Quem nunca ouviu falar do Monstro Biro-Biro que assombra crianças e também adultos lá pelos lados do Gaia? Pois é, agora além de assombrar por aquelas bandas, ele está apavorando a garotada nas páginas do livro ?A Lenda do Terrível Monstro Biro-Biro?, do escritor e artista plástico, Sebastião Edson de Jesus Crispim, ou simplesmente, Jagunço, apelido que ganhou na capoeira e virou nome artístico.
O livro escrito em cordel foi lançado na terça-feira, 27 de maio, na sala Son Salvador da sede da Borrachalioteca, localizada na entrada do bairro Cabral. O evento contou com a participação de moradores do Cabral, das crianças do Projeto Vida e de educadores.
Para escrever ?A Lenda do Terrível Monstro Biro-Biro? toda inspiração foi retirada do trabalho voluntário que Jagunço faz como educador no Projeto Vida, instituição localizada no bairro Gaia que atende 18 crianças. A história foi contada pelos próprios meninos que souberam da lenda através do coordenador da entidade, José Geraldo Eloy.
No livro a criançada vira personagem e são heróis na luta contra o tão temível monstro. Segundo o autor, os meninos não ganharam nomes fictícios, pelo contrário, deixá-los com os nomes verdadeiros foi uma forma de homenageá-los com respeito e carinho.
A Folha de Sabará também está presente, através de uma brincadeira o autor faz uma homenagem ao jornal, dizendo que os garotos do projeto apareceram em nossas páginas como heróis, mas tiveram seus rostos tampados por tarjas pretas para o monstro não o reconhecê-los.
Para o autor o livro conta uma história de terror infantil que as crianças adoram e mistura folclore e ensinamentos educativos.
Com o lançamento do livro também foi aberta uma mostra de arte de Jagunço. A exposição traz uma coleção de quarenta pergaminhos contando a história do Brasil desde a época da escravidão. Os pergaminhos mostram símbolos nacionais como a capoeira, as máscaras negras, as influências negras na arte brasileira e ainda carros de boi e trens.
Jagunço convive com a arte desde muito cedo, ainda criança o pequeno artista já estava envolvido com tintas e telas. A arte o acompanhou por toda vida, toda sua formação se deu na Bahia, um celeiro de talentos, por lá trabalhou 30 anos com criação publicitária e foi professor universitário por 15 anos. Após se aposentar decidiu apurar outro talento: a escrita, então veio para Sabará, um lugar que ele considera inspirador. Esse é seu segundo livro, o primeiro traz contos narrados em cordel e o título é seu próprio nome: Jagunço.
Para quem quiser apreciar a exposição é só visitar a sede da Borrachalioteca na entrada do bairro Cabral, próximo à Drogaria da Vovó. A mostra ficará em cartaz até após a Copa do Mundo.
Jagunço diz que o lançamento do livro e a abertura da exposição foi um momento de muita alegria, onde as crianças estavam muito felizes, ?para mim é sempre uma honra participar de movimentos com as crianças do projeto, pois ser um voluntário é uma missão. É muito importante contribuir para que o mundo seja cada dia melhor para cada um de nós?, afirma. Para ele o Projeto Vida é uma forma de recolocar os meninos no meio social de uma maneira afetiva e amorosa. ?Seus coordenadores tentam dá um lar de amor, harmonia, religiosidade para as crianças que chegam lá muitas vezes machucadas pela vida?, conclui.
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