, ?então começamos a pensar: Como nós estamos? Onde entra o papel da Igreja, não somente da Católica, para instruir melhor as pessoas? Como temos embasado as nossas escolhas??, diz.
O pároco afirma que o grande convite é tornar semelhante a Jesus Cristo, ?é lavar os pés dos seus apóstolos?, é servir, fazer a nossa parte, ?é preciso que eu esteja disposto a servir meu irmão, uma vez que autoridades constituídas não estão fazendo o papel que elas deveriam fazer, para nós cristãos que cremos que autoridades são colocadas com a permissão de Deus?, destaca.
O trabalho da Igreja, não só no Brasil, nos mostra que este servir que ela precisa retomar, ?sem lavar os pés, nunca acontecerá uma verdadeira eucaristia, uma comunhão entre as pessoas, pois ao lavar os pés há o perdão, a humildade, o reconhecimento e a partir daí vemos que somos todos iguais?, diz.
Reforma Política
A Campanha da Fraternidade 2015 tem como um de seus focos o recolhimento de assinaturas para o projeto, de iniciativa popular, de Reforma Política.
Integrante da Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas, a Igreja Católica apoia a proibição de financiamento de candidatos por empresas (pessoas jurídicas) e a implantação do financiamento democrático, público e de pessoas físicas; a adoção do sistema eleitoral chamado 'voto transparente' , proporcional, em dois turnos; a promoção da alternância de homens e mulheres nas listas de candidatos dos partidos (as mulheres somam 51% do eleitorado, mas é de apenas 9% a representação feminina na política) e, finalmente, o fortalecimento da democracia participativa, com plebiscito, referendo e projeto de lei de iniciativa popular.
O texto da Campanha da Fraternidade 2015 lembra outros problemas que a sociedade brasileira enfrenta, a começar pela violência. "A melhoria das condições de vida dos brasileiros ainda não se traduziu em melhorias nas condições estruturais de vida da população, sobretudo dos necessitados", adverte a CNBB no texto, citando os desafios a serem enfrentados a luta pela reforma agrária, pelas condições de trabalho no campo, por um salário justo , por um emprego decente e pelo acesso à moradia.
O texto-base defende também a demarcação dos territórios para as comunidades indígenas, quilombolas e o estabelecimento de políticas públicas de inclusão social de milhares de excluídos.
Quanto ao envolvimento na Reforma Política, padre Rogério afirma que a Igreja deve ser cautelosa ao levantar a bandeira de bater de frente com as empresas financiadoras de campanhas eleitorais. Ele lembra que quando a Igreja entrou encabeçando a Ficha Limpa, ela sofreu muitas retaliações, porque a Igreja também tem erros, por ser composta por homens, ?aqueles que se sentiram prejudicados com a Ficha Limpa, entraram de ?sola? contra a Igreja e com isso muitas verdades e também inverdades vieram à tona, prejudicando muitos inocentes?, ressalta.
Mensagem do Papa Francisco por ocasião da Campanha da Fraternidade 2015
Queridos irmãos e irmãs do Brasil!
Aproxima-se a Quaresma, tempo de preparação para a Páscoa: tempo de penitência, oração e caridade, tempo de renovar nossas vidas, identificando-nos com Jesus através da sua entrega generosa aos irmãos, sobretudo aos mais necessitados. Neste ano, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, inspirando-se nas palavras d?Ele ?O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos? (Mc 10,45), propõe como tema de sua habitual Campanha ?Fraternidade: Igreja e Sociedade?.
De fato a Igreja, enquanto ?comunidade congregada por aqueles que, crendo, voltam o seu olhar a Jesus, autor da salvação e princípio da unidade? (Const. Dogmática Lumen gentium, 3), não pode ser indiferente às necessidades daqueles que estão ao seu redor, pois, ?as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo? (Const. Pastoral Gaudium et spes, 1). Mas, o que fazer? Durante os quarenta dias em que Deus chama o seu povo à conversão, a Campanha da Fraternidade quer ajudar a aprofundar, à luz do Evangelho, o diálogo e a colaboração entre a Igreja e a Sociedade ? propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II ? como serviço de edificação do Reino de Deus, no coração e na vida do povo brasileiro.
A contribuição da Igreja, no respeito pela laicidade do Estado (cfr. Idem, 76) e sem esquecer a autonomia das realidades terrenas (cfr. Idem, 36), encontra forma concreta na sua Doutrina Social, com a qual quer ?assumir evangelicamente e a partir da perspectiva do Reino as tarefas prioritárias que contribuem para a dignificação do ser humano e a trabalhar junto com os demais cidadãos e instituições para o bem do ser humano? (Documento de Aparecida, 384). Isso não é uma tarefa exclusiva das instituições: cada um deve fazer a sua parte, começando pela minha casa, no meu trabalho, junto das pessoas com quem me relaciono. E de modo concreto, é preciso ajudar aqueles que são mais pobres e necessitados. Lembremo-nos que ?cada cristão e cada comunidade são chamados a ser instrumentos de Deus ao serviço da libertação e promoção dos pobres, para que possam integrar-se plenamente na sociedade; isto supõe estar docilmente atentos, para ouvir o clamor do pobre e socorrê-lo? (Exort. Apost. Evangelii gaudium, 187), sobretudo sabendo acolher, «porque quando somos generosos acolhendo uma pessoa e partilhamos algo com ela ? um pouco de comida, um lugar na nossa casa, o nosso tempo ? não ficamos mais pobres, mas enriquecemos? (Discurso na Comunidade de Varginha, 25/7/2013). Assim, examinemos a consciência sobre o compromisso concreto e efetivo de cada um na construção de uma sociedade mais justa, fraterna e pacífica.
Queridos irmãos e irmãs, quando Jesus nos diz ?Eu vim para servir? (cf. Mc 10, 45), nos ensina aquilo que resume a identidade do cristão: amar servindo. Por isso, faço votos que o caminho quaresmal deste ano, à luz das propostas da Campanha da Fraternidade, predisponha os corações para a vida nova que Cristo nos oferece, e que a força transformadora que brota da sua Ressurreição alcance a todos em sua dimensão pessoal, familiar, social e cultural e fortaleça em cada coração sentimentos de fraternidade e de viva cooperação. A todos e a cada um, pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida, envio de todo coração a Bênção Apostólica, pedindo que nunca deixem de rezar por mim.
Vaticano, 2 de fevereiro de 2015.
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