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Minha carta de despedida como Professora de Escola Pública

Minha carta de despedida como Professora de Escola Pública

Por: Glaucia Melo Clark
20/10/2015 às 16h02

Retornei à escola onde trabalhei, fui lá para despedir-me de forma triunfal. O Estado não fez festa pela minha saída, hoje retornando à escola ousei a fazer uma festa para mim e para os que conseguiram sair dela sem medo do demônio. Olhei as salas de aulas cheias de alunos com olhos brilhantes ávidos por conhecimentos do séc. XXI. Queriam entender o mundo com a junção da ciência com a espiritualidade, olhei a estrutura do Estado, ao fornecer o ensino laico e gratuito, como quem olha um demônio. Hoje não tenho mais medo do demônio. Vi todos, fui dócil, fomos corteses uns com os outros, os alunos não me viram, mas eu vi a alma de cada um deles, entrei sem pedir licença, olhei tudo e saí silenciosamente sem deixar rastros. Os olhei com ternura e saí.

Às vezes me angustiava dar aulas, muitas vezes me achava incompetente. Queria ser a melhor, a mais competente. Mas tenho convicção de que conscientizei muitos alunos para a cidadania. Fui tão utópica. Dei aula no sistema público estadual, sistema falido, educação sucateada. E eu que acreditei na educação. Nós professores tão maltratados. Às vezes me sentia pior do que uma cachorra vira lata de rua, é assim que me sentia tratada pelo governo do Estado de Minas Gerais e pela República Federativa do Brasil.

Brasil, mostra sua cara, quero ver quem paga pra gente ser assim. A apatia de alguns alunos me deprimia. A escola é burra, os alunos são inteligentes, mas ficam apáticos com o sistema burro de educação no Brasil. No Brasil a educação deveria ser de tempo integral, ter refeitório com comida balanceada por nutricionista, deveria, além das matérias tradicionais, ter oficinas de arte, teatro, dança, capoeira. Assim, o Brasil iria mudar a cara. Assim, ninguém iria pagar para continuar alienando a população com pão, circo, novelas, Gugu, Faustão, CPIs caducas e impunes.

Eliane Crispim - 22/06/2015

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