Desde 1998, toda a primeira terça-feira do mês de maio é reservada para o Dia Mundial de Combate à Asma, uma doença crônica não transmissível que ainda nos dias atuais merece total atenção e cuidado. Segundo o Ministério da Saúde, é estimado que 23,2% da população brasileira convive com asma, condição respiratória que pode levar à morte.
Com a população brasileira de 214,3 milhões, estima que mais de 49 milhões de pessoas têm a condição. Na Atenção Primária à Saúde (APS), 2021 registrou 1,3 milhão de atendimentos e aproximadamente 231 mil consultas a mais que em 2020 (1,1 milhão). Já em 2022, de acordo com o Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), houve 83.155 internações e 524 mortes, enquanto fevereiro deste ano, 7.197 pessoas foram internadas por asma e houve 20 óbitos no país.
De acordo com a Dra. Angela Honda, Líder de Programas Educacionais da Fundação ProAR, a asma pode ser considerada uma condição comum e bastante frequente, mas o grande número de subnotificações é um dos grandes desafios. “Existe uma subestimação da doença muito grande, e as pessoas com a condição afirmam que têm bronquite e não asma. Ao não usar o termo correto, os indivíduos menosprezam a doença”, infelizmente os pacientes se acostumam a viver com falta de ar e correm risco de vida se não tratados adequadamente. declara a Dra. Angela.
Corroborando essa questão, o Dr. Eduardo Macário, Representante da Equipe de Apoio Institucional e Participativo do Ministério da Saúde para Santa Catarina e Membro da Comissão Consultiva do FórumDCNTs, reforça que “a asma, sendo uma das principais condições respiratórias crônicas, carece de atenção e preocupação em nosso sistema de saúde. É uma condição que, embora não tenha cura, seu gerenciamento é acessível para que a pessoa tenha qualidade de vida”. A desinformação entra mais uma vez como ponto crítico, já que o diagnóstico correto precisa acontecer logo no primeiro atendimento, conclui o Dr. Eduardo.
Segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), os estudos epidemiológicos mostram que 5% da população com a condição no Brasil apresenta a forma mais grave, precisando de acompanhamento na Atenção Especializada, ou seja, 95% das pessoas com asma podem e devem ser acompanhadas com tecnologias disponíveis na Atenção Primária à Saúde.
Uma das possíveis respostas para os desafios no enfrentamento à asma está na ampliação da Estratégia Saúde da Família (ESF), que tem como objetivo reorganizar a APS no Brasil. O Sr. Alessandro Chagas, Assessor técnico do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS), também enfatiza a necessidade de aumentar a sensibilidade do diagnóstico e tratar a asma como uma condição crônica, além de alavancar o movimento educacional de qualificação dos profissionais da saúde.
Vale lembrar que, segundo definição do Ministério da Saúde, a asma “caracteriza-se por um processo que afeta todo o organismo e não somente as vias aéreas inferiores, que aumentam a produção de secreções e prejudicam a passagem de ar”. A partir dessa definição, a Dra. Angela Honda complementa a necessidade da equipe multiprofissional nas condições respiratórias, com destaque para nutricionistas e fisioterapeutas, principalmente pela grande perda muscular nesse processo, além de enfermeiros e farmacêuticos na educação sobre a doença e o uso correto dos dispositivos inalatórios.
Mais informações estão disponíveis em www.ForumDCNTs.org.
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